quarta-feira, 13 de junho de 2018

CONVERSA DE ADOLESCENTE - Uso de palavrões


Roberto Gameiro

Quando me propus a escrever este texto, a respeito do uso de palavrões no linguajar dos adolescentes,  pensei em começar transcrevendo alguns diálogos, ouvidos de conversas entre eles, para ilustrar esta introdução.
Comecei, mas não tive coragem de continuar, em respeito aos leitores, alguns dos quais poderiam se sentir constrangidos com tal palavreado.
Então, passei a me perguntar se isso é normal ou trata-se de chatice dos mais velhos querendo se intrometer onde não são chamados, ou, ainda, se se trata de uma anomalia comunicacional que precisa ser acompanhada e depurada.
Não estou aqui me referindo aos contextos de língua culta e de língua coloquial, a primeira com suas características de uso em situações formais e documentos oficiais, e a segunda com suas variantes espontâneas, usando formas reduzidas, sem preocupação com as normas gramaticais, e muitas expressões próprias da cultura existente nos relacionamentos familiares e entre amigos de infância.
Também não se pode afirmar que seja a maioria dos adolescentes e em todas as partes do país, felizmente. Mas que este universo é graaaande, não tenho dúvidas.
Sabemos que os adolescentes sentem necessidade de integração nos seus grupos de amizades. Nada mais normal. Para isso, é comum que usem determinadas gírias e abreviaturas que têm significado particular para aquele grupo. Essas gírias vêm e vão com a mesma velocidade. E eles se entendem. Até aqui, nenhuma novidade. Qual de nós não se utilizou dessas estratégias na mocidade?
Sabemos, também, que, atualmente, nas redes sociais, ao teclarem, além de usar as gírias, utilizam-se de abreviaturas de palavras e expressões para facilitar e agilizar a digitação e a comunicação. Os adolescentes, geralmente, têm pressa. Neste caso, os adultos também…
Mas, por que os palavrões?
Muitos adolescentes falam palavrões que aprendem com seus próprios pais; e isso, infelizmente, não é raro.
Assim como os pais exercem influência nos adolescentes, também os amigos líderes de grupos ou “tribos” influenciam, para o bem ou para o mal, os seus seguidores. Se esse líder fala muitos palavrões, com certeza os demais também o farão para se firmar no grupo e para a autoafirmação de cada um.
Percebe-se, por outro lado, que conforme vão “crescendo”, esse costume vai diminuindo e tende a desaparecer na vida adulta. Nem todos, porém.
O mundo muda. Para melhor e ou para pior. A família muda. A adolescência também.
Entretanto, compete aos pais e à escola exercer a influência positiva, dialogando com os adolescentes e mostrando o quanto esse costume denigre a imagem que eles projetam na sociedade, por mais liberal ou mais conservadora que seja.
Mas, será que eles estão preocupados com projeção de imagem?
Fica aí um convite para mais uma reflexão em família.
Artigo editado e publicado no jornal “O Popular” de Goiânia em 27/10/16.

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Um comentário:

  1. Olá Roberto. Tenho acompanhado seu blog de perto e PARABÉNS pelos excelentes artigos. Roberto, o pior de tudo isso… é vc ver crianças falando palavrões. E muitas aprenderam com o exemplo dos pais em casa, e não apenas com amiguinhos da escola. E como sempre se pode piorar um pouco mais, quando são muito pequenas, sendo até incentivadas a falar pelos pais ou parentes, pq acham “tão bonitinho” ou “tão engraçadinho” aquela criaturinha de 1, 2 ou 3 anos falando palavrões e as vezes acompanhadas por gestos obscenos. Que triste!! Mas, respondendo sua pergunta no fim do texto, penso que a maioria dos adolescentes não se preocupam com a sua “projeção de imagem”, sua preocupação principal é com a “tribo.” Acho que nós pais é que nos preocupamos mais com isso e tentamos fazê-los enxergar esse aspecto. Um forte abraço, Valesca.

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Sobre Roberto Gameiro

Sobre Roberto Gameiro
Pedagogo habilitado em Administração e Supervisão Escolar, Licenciado em Letras Modernas Português-Inglês, Pós-graduado com Especialização em Avaliação Institucional Escolar, e Mestre em Administração com ênfase em Gestão Estratégica de Organizações, Marketing e Competitividade. Diretor de escolas de Educação Básica, Professor universitário e de Educação Básica, e Diretor de Obras Sociais. É palestrante e tem seus artigos publicados em jornais, revistas e redes sociais.

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FRUTO DA FORMAÇÃO E DA EXPERIÊNCIA PESSOAL E PROFISSIONAL DO AUTOR, ESTE BLOG ABRIGA ARTIGOS SOBRE “EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES” E SOBRE “GESTÃO ESCOLAR”. NA SEÇÃO “EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES”, ESPERA-SE QUE OS ARTIGOS POSSIBILITEM LEITURA E DEBATE EM FAMÍLIA, ESPECIALMENTE COM OS FILHOS, NAS DIVERSAS FAIXAS ETÁRIAS. NÓS PAIS ESTAMOS SEMPRE PROCURANDO ENCONTRAR VIAS DE COMUNICAÇÃO COM OS NOSSOS FILHOS, MAS NEM SEMPRE ENCONTRAMOS O VEIO PROPÍCIO, NÃO É? AQUI ESTÁ UMA POSSIBILIDADE. NA SEÇÃO “GESTÃO ESCOLAR”, ESPERA-SE QUE OS ARTIGOS CONSTITUAM SUBSÍDIOS ÚTEIS PARA AS ÁREAS DE DIREÇÃO, SUPERVISÃO, COORDENAÇÃO E DOCÊNCIA. SÃO PUBLICADOS, TAMBÉM, TEXTOS DE OUTROS AUTORES, QUE AGREGUEM VALOR AOS OBJETIVOS DO BLOG. BOAS LEITURAS!

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