sexta-feira, 8 de setembro de 2017

SOBRE O JOGO BALEIA AZUL E SERIADO THIRTEEN REASONS WHY


Rodrigo Borgheti

Nas últimas semanas, temos acompanhado, com preocupação, pelos diversos meios de comunicação e redes sociais, as consequências nefastas do jogo chamado Baleia Azul em todo mundo. Esse fato tem preocupado pais, alunos e professores de todo o Brasil e exige de nós um posicionamento preventivo urgente.
A internet e as redes sociais nos trouxeram inúmeros benefícios, mas sabemos que, quando utilizada de forma equivocada, pode nos trazer consequências desagradáveis e, inclusive, trágicas.
Baleia Azul, é um jogo online clandestino, que teve início na Rússia, cujo público alvo são adolescentes e jovens. Os participantes são assediados via facebook e, os que entram no jogo, são obrigados a passar, além de dados pessoais, os dados de familiares para os chamados “curadores” os quais recebem as orientações via WhatsApp. Uma vez passado esses dados, não podem mais desistir sob ameaça de morte inclusive de familiares. Todas as instruções dadas por esses “curadores” “ fragilizam, induzem a auto e heteroagressão, e, em sua etapa final, exige que seus participantes cometam o suicídio.
Infelizmente, o jogo Baleia Azul tem feito vítimas em distintas cidades de nosso país, desde capitais a pequenas cidades do interior. As autoridades civis já estão se mobilizando através de forças-tarefa, e inquéritos policiais, para identificarem os supostos “curadores” que podem ser indiciados por associação criminosa, ameaça, lesão corporal (por induzirem os participantes a fazerem autolesões), indução ao suicídio, dentre outros crimes. O secretário de segurança do Paraná, Wagner Mesquita, fez um apelo, em coletiva de imprensa, para que os jovens não cedam às ameaças porque não existe risco para que elas se concretizem.
Cabe a nós, escola e família, fazermos a nossa parte.
De imediato, precisamos ter especial atenção ao comportamento de nossos filhos. Alguns sinais podem ser indicativos de que algo pode estar errado. Por isso, pedimos-lhes atenção especial se há indícios de automutilação, se acordam de madrugada (especialmente às 4h20), se passam muitas horas no quarto trancados, se assistem a muitos filmes de terror ou psicodélicos, se estão se isolando, se apresentam tristeza ou se usam somente roupas de mangas compridas. Além disso, acompanhem de perto a rotina de seus filhos, as amizades e com quem fazem contato em suas redes sociais e WhatsApp.
O suicídio é considerado pela Organização Mundial da Saúde um problema de saúde pública e que, nos últimos anos, tem matado mais que homicídios, desastres e HIV e, entre os jovens, a incidência maior ocorre na faixa-etária de 15 a 19 anos. Infelizmente, ainda não temos uma campanha nacional responsável pela prevenção do suicídio.
Nesse sentido, chamamos-lhes à atenção para um seriado divulgado na Netflix chamado Thirteen Reasons Why (Classificação indicativa: 16 anos), baseado no livro de Jay Asher, que aborda, dentre outros temas, as treze etapas que levaram uma adolescente ao suicídio, através de uma trama romântica. Recomendamos que, caso haja o interesse do adolescente e do jovem em assistir essa série, seja acompanhada dos pais que devem problematizar as ações da personagem e dos amigos da personagem a fim de refletir a possibilidade de outras alternativas que não o suicídio. Segundo informações do CVV – Centro de Valorização da Vida, ONG que fornece apoio emocional e prevenção ao suicídio, os contatos por e-mail multiplicaram-se desde a estreia da série, em 31 de março de 2017.
Como Cristãos, acreditamos que a vida é um dom de Deus e que precisa ser valorizada e preservada com todas as nossas forças e a tristeza, a angústia, a frustração fazem parte da vida e podem ser superadas; e que a depressão é uma doença que pode ser tratada e curada. Somos muito maiores que tudo isso! Buscar ajuda de familiares, amigos e profissionais é o melhor remédio para toda e qualquer solidão.
Segundo os profissionais da psiquiatria e da psicologia, há mais vulnerabilidade ao suicídio em adolescentes e jovens com predisposição a quadros depressivos. Entretanto, no contexto que estamos vivendo, não podemos descuidar de nenhuma criança, adolescente ou jovem. Por isso, é necessário abrir um franco diálogo em casa e na escola, estabelecendo um clima de afetividade, respeito e confiança de modo que os nossos filhos e alunos possam se abrir. Caso nos tragam alguma curiosidade sobre o assunto, é necessário que a abordemos com segurança e tranquilidade, orientando-os e acompanhando-os com muita atenção e amor.
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Rodrigo Borgheti é Doutor em Psicologia pela USP e Diretor Educacional do Colégio Marista de Ribeirão Preto (SP)
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Um comentário:

