Roberto Gameiro
G. Michael Hopf, escritor e empresário editorial norte-americano, escreveu no seu livro de 2016 “Those who remain” (Aqueles que permanecem), a frase:
"Tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos bons, tempos bons criam homens fracos, homens fracos criam tempos difíceis".
Trata-se de um aforismo, um gênero textual que se apresenta com uma frase curta, concisa, de caráter pessoal e com uma ideia impactante. Não é um provérbio.
O texto pode ser analisado sob a forma da figura de linguagem “concatenação” que é quando o final de uma frase é repetido logo no início da frase seguinte, criando uma corrente que faz o texto parecer não ter fim.
Embora a frase seja muito citada e elogiada por uns, especialmente em palestras sobre liderança e comportamento humano, ela é alvo de críticas por resumir aspectos sociológicos complexos demais de forma determinista.
É aqui, no determinismo da frase, que a análise pode ser mais aprofundada, pois ela trata a trajetória humana como um círculo fechado e fatalista, sem levar em conta que as sociedades se desenvolvem por fatores como crescimento econômico, clima, educação, a acumulação de direitos e, atualmente, especialmente em tecnologia e a inovação dela decorrente, e não apenas por “fraqueza moral ou militar”.
Ou seja, o saber humano não é alcançado apenas pela dor, mas sobretudo através do avanço tecnológico, de uma educação de qualidade, do fortalecimento das instituições, do crescimento econômico sustentável e da cooperação cultural e social; e de muita perseverança e resiliência.
Afinal, se o sofrimento nos ensina a sobreviver, é a busca consciente pelo conhecimento e pelo bem comum que nos ensina a evoluir.
Mas, ainda para pôr um “salzinho neste tempero”, transcrevo uma mensagem de autor desconhecido que encontrei na Internet: “Se você acha que homens durões são perigosos, espere até ver o que homens fracos podem fazer.”.
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