segunda-feira, 10 de junho de 2019

HUMANO, SOCIAL E SINGULAR


Roberto Gameiro

Bernard Charlot escreveu que um aluno é também, e primeiramente, uma criança ou um adolescente, isto é, um sujeito, que é um ser humano, social e singular (Da relação com o saber, 2000).
Como ser humano, espera-se que construa uma personalidade que o leve à autonomia, ao discernimento e, especialmente, à responsabilidade. 
Como ser social, espera-se que aprenda a viver com os outros, compreendendo-os, somando e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida de todos. 
Como ser singular, espera-se que aprenda a conhecer, utilizando-se das informações para construir conhecimentos e competências que lhe permitam movimentar-se pelas inúmeras possibilidades de fazeres que a vida lhe proporcionará (veja Relatório Delors-Unesco, 1999)
Para construir-se como ser humano, social e singular, o sujeito depende fundamentalmente da convivência. É no “estar e conviver com os outros” que o indivíduo se torna “pessoa” com as inerentes racionalidade, consciência de si, capacidade de agir e discernimento de valores (Dicionário Aurélio Século XXI).
Consequentemente, espera-se que o processo de educação da criança e do adolescente proporcione as condições necessárias para que essa formação se dê a contento e plenamente.
Entretanto, a nossa sociedade não está conseguindo ser competente o suficiente para dar esse suporte, e isso se dá, por razões diferentes, em quase todos os segmentos sociais, com raras exceções.
A Constituição do Brasil preconiza, no seu artigo 205, que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, e será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade; portanto, no ambiente macro, o dever é do Estado, e, no ambiente micro, a responsabilidade pela educação dos filhos é da família.
Ocorre que, por razões também diversas, muitas famílias estão “terceirizando” a educação dos filhos para a escola, a qual deveria estar agindo apenas como agente complementar. E isso não é de hoje. E não tem dado certo.
Aí está um dos desafios que temos de enfrentar para resolver, mesmo que a longo prazo, as mazelas que assolam o país. E, como já fizeram muitos países que hoje despontam como referência em qualidade de vida da população, isso se dará pelo aprimoramento do processo de educação das crianças e dos jovens, em casa e na escola, o que resultará, com certeza, em menos violência urbana, menos corrupção e mais solidariedade e amorosidade nas relações sociais.
Artigo editado e publicado no jornal “O Popular” de Goiânia em 18/07/17. Republicado em 10/06/19.


SE VOCÊ GOSTOU DESTE ARTIGO, veja outros posts de Roberto Gameiro em: http://www.textocontextopretexto.com.br


Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor na área de “Gestão de escolas de Educação Básica”. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br


Conheça o PORTFÓLIO de Roberto Gameiro:


Share:

terça-feira, 28 de maio de 2019

O DESEMPREGO E AS MUDANÇAS


Roberto Gameiro
O Brasil tem hoje, segundo o IBGE, 13,4 milhões de pessoas sem ocupação. Esse número equivale a mais do que toda a população da cidade de São Paulo, ou ao somatório das populações das cidades do Rio de Janeiro, Salvador, Brasília e Curitiba.

Ainda de acordo com o IBGE, a população ocupada (91,9 milhões) caiu -0,9% (menos 873 mil pessoas) em relação ao trimestre de outubro a dezembro de 2018.

 
É um momento muito difícil por que passa o mercado de trabalho no país, ocasionando, cada vez mais, dificuldades para acesso e ou recolocação. Não é fácil definir quais faixas etárias têm sido mais atingidas por essa verdadeira “hecatombe” empregatícia.
Os jovens, que já tinham o obstáculo da falta de experiência para acessar o primeiro emprego, e não tinham experiência por que não conseguiam o emprego, agora se juntam aos mais velhos, dispensados, que buscam recolocar-se aceitando novas funções e salários menores.
Difícil encontrar uma família que não tenha pelo menos um membro desempregado.
Esse fenômeno ocasiona mudanças que, como bolas de neve, vão mudando hábitos e posturas em todos os segmentos da atividade humana no país.
Haja mudança!
Segundo o “Institute for the future”, cerca de 85% dos empregos em 2030 ainda não foram inventados: o ritmo da mudança será tão rápido que as pessoas aprenderão momento a momento usando novas tecnologias, como a realidade aumentada e a realidade virtual, e, ainda, que a capacidade de obter novos conhecimentos será mais valiosa do que o próprio conhecimento.
Como se vê, além dos desafios inerentes à recuperação econômica para regressão do percentual de desemprego, há que se adicionar o desafio da adequação do mercado de trabalho às inovações tecnológicas e à consequente nova configuração das profissões.
Essa (nova) realidade, que inclui o incremento de iniciativas empreendedoras como forma de atividade profissional, traz novos contornos ao processo de formação dos nossos filhos. As demandas, agora, são outras. Fiquemos atentos.
Como dizia Heráclito lá pelo ano 500 aC, “nada é permanente, exceto a mudança”.
Publicado no jornal “O Popular” de Goiânia em 29/08/2017. Atualizado no blogue em 28/05/19.


SE VOCÊ GOSTOU DESTE ARTIGO, veja outros posts de Roberto Gameiro em: http://www.textocontextopretexto.com.br


Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor na área de “Gestão de escolas de Educação Básica”. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br.


Conheça o PORTFÓLIO de Roberto Gameiro:

Share:

segunda-feira, 13 de maio de 2019

TEMPO DE TRAVESSIA



Roberto Gameiro

Você já percebeu que as crianças e adolescentes, nossos filhos e alunos, nos desafiam o tempo todo a sair de uma pretensa e possível zona de conforto na qual estávamos acomodados e seguros?

Você, pai ou mãe, percebeu que o nascimento do primeiro filho delineia um antes e um depois familiar e pessoal, e que muitos dos nossos planos têm início após essa data, tendo como referência e parâmetro a vida daquele “serzinho” amado com que fomos premiados?

Opção em áudio no YouTube para pessoas com deficiência, ou para sua comodidade: clique aqui

Fernando Teixeira de Andrade (1946-2008) escreveu certa vez: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.”.

Toda travessia supõe uma posição de saída e outra de chegada, intermediadas por múltiplas posições durante o percurso.

A vida é uma constante travessia. Fazemo-la às vezes sozinhos e na maioria das vezes, felizmente, acompanhados.

A família é a melhor acompanhante para a travessia. Ela nos traz a segurança de um porto seguro ao qual sempre podemos voltar, nem que seja apenas para recarregar as forças numa posição de percurso.

Os pais, os irmãos, a esposa, o marido, os amigos mais chegados constituem, conosco, a “tripulação” dessa “nave” que conduzimos e que conduz os nossos destinos, o nosso sentido de vida.

Entretanto, o homem e a mulher modernos, apesar de tantos meios de comunicação disponíveis, ainda vivem solitários mesmo que acompanhados. E procuram incansavelmente algo que os complete.  

O mesmo Fernando Teixeira de Andrade nos socorre com a afirmação: “Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um.”.

Lembremo-nos da afirmação que se atribui a Confúcio: “Você tem duas vidas. A segunda começa quando você percebe que só tem uma.”.

Não fique à margem da sua própria existência. Não seja coadjuvante de si mesmo. Seja protagonista da sua travessia.

Artigo editado e publicado no jornal "O Popular" de Goiânia em 07/05/19.

SE VOCÊ GOSTOU DESTE ARTIGO, veja outros posts de Roberto Gameiro em: http://www.textocontextopretexto.com.br.


Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor nas áreas de “Gestão de escolas de Educação Básica” e “Educação de crianças e adolescentes”. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br.

Conheça o PORTFÓLIO de Roberto Gameiro:


Share:

segunda-feira, 29 de abril de 2019

COMO EU ME VEJO E VOCÊ ME VÊ

Rosto, Cabeça, Perfil, Perfil, Perfil


Roberto Gameiro

É de Clarice Lispector (1920-1977), escritora e jornalista ucraniana naturalizada brasileira, a afirmação: “Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar”.

Cada um de nós tem uma imagem de si próprio, fruto das vivências e do concerto formado pelas características da personalidade e do caráter.

Opção em áudio no YouTube para pessoas com deficiência, ou para sua comodidade: clique aqui

Nem sempre a forma como nós nos vemos coincide com a forma como os outros nos veem. Essa relação não necessariamente coincidente tem a ver com os valores que direcionam os olhares do emissor e do receptor, o que significa que não se pode afirmar que uma das visões é mais correta do que a outra.

Nesse contexto, o escritor e conferencista Paulo Vieira complementa: “A maneira como você se vê determina suas escolhas, ações, reações e, sobretudo, os resultados que tem e terá na vida”, e que “Nossas crenças sobre nós mesmos influenciam todas as nossas escolhas mais significativas e importantes, direcionando todas as nossas decisões e, portanto, determinando a vida que levamos.”.

Isso ocorre de maneira especial com as crianças e adolescentes que, por não terem ainda as conexões cerebrais suficientemente amadurecidas, apresentam tendências de copiar comportamentos sem passá-los pelo filtro da razão, o que atrapalha o discernimento da forma como se veem e se sujeitam a aceitar facilmente a forma como os outros os veem.

Leve-se em conta, também, quem nos vê e, como escreve Clarice Lispector, quando e como nos vê. Dependendo do quem, onde, como e quando nos veem, poderemos ser valorizados positivamente ou negativamente. Procuremos, portanto, sempre que possível, estar nos lugares certos, nos momentos certos e com as pessoas certas, não nos sujeitando a sermos “avaliados” por pessoas erradas e inadequadas.

Carl Rogers (1902-1987), fundador da psicologia humanista, afirmou: “Todo ser humano, sem exceção, pelo mero fato do ser, é digno do respeito incondicional dos demais e de si mesmo; merece estimar-se a si mesmo e que se lhe estime.”.

