O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO - Para debates em família e na escola - Roberto Gameiro

SEXO, DROGAS E ADOLESCÊNCIA - Jacqueline Caixeta

SEXO, DROGAS E ADOLESCÊNCIA


Jacqueline Caixeta


Os adolescentes têm experimentado drogas, lícitas e ilícitas, bem mais cedo do que se pensa. As relações sexuais também estão chegando mais cedo do que muitos pais imaginam. É comum e próprio da adolescência, o desejo por experimentar coisas novas, isso acontece desde que o mundo é mundo, como dizem os antigos, no entanto, a pergunta que sempre vai ficar no ar é: será que esses adolescentes estão sendo mais estimulados a buscar mais cedo esses experimentos? 


Lógico que sim! Primeiro porque muitos pais favorecem isso com suas posturas e valores atuais, depois, porque o livre acesso à internet traz vários “mundos” para qualquer um que tenha este acesso, independente da idade. É muito comum crianças que já sabem bem mais que seus pais sabiam sobre drogas e sexo na idade deles. Quando se entrega um celular, com internet paga, para uma criança, inocente os pais que pensarem que ela não vai “fuçar” tudo que quiser e tiver curiosidade. 


O que fazer então? Já que as pesquisas apontam que os adolescentes estão tendo suas experiências tão cedo?


Primeiro, olho no espelho! Isso mesmo! Olhem suas atitudes, vejam o que andam fazendo, porque o exemplo ensina mais do que a palavra. Antes de dizer a um adolescente para não beber ou exagerar na bebida, lembre-se disso antes de se embriagar a cada final de semana, a cada encontro com os amigos, a cada festa. A parentalidade é algo tão sério e muitos não têm a noção do que seja ser pai e mãe. Saber que seu filho está crescendo e se desenvolvendo em sua total responsabilidade, é desafiador e vai bem além de ter filhos para postar fotos na rede. Atualmente presenciamos famílias sem a menor condição de criar filhos, não por questões financeiras, mas por questões éticas. Saber que o “produto” daquela relação vai ser um ser humano com tantas imperfeições e nocivo à sociedade, chega a assustar. Não quero ditar normas e padrões, sei que cada família tem seus valores, mas chamar para uma boa reflexão sobre como estão agindo ao educar os filhos, ah, isso é minha obrigação como educadora.


Em relação ao início da vida sexual estar chegando mais cedo, me pergunto se esses adolescentes que estão experimentando a relação sexual, já se conhecem e se reconhecem como seres que têm sua sexualidade, ou até, se sabem o que isso significa. Fazer sexo, transar, é tão primitivo quando não se conhece seu corpo, seus sentimentos, sua sexualidade. Será que alguém já sentou pra bater um papo sobre isso com eles? Ou será que estão apenas movidos pelo desejo e curiosidade, ou mesmo pelo modismo de deixar de ser virgem? Eles se expõem de maneira tão vulnerável que duvido que saibam exatamente o que é ter uma relação sexual.  Sabe aquela velha conversa com os filhos sobre sexo? Não quero que ela volte, porque ela era carregada de preconceitos e tabus, mas quero muito que uma nova conversa sobre sexo se estabeleça na relação de pais e filhos. Uma conversa sobre o que é sexualidade, como “ler” seu corpo com as mensagens que ele envia para você sobre desejo, o que você sabe sobre seu corpo e suas vontades, como você se sente em relação aos seus desejos e medos, porque querer seguir uma moda, quando o que está em jogo é você, seu corpo, seu desejo. Falar dos cuidados que devem ter nas relações sexuais, preservando a saúde e evitando gravidez não desejada, isso parece antigo, mas é tão urgente quanto necessário.


Os adolescentes precisam dos pais como porto seguro nessa onda toda. Não tem como fingir que meu filho não está tendo acesso ou mesmo tentando experimentar drogas ou ter sua primeira relação sexual, quando se coloca para eles tudo tão fácil e de livre acesso, isso é hipocrisia. A hora é de conversar de maneira clara, objetiva e educativa, dando as informações corretas, orientando de maneira respeitosa e sem preconceitos. A adolescência é uma das fases mais linda da vida, eles querem tudo, são ousados, corajosos, e isso é muito bom, mas também muito perigosos quando não se tem os pais  como parceiros e responsáveis em tudo, o tempo todo.

Com afeto, Jacqueline Caixeta

Publicado com autorização da autora

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