sexta-feira, 8 de setembro de 2017

DESEMBARCAR DE SI MESMO


Roberto Gameiro
O poeta e escritor português Fernando Pessoa, através do seu heterônimo Bernardo Soares, escreveu que é inútil viajar para a China se não saímos da bolha onde vivemos, ou seja, se não desembarcamos de nós mesmos.

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Há momentos na vida em que precisamos nos desvencilhar dos nossos pensamentos rotineiros para arejar a mente e produzir novos insights que nos levem a navegar por novas possibilidades, novas iniciativas, novos patamares e paradigmas.
Em outras palavras, devemos nos dar a chance de desembarcar momentaneamente de nós mesmos, e, após um período de reflexão intensa e corajosa, embarcar novamente em nós mesmos, porém, renovados, preparados e prontos para novas jornadas.
A vida nos proporciona algumas dessas oportunidades, embora nem sempre as reconheçamos e as aproveitemos. São, por exemplo, aqueles momentos em que “o trenzinho" (da oportunidade) passa e ficamos na dúvida se devemos embarcar nele, ou não, sabendo que ele poderá não passar outra vez.
Nessas horas, somos tomados por sentimentos de esperança e de alegria, ao tempo em que nos sufoca uma certa angústia, um certo medo de errar e arrepender-se.
Isso ocorre na vida tanto nos aspectos profissionais como nos pessoais. Porém, sabemos que as mudanças de rumo profissionais afetam as pessoais e vice-versa.
Quantas pessoas há que lamentam não terem aproveitado oportunidades que tiveram na vida; quantas lamentam o contrário. E sempre é bom lembrar que oportunidades não “caem do céu” ou por sorte; elas surgem, ou não, fruto de nossas posturas, ações, buscas e investimentos.
Portanto, estejamos sempre preparados, pois já se disse que sorte é o que acontece quando a preparação encontra a oportunidade.
Não há receita nem fórmula matemática para essas tomadas de decisão. Entretanto, nessas ocasiões, devemos apelar para o bom senso, para o aconselhamento e para a reflexão intensa, criteriosa e corajosa.
Tanto para o sim, como para o não.

Érico Veríssimo (1905-1975), escritor brasileiro, escreveu: "Quando os ventos da mudança sopram, algumas pessoas levantam barreiras, outras constroem moinhos de vento."
SE VOCÊ GOSTOU DESTE ARTIGO, veja outros posts de Roberto Gameiro em: http://www.textocontextopretexto.com.br

Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor nas áreas de "Educação de crianças e adolescentes" e “Gestão de escolas de Educação Básica”. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br

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3 comentários:


  1. Subjetividade é plural e singular ao mesmo tempo; importante observar qual é a parcela do sujeito na situação em que está vivendo e faz a suas escolhas. Diferente dizer que a sociedade influencia de forma determinante a subjetividade da pessoa. A pergunta importante qual é a minha parte, qual é a minha responsabilidade?

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  2. Prezado professor Roberto Gameiro. Agradeço pela oportunidade de ler e refletir sobre a riqueza que é a “vida – ida”, a partir do seu texto “desembarcar de si mesmo”. Gratidão!

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  3. Diante do atual contexto da contemporaneidade, da mudança de paradigma, do pensamento na perspectiva da complexidade, é mais necessário que pensar no desenvolvimento pleno das potencialidades do ser e das dimensões (epistemológica, acadêmica, religiosa, social, esportiva e cultural) permitindo avanços na construção do desenvolvimento integral. Obrigado pela profunda reflexão.

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