Roberto Gameiro
O comentarista esportivo, no alto da sua “competência profissional”, afirmava que, naquele jogo de futebol, o time “A” tinha 100% de chance de ganhar; mas, futebol é uma caixinha de surpresas, e o time “B” poderia surpreender e vencer; além disso, não se poderia desprezar a possibilidade de um empate!
Falou e não disse.
Isso porque quem fala, apenas conversa ou aborda um assunto. Já quem diz, passa uma informação direta, clara e com um objetivo definido. O verbo "dizer" serve para afirmar algo com certeza — e no texto analisado não há nenhuma afirmação direta, conclusiva ou assertiva.
Essa situação se resume, sob o meu olhar, em um verbo pouco usado: tergiversar — recorrer a rodeios, evasivas e subterfúgios; em suma, fazer “conversa mole”, ou “conversa pra boi dormir”.
Essa estratégia, sob o olhar da semântica, esvazia o significado das palavras, transformando a comunicação num simples “ruído” que não agrega qualquer valor ou conhecimento ao interlocutor.
Lembra os discursos do personagem “Deputado João Plenário” do humorístico da TV.
Rss.
Nos relacionamentos humanos, apenas “falar” em detrimento de “dizer”, consome pouco a pouco a confiança mútua necessária para constituir a verdade com assertividade e empatia; ao contrário, quando ocorre a guinada em favor da clareza, os vínculos são fortalecidos e se constrói uma confiança consistente com a honestidade e a transparência.
A clareza e a franqueza tornam os relacionamentos mais leves e suportáveis, ainda que incômodos. O peso de uma conversa não dita é infinitamente maior do que o incômodo de uma verdade dita com respeito.
É como a mentira. Uma mentira, depois de propalada, precisará de “n” novas mentiras para se suportar.
Você já viveu uma situação assim?
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