ALMA MINHA GENTIL - SONETO- LUIS VAZ DE CAMÕES


Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
memória desta vida se consente,
não te esqueças daquele amor ardente,
que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
algũa cousa a dor que me ficou
da mágoa, sem remédio, de perder-te;

roga a Deus que teus anos encurtou,
que tão cedo de cá me leve a ver-te,
quão cedo de meus olhos te levou.


Fonte: http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000164.pdf    (080) (Repita o acesso se não entrar diretamente nos sonetos)

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