quarta-feira, 11 de julho de 2018

ESCOLA, LOCAL DE PAZ

Braço Amigo Amizade Gesto Saudação Mão Mem

Roberto Gameiro

A cena grotesca se desenrolava à vista de todos, menos das crianças, que ainda não haviam saído das salas. As duas mães, agarradas uma à outra, estapeavam-se, com xingamentos e ameaças. As pessoas presentes, estupefatas, não conseguiam acreditar no que viam. Não demorou muito para que as outras mães e educadoras interviessem, separando uma da outra.

O fato, inédito e único, aconteceu no pátio da escola no momento em que os pais entram para buscar seus filhos no final das aulas.

O que leva duas jovens senhoras, mães devotadas, de classe média alta, normalmente bem-educadas e postadas, a se engalfinhar para resolver problemas de relacionamento entre os filhos, crianças com menos de seis anos de idade?

Crianças que nos dias seguintes estavam alheias à animosidade entre as respectivas mães, só não sendo totalmente tranquila a relação, menos pelo problema que levou à desavença, mais pelas recomendações maternas de distanciamento.

Como deveria agir a professora no relacionamento com as mães e com as crianças, após o acