(Leia também) (Siga-me) (Compartilhe!)
O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO - Para debates em família e na escola - Roberto Gameiro
sexta-feira, 20 de março de 2026
SOBRE OS GOLPES E AS FRAUDES DO DIA A DIA
quinta-feira, 12 de março de 2026
A INSUBORDINAÇÃO DO CANTAR E DO BRINCAR
Roberto
Gameiro
Eduardo
Galeano (1940 -2015), jornalista e escritor uruguaio, escreveu no seu livro “O
livro dos abraços” (1): "Na parede de um botequim de Madrid, um cartaz
avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso
informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: ainda
existe gente que canta, ainda existe gente que brinca."
Aí
está uma perspicaz observação sobre o comportamento humano e sua reação contra
a rigidez institucional.
Ninguém
colocaria uma placa num espaço público ou privado com os dizeres: “É proibido
caminhar a 100 km por hora nestas dependências”. Isso porque essa ação não é
realizável por um ser humano.
Mas
“cantar” e “brincar” são atitudes e reações naturais dos indivíduos em relação
ao meio social em que vivem.
No
botequim, o cartaz pretende proibir o canto em favor do silêncio, porque o
vinho e demais bebidas “convidam” os comensais a cantar, contagiando a todos os
presentes (ou incomodando muitos).
No
aeroporto, o aviso proíbe brincar com os carrinhos de bagagem, para garantir o
trânsito livre e seguro dos viajantes, porque crianças, pela sua natureza
lúdica, e adultos aborrecidos e agastados, talvez pelo tempo de espera, veem
nos carrinhos uma oportunidade de divertimento e distração.
Nas
duas situações, e em “n” outras equivalentes, trata-se de um embate entre o
caráter “institucional” dos ambientes e a essência humana pulsante que busca o
afeto, a celebração e a brincadeira.
Estão
errados o botequim e o aeroporto ao proibir essas situações?
Sob
o meu olhar, não.
Cada
instituição tem o dever de preservar o bem-estar dos seus usuários em acordo
com suas finalidades estatutárias. Aí, cada uma é uma, ou seja, cada caso tem
suas particularidades e precisa ser avaliado separadamente.
Mas,
o que de mais relevante a frase destacada traz, é a informação de que “ainda
existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.".
Cantar
e brincar constituem chamadas à esperança. Na medida em que num mundo cheio de
violência, corrupção, guerras e marcado pela falsidade, crises e cinismo, ainda
houver pessoas brincando e cantando, esse mundo ainda tem salvação.
Gonzaguinha,
na sua canção: "O Que É, O Que É?", nos traz essa esperança:
"Viver
e não ter a vergonha de ser feliz / Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um
eterno aprendiz."
Ainda.
REFERÊNCIA
(1)
GALEANO,
Eduardo. O livro dos abraços. Tradução de Eric Nepomuceno. Porto Alegre:
L&PM, 1991.
(Leia também) (Siga-me) (Compartilhe!)
sexta-feira, 6 de março de 2026
A COMPLEXIDADE DA MENTE - O DIRECIONAMENTO ÉTICO DO SABER
(Leia também) (Siga-me) (Compartilhe!)
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
MENSAGEM - AINDA O PLEONASMO!
MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO
LEIA TB O ARTIGO COMPLETO: CLIQUE AQUI
SIGA-ME COMPARTILHE!
TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
FUJA DOS TEIMOSOS!
Valesca Botelho (1)
Charles Bukowski (1920-1994), poeta, contista e romancista teuto-americano, escreveu:
“O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas ...”
Antes dele, Bertrand Russell (1872-1970), matemático, filósofo, ensaísta, historiador e lógico britânico, escreveu:
"O fundamental problema do mundo é que os idiotas são prepotentes e os inteligentes são cheios de dúvidas."
Duas frases com mesmo valor semântico. Dois pensadores relevantes.
Essa mensagem cabe como uma luva atualmente, em que pessoas com pouco conhecimento a respeito de um tema específico acreditam piamente que sabem mais do que especialistas no assunto, enquanto estes estão cheios de dúvidas.
Você conhece alguém assim?
Não é difícil de achar. Eles estão por aí “aos montes”.
O fato é que indivíduos cheios de certezas param de aprender; bloqueiam-se para novos aprendizados. São afoitos, “falam grosso” e interrompem argumentações. Não ouvem o outro. Já sabem tudo!
Indivíduos inteligentes sabem que não são “donos da verdade” e aprendem com os resultados obtidos com suas dúvidas, sejam eles quais forem. Sabem ouvir. Quanto mais você aprofunda os conhecimentos, mais percebe a complexidade das variáveis. Isso não é fraqueza; é honestidade intelectual.
Chega-se, então, a um dilema. Deve-se discutir com burros?
A resposta, óbvia, é “não”.
Poupe a sua saúde mental, a sua sanidade. Quando você tenta convencer com argumentos um “burro” (no sentido da teimosia e da ausência de reflexão sobre si mesmo), você acaba descendo ao nível “intelectual” dele, e, nesse nível, ele é um expert, e você não. Ele dificilmente (e põe difícil nisso) mudará de opinião, porque, para ele isso seria uma derrota social, e não um saber agregador.
Discutir, nesse caso, é uma armadilha em que você, invariavelmente, será o perdedor.
É uma situação que enfrentamos, uma hora ou outra, queiramos ou não, que se torna até cansativa no dia a dia.
Fuja deles!
REFERÊNCIA
(1) Valesca Botelho é Médica, pós-graduada em Pediatria e em Saúde Pública.
(Leia também) (Siga-me) (Compartilhe!)
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
MENSAGEM - A PRECIPITAÇÃO NA TOMADA DE DECISÕES
MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO
LEIA TB O ARTIGO COMPLETO: CLIQUE AQUI
SIGA-ME COMPARTILHE!
TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
A COMUNICAÇÃO VERBAL E A SUBJETIVIDADE HUMANA
Roberto Gameiro
“Existem momentos na vida, em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis e, por mais que a gente pense numa forma de empregá-las, elas parecem não servir. Então a gente não diz, apenas sente.” (autoria desconhecida)
Certa vez, ouvi de uma pessoa muito querida algo mais ou menos assim: “quando eu estiver triste, introspectiva ou chorando, não tente me consolar; apenas fique ao meu lado com sua presença.”
As palavras têm um limite após o qual são indizíveis. Isso acontece quando das experiências mais profundas do ser humano. Nesses momentos, a falta de palavras não é ausência de comunicação, mas uma forma muito superior a ela. Nessas situações, a gramática e o vocabulário falham e o sentimento impera.
Você já tentou descrever com palavras uma situação de luto? Ou uma situação de extrema alegria? A experiência vivida é sempre mais precisa e imediata do que qualquer descrição que se tente fazer dela.
Dessa forma, no luto, especialmente, mais vale um abraço carinhoso e fraterno do que qualquer frase tipo “meus pêsames”.
Também no amor, o olhar terno, sincero e de total confiança, não precisa de palavras para externar pensamentos e sentimentos.
Para que uma frase, ou palavra, seja significante, é preciso que ambos, emissor e receptor, estejam na mesma sintonia emocional. Em momentos de profunda emoção, qualquer fala bonita tem menos expressão do que um aperto de mão, um abraço, ou a presença ao lado do outro. O corpo e o olhar transmitem o que as palavras não conseguem, através de gestos, posturas e contato visual.
Em uma sociedade repleta de mensagens de texto, de áudios e emojis, há que se lembrar que a presença física e a vulnerabilidade são insubstituíveis; as palavras transmitem a informação e explicam o mundo, mas o sentimento é transmitido e acolhido apenas pelo corpo.
Clarice Lispector afirma, na sua obra "A Paixão Segundo G.H”, que “o que realmente se vive é o que não se pode dizer”. (1)
REFERÊNCIA
(1) LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1964.
(Leia também) (Siga-me) (Compartilhe!)
sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
MENSAGEM - O EXERCÍCIO PROFISSIONAL E A RESILIÊNCIA
LEIA TB O ARTIGO COMPLETO: CLIQUE AQUI
SIGA-ME COMPARTILHE!
TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES
sábado, 17 de janeiro de 2026
SER HUMANO: ENTRE A ESSÊNCIA E A FALSIFICAÇÃO
Roberto Gameiro
Nelson Rodrigues escreveu: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser um tigre eternamente. Um leão há de preservar, até morrer, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo.”. (1)
O texto acima, abaixo referendado, foi publicado em Jornal, entre dezembro de 1967 e junho de 1968; e notem a atualidade do seu significado e contexto.
O título deste artigo nos remete a uma reflexão acerca do caminho que está tomando a humanidade neste momento histórico.
O ser humano foi criado com o dom do “livre-arbítrio”; com essa vantagem, diferentemente da fauna, o homem pode assumir mentiras e construir personagens sob as quais esconde a sua face verdadeira.
Dessa forma, o indivíduo abdica de sua autenticidade e se desumaniza, tornando-se uma falsificação de si mesmo, negando a sua natureza racional. A desumanização é consequência do somatório de pequenas falsificações que destroem o que temos de mais vital.
Essa desumanização é contagiosa em relação ao ambiente em que se convive; e a consequência disso é a falsificação do mundo, que deixa de ser real, tornando-se um organismo artificial, no qual as pessoas perdem a sua identidade e até a sua dignidade. Uma pessoa que não é verdadeira consigo mesma não enxerga com clareza o mundo que a cerca, e projeta sobre ele bases falsas que, cumulativas, podem trazer consequências danosas à humanidade.
Daí em diante, as pessoas, contagiadas, ficam feito “baratas tontas”, procurando suas identidades, sem saber se seus princípios e valores ainda são significativos ou não, o que é verdade ou não, e em que acreditar. Uma verdadeira crise de identidades.
Portanto, a liberdade humana, o dom do “livre-arbítrio, pode trazer consequências boas e ruins, pois somos os únicos que podem escolher o que ser, mas, igualmente, os únicos que podem trair essa escolha. Estamos expostos a riscos consideráveis de perder nossa própria identidade devido à influência de informações enganosas.
Que bom seria se, como a fauna, fossemos seres de “essência plena”, em que o ser e o agir coincidem de forma absoluta.
Ser de verdade é trabalhoso e exige coragem e determinação, mas é a única forma de impedir que nossa autenticidade se afogue no meio de tanta falsificação.
Mas há esperança. O mundo tem mais gente do bem do que do mal.
Façamos a nossa parte.
REFERÊNCIA
(1) RODRIGUES, Nelson, 1912-1980. O óbvio ululante: as primeiras confissões / de Nelson Rodrigues. Rio de janeiro: Agir, 2007.
(Leia também) (Siga-me) (Compartilhe!)
