Cuidemos da nossa autoestima.

Artigo editado e publicado no jornal "O Popular" de Goiânia em 16/04/2019.

SE VOCÊ GOSTOU DESTE ARTIGO, veja outros posts de Roberto Gameiro em: http://www.textocontextopretexto.com.br.

Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor nas áreas de “Gestão de escolas de Educação Básica” e “Educação de crianças e adolescentes”. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br.

Conheça o PORTFÓLIO de Roberto Gameiro:



Share:

segunda-feira, 15 de abril de 2019

AS COMPETÊNCIAS NECESSÁRIAS: O DESAFIO DO ENSINO

Inovação, Acho Que, Novo, Idéia


Roberto Gameiro

Competência é a capacidade de o indivíduo movimentar recursos para abordar/resolver uma situação complexa. Entre as competências que um processo de ensino e aprendizagem deve desenvolver nos estudantes, a “memorização” é a mais simples delas. Embora seja a mais simples, ela é a base que sustenta todo o arcabouço posterior que o indivíduo deve adquirir para resolver situações mais complexas.

A memorização, também denominada como fase de “conhecimento”, constitui-se na evocação de informações arquivadas ou armazenadas na memória. É como se fosse, num primeiro momento, uma memória RAM, que, transferida para o disco rígido, passa a ser base de processamentos mais apurados e complicados. Sem ela, seria como tentar construir uma casa sem o alicerce.

Por óbvio, e desculpem-me a simplicidade da comparação, nenhum engenheiro vai considerar terminada uma obra com apenas o alicerce construído. Há muito, ainda, a ser feito até que a edificação possa ser considerada concluída, sólida, pronta, satisfatória e adequada para o uso a que se destina.

Analogamente, nenhum processo de aprendizagem pode se considerado satisfatório sem que os estudantes tenham adquirido, além da memorização, também as capacidades de compreensão do que foi memorizado, de aplicação do que foi compreendido, de análise e síntese do que foi memorizado, compreendido e aplicado, e, especialmente, sem que os alunos estejam preparados para fazer julgamento crítico sobre o que foi memorizado, compreendido, aplicado, analisado e sintetizado. Esse é o ciclo completo do apaixonante concerto do aprendizado.

As competências aqui relatadas, memorização (ou conhecimento), compreensão, aplicação, análise, síntese e julgamento (ou avaliação), são as propostas por Benjamin Bloom (e outros) na sua “Taxionomia de objetivos educacionais – domínio cognitivo” lá no longínquo ano de 1956 (a primeira edição do livro no Brasil data de 1972). Hoje, fala-se em competências “básicas”, “operacionais” e “globais”, que, no fundo, podem ser classificadas como mais abrangentes, mas equivalentes às de Bloom. É comum fazer-se a analogia, a correspondência, de umas com as outras, tendo as primeiras como referência para facilitar a compreensão.

Se você quiser saber de que forma e com que profundidade um professor está desenvolvendo o processo de aprendizagem com os alunos, você não precisa necessariamente assistir às suas aulas. Basta analisar as questões inseridas nos seus instrumentos de avaliação. Ali, descobre-se se o docente está na superficialidade da mensuração apenas das competências mais simples, ou se chega a enfocar situações mais complexas, como as chamadas competências “globais”. A prova é um retrato da metodologia e da práxis docente.

A prática tem demonstrado que num grande número de escolas brasileiras a metodologia adotada não tem conseguido fazer com que os estudantes adquiram competências mais exigentes, mormente as de “síntese” e “julgamento”, ou “globais”.

Nos resultados do “Programa Internacional de Avaliação de Estudantes” (PISA), coordenado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), e, no Brasil, pelo INEP, ocupamos, desde há muito, posição vexatória no ranking dos países avaliados. Entre as principais fragilidades dos estudantes brasileiros, está o fato de que eles geralmente só “vão bem” nas questões que mensuram capacidades mais rasas, ou, melhor explicando, as “decorebas”. Isso é sintomático, está assim diagnosticado há muitos anos, mas continuamos na mesma.

Somos um sistema de formação escolar que tem se contentado apenas com pouco mais do que o “alicerce”.

 Aí está o (grande) desafio ainda a ser enfrentado.

SE VOCÊ GOSTOU DESTE ARTIGO, veja outros posts de Roberto Gameiro em: http://www.textocontextopretexto.com.br.

 Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor nas áreas de “Gestão de escolas de Educação Básica” e “Educação de crianças e adolescentes”. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br.

Conheça o PORTFÓLIO de Roberto Gameiro:


Share:

TRADUZA - TRANSLATE

PESQUISE NESTE BLOGUE

Adquira já o livro digital!

Adquira já o livro digital!
O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO: PARA LEITURA E DEBATE EM FAMÍLIA - COM OS FILHOS

Reprodução

Autorizada, desde que com a citação dos nomes do Blogue e do Autor.

SEGUIR POR E-MAIL

Busca na Wikipedia. Digite o assunto.

Resultados da pesquisa