O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO - Para debates em família e na escola - Roberto Gameiro
quinta-feira, 16 de abril de 2026
MENSAGEM - FAÇA VALER O SEU CARÁTER
quinta-feira, 9 de abril de 2026
EMPREENDEDORISMO - SIM OU NÃO?
Roberto Gameiro
"Só você pode realizar seus sonhos. Portanto, seja protagonista dos seus sonhos; não seja simples coadjuvante da realização dos sonhos dos outros."
Essa frase, de minha autoria, propicia uma boa reflexão a respeito de “carreira profissional”.
Você, que tem trabalhado em grandes corporações e ou para terceiros, fazendo o que gosta de fazer, há um bom tempo, já parou para aquilatar o capital cognitivo, de experiência, de relacionamentos e de know-how (técnico, cultural e administrativo), que possui na sua área de atuação, e que poucos possuem?
O que escrevi no parágrafo anterior trouxe-lhe alguma ideia?
Se sim, saiba que uma ideia pode se transformar num ideal. Um ideal pode se transformar num projeto; um projeto terá metas de curto, médio e longo prazos.
Estou falando de empreendedorismo.
Numa sociedade consumista como a nossa, é normal haver pessoas que dedicam a aplicação do seu potencial cognitivo e seu tempo de vida profissional para promover, estimular e contribuir para o alcance de objetivos e metas de pequenas, médias e grandes organizações, deixando para segundo plano suas aspirações pessoais e seus próprios desejos.
Entretanto, em relação à ideia que decorre da interpretação da frase inicial, “empreendedorismo”, que pode ser tomada como o ponto mais alto da realização profissional, há que se ponderar que, para ser protagonista, não se exige necessariamente um CNPJ.
Há os que consideram que o capital cognitivo que possuem não é causa suficiente para se direcionar para um negócio próprio, mas um incentivo para consolidar uma carreira ascendente numa organização bem estruturada, acreditando que ter um CNPJ próprio é um risco desnecessário, diante das possibilidades decorrentes de êxitos já consistentes, seguros e estáveis.
Se por um lado a ideia pode se transformar em ideal, há que se levar em conta que a execução da retomada traz o empresário noviço para a dura realidade de ser o responsável por tudo na empresa enquanto ela não “deslancha”.
Por isso, há algumas perguntas que precisam ser respondidas positivamente antes de tomar a decisão final;
1- A decisão é imutável?
2- Você tem lastro financeiro para bancar as despesas familiares e as de implementação da empresa nos primeiros meses?
3- Você é resiliente e persistente o suficiente para enfrentar os “não”, que, no início, serão mais frequentes do que os “sim”?
Então, se você sente que seu capital cognitivo estendeu-se para além do limite do seu crachá e tem o fôlego necessário para enfrentar as intempéries do mercado, o empreendedorismo é o seu próximo passo.
Com ele, você terá o seu próprio plano de negócio, com objetivos e metas de curto, médio e longo prazos, definirá a abrangência e os limites da sua atuação, organizará o seu horário de trabalho, terá autonomia e independência para fazer o que entender produtivo e rentável, tomará as decisões estratégicas, não terá um teto para o lucro, e poderá desenvolver habilidades multidisciplinares como liderança e gestão de pessoas, capacidade de negociação e vendas, e, importante, resiliência e inteligência emocional para enfrentar incertezas.
Entretanto,
1- Teste o serviço/produto enquanto ainda mantém o vínculo CLT;
2- Não peça demissão para testar uma ideia. Use o seu tempo livre atual para criar um produto viável;
3- Sair da CLT com as portas abertas é um ativo valioso. O mundo corporativo é oscilante e sua reputação é seu patrimônio mais importante!
4- Cerque-se de quem entende do assunto e pode ajudá-lo consistentemente. Sugiro o SEBRAE: https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae
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sexta-feira, 3 de abril de 2026
OS JOVENS NUM MUNDO CIBERNÉTICO
Roberto Gameiro
Já há algum tempo, as crianças e os adolescentes estão ensinando tecnologia para os mais velhos; é fascinante a facilidade que eles têm no uso de smartphones, tablets, aplicativos e, agora, inteligência artificial.
Como que para justificar essas competências e habilidades, eu costumava brincar dizendo que hoje as crianças já nascem com um chip instalado no cérebro.
Mas, nunca me ocorreu refletir, de forma mais profunda, sobre as características intrínsecas desse “dispositivo”, além da rapidez de raciocínio e facilidade para a aprendizagem cibernética.
Mas, brincadeira à parte, descobri que não sou só eu que tenho essa percepção.
Há uma busca constante de explicação do porquê os jovens operam telas e algoritmos com tanta fluidez; e há uma espécie de consenso de que não se trata de uma capacidade biológica inata, mas sim o fato de eles já terem encontrado um mundo cibernético, um mundo mediado por dispositivos.
Desde a mais tenra idade, as crianças estão envolvidas com brinquedos tecnológicos; muitos desses dispositivos de diversão as tornam simples espectadoras das performances dos brinquedos que, praticamente “brincam sozinhos”. A criança não precisa “pensar”, “imaginar”, “manusear”, “construir” nada. O brinquedo é autossuficiente.
Essa postura passiva não traz desafios cognitivos e não estimula a criatividade e o espírito inventivo. O jovem vai crescendo e se tornando adulto acostumando-se de que sempre haverá um “aplicativo” que fará, com rapidez, eficiência e eficácia, tudo o que ele precisa; e a concentração e o aprendizado ficam para segundo plano, assim como a reflexão e a profundidade crítica.
Parte dos homens que estamos formando são vazios de intelecto e carentes de emoção; mas experts no uso da tecnologia, com uma destreza que fascina.
Por outro lado, não se pode negar a importância que a agilidade digital trouxe para a humanidade. Os dados, as informações, os conhecimentos, estão aí à disposição de todos. Escancarados. Mas, ao mesmo tempo, transformaram-se em produtos de uso superficial, descartáveis após o uso.
Em outras palavras, estamos supervalorizando a memória de curto prazo, em detrimento da de longo prazo. Percebe?
Nessa toada, de onde virão os futuros cientistas, pesquisadores, inventores, que tratam o conhecimento com a profundidade e a complexidade exigida em cada área?
Numa reflexão rasteira e intempestiva me ocorreu que o cérebro humano, que já é subutilizado, num futuro próximo não mais será depositário de dados, informações, conhecimentos e saberes latentes, mas um depósito catalogado de uma infinidade de “aplicativos” e dispositivos prontos para serem acessados de acordo com a necessidade em pauta.
Viraremos perfeitos robôs.
O que dá pra rir, dá pra chorar.
Mas, há esperança. Depende, especialmente, da família, da escola e da igreja. A família na educação, a escola na formação, e a igreja na conscientização.
Essas três instituições, que, embora com falhas inerentes, ainda têm crédito público em meio a tanta safadeza e corrupção que grassa em parte dos segmentos político, jurídico e legislativo, têm a missão de atuar em conjunto para promover a literacia digital, ou seja, capacitar as pessoas para que definam, busquem e alcancem seus objetivos, desenvolvam suas potencialidades cognitivas e de emoções, e, especialmente, participem com intensidade dos destinos das suas comunidades e da sociedade em geral.
Não haverá necessidade de afastar os jovens dos aparelhos, dos softs e dos aplicativos, mas de ensinar a usá-los de forma produtiva, criativa e consciente.
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sexta-feira, 27 de março de 2026
MENSAGEM - MENTIRA OU VERDADE?

sexta-feira, 20 de março de 2026
SOBRE OS GOLPES E AS FRAUDES DO DIA A DIA
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quinta-feira, 12 de março de 2026
A INSUBORDINAÇÃO DO CANTAR E DO BRINCAR
Roberto
Gameiro
Eduardo
Galeano (1940 -2015), jornalista e escritor uruguaio, escreveu no seu livro “O
livro dos abraços” (1): "Na parede de um botequim de Madrid, um cartaz
avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso
informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: ainda
existe gente que canta, ainda existe gente que brinca."
Aí
está uma perspicaz observação sobre o comportamento humano e sua reação contra
a rigidez institucional.
Ninguém
colocaria uma placa num espaço público ou privado com os dizeres: “É proibido
caminhar a 100 km por hora nestas dependências”. Isso porque essa ação não é
realizável por um ser humano.
Mas
“cantar” e “brincar” são atitudes e reações naturais dos indivíduos em relação
ao meio social em que vivem.
No
botequim, o cartaz pretende proibir o canto em favor do silêncio, porque o
vinho e demais bebidas “convidam” os comensais a cantar, contagiando a todos os
presentes (ou incomodando muitos).
No
aeroporto, o aviso proíbe brincar com os carrinhos de bagagem, para garantir o
trânsito livre e seguro dos viajantes, porque crianças, pela sua natureza
lúdica, e adultos aborrecidos e agastados, talvez pelo tempo de espera, veem
nos carrinhos uma oportunidade de divertimento e distração.
Nas
duas situações, e em “n” outras equivalentes, trata-se de um embate entre o
caráter “institucional” dos ambientes e a essência humana pulsante que busca o
afeto, a celebração e a brincadeira.
Estão
errados o botequim e o aeroporto ao proibir essas situações?
Sob
o meu olhar, não.
Cada
instituição tem o dever de preservar o bem-estar dos seus usuários em acordo
com suas finalidades estatutárias. Aí, cada uma é uma, ou seja, cada caso tem
suas particularidades e precisa ser avaliado separadamente.
Mas,
o que de mais relevante a frase destacada traz, é a informação de que “ainda
existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.".
Cantar
e brincar constituem chamadas à esperança. Na medida em que num mundo cheio de
violência, corrupção, guerras e marcado pela falsidade, crises e cinismo, ainda
houver pessoas brincando e cantando, esse mundo ainda tem salvação.
Gonzaguinha,
na sua canção: "O Que É, O Que É?", nos traz essa esperança:
"Viver
e não ter a vergonha de ser feliz / Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um
eterno aprendiz."
Ainda.
REFERÊNCIA
(1)
GALEANO,
Eduardo. O livro dos abraços. Tradução de Eric Nepomuceno. Porto Alegre:
L&PM, 1991.
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sexta-feira, 6 de março de 2026
A COMPLEXIDADE DA MENTE - O DIRECIONAMENTO ÉTICO DO SABER
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
MENSAGEM - AINDA O PLEONASMO!
MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
FUJA DOS TEIMOSOS!
Valesca Botelho (1)
Charles Bukowski (1920-1994), poeta, contista e romancista teuto-americano, escreveu:
“O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas ...”
Antes dele, Bertrand Russell (1872-1970), matemático, filósofo, ensaísta, historiador e lógico britânico, escreveu:
"O fundamental problema do mundo é que os idiotas são prepotentes e os inteligentes são cheios de dúvidas."
Duas frases com mesmo valor semântico. Dois pensadores relevantes.
Essa mensagem cabe como uma luva atualmente, em que pessoas com pouco conhecimento a respeito de um tema específico acreditam piamente que sabem mais do que especialistas no assunto, enquanto estes estão cheios de dúvidas.
Você conhece alguém assim?
Não é difícil de achar. Eles estão por aí “aos montes”.
O fato é que indivíduos cheios de certezas param de aprender; bloqueiam-se para novos aprendizados. São afoitos, “falam grosso” e interrompem argumentações. Não ouvem o outro. Já sabem tudo!
Indivíduos inteligentes sabem que não são “donos da verdade” e aprendem com os resultados obtidos com suas dúvidas, sejam eles quais forem. Sabem ouvir. Quanto mais você aprofunda os conhecimentos, mais percebe a complexidade das variáveis. Isso não é fraqueza; é honestidade intelectual.
Chega-se, então, a um dilema. Deve-se discutir com burros?
A resposta, óbvia, é “não”.
Poupe a sua saúde mental, a sua sanidade. Quando você tenta convencer com argumentos um “burro” (no sentido da teimosia e da ausência de reflexão sobre si mesmo), você acaba descendo ao nível “intelectual” dele, e, nesse nível, ele é um expert, e você não. Ele dificilmente (e põe difícil nisso) mudará de opinião, porque, para ele isso seria uma derrota social, e não um saber agregador.
Discutir, nesse caso, é uma armadilha em que você, invariavelmente, será o perdedor.
É uma situação que enfrentamos, uma hora ou outra, queiramos ou não, que se torna até cansativa no dia a dia.
Fuja deles!
REFERÊNCIA
(1) Valesca Botelho é Médica, pós-graduada em Pediatria e em Saúde Pública.
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