  1. Rodrigo. Concordo com tudo que vc escreveu. Acrescento que a origem desse problema está “lá atrás”. Temos vivido tempos em que os pais não têm tido mais tempo para nada, nem para os filhos. Eles trabalham, trabalham e trabalham. Pois vivemos numa sociedade que valoriza mais o “TER” que o “SER”. Sou pediatra há muitos anos e gosto de observar o comportamento das famílias. Vejo pais dando a crianças (muitas até de tenra idade) tablets, notebooks ou celulares com joguinhos, para a criança ficar quieta e entretida. Onde estão aquelas brincadeiras de cavalinho, ou rolar no chão, de construir castelos na areia, ou de passear nos parques?? Não há tempo para isso. Com os jovens, adolescentes ou pré-adolescentes não é diferente. Como se não bastasse cada um ter seu celular, em cada quarto há um computador. E o fato do filho ficar no quarto trancado ou não, passando horas a fio “conectado”, é considerado normal: trata-se da “privacidade do filho” e são os “novos tempos”. E para muitos, este comportamento é tranquilizador: pois “meu filho está em casa, eu sei que ele está no seu quarto e não nas ruas”. Estes pais não se atêm que todo exagero é ruim, e que o mundo virtual pode ser tão ou mais maléfico que o mundo real. Penso que a palavra-chave para este problema seja TEMPO. Tempo para conversarmos com os filhos, tempo para os educar ( e não terceirizar a educação deles para as escolas, TVs, internet e babás); tempo para prevenir dos perigos e armadilhas da vida; tempo para os aconselhar; tempo para ficarmos quietos e só escutarmos nossos filhos, ouvir suas queixas, medos, dúvidas, receios; tempo para dialogarmos sobre tudo que seja necessário; tempo para reunir a família, nem que seja na hora do almoço ou do jantar, e não ficar cada um mexendo no seu próprio celular; e até ter tempo para não fazer NADA com nossos filhos… Só ficarmos juntos! Numa boa! Como eles falam…rsrs. Se não houver esse TEMPO com nossos filhos… outras coisas coloridas (a cadeira amarela ou cama verde) ou bichos coloridos ( o cachorro azul ou o gato rosa) vão surgir e ocupar aquele espaço na vida deles, que originalmente foi dado por Deus a nós… os pais. É isso o que penso! Fortes abraços para você e para o Roberto. Valesca Botelho

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Sobre Roberto Gameiro

Sobre Roberto Gameiro
Mestre em Administração com ênfase em Gestão Estratégica de Organizações, Marketing e Competitividade. Pedagogo habilitado em Administração e Supervisão Escolar, Licenciado em Letras Modernas. Pós-graduado com Especialização em Avaliação Institucional Escolar. Diretor de escolas de Educação Básica, professor universitário e de Educação Básica e diretor de obras sociais. É palestrante, consultor e mentor. Articulista, tem seus artigos publicados em jornais, revistas e redes sociais.

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ESTE BLOGUE ABRIGA ARTIGOS SOBRE “EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES” E SOBRE “GESTÃO ESCOLAR”. NA SEÇÃO “EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES”, ESPERA-SE QUE OS ARTIGOS POSSIBILITEM LEITURA E DEBATE EM FAMÍLIA, ESPECIALMENTE COM OS FILHOS, NAS DIVERSAS FAIXAS ETÁRIAS. NÓS PAIS ESTAMOS SEMPRE PROCURANDO ENCONTRAR VIAS DE COMUNICAÇÃO COM OS NOSSOS FILHOS, MAS NEM SEMPRE ENCONTRAMOS O VEIO PROPÍCIO, NÃO É? AQUI ESTÁ UMA POSSIBILIDADE. NESTA SEÇÃO, A PRIMEIRA REVISORA E COLABORADORA É A DRA. VALESCA BOTELHO, MINHA ESPOSA, MÉDICA PEDIATRA (CRM-TO 357). NA SEÇÃO “GESTÃO ESCOLAR”, ESPERA-SE QUE OS ARTIGOS CONSTITUAM SUBSÍDIOS ÚTEIS PARA AS ÁREAS DE DIREÇÃO, SUPERVISÃO, COORDENAÇÃO E DOCÊNCIA. SÃO PUBLICADOS, TAMBÉM, TEXTOS DE OUTROS AUTORES, QUE AGREGUEM VALOR AOS OBJETIVOS DO BLOGUE. BOAS LEITURAS!

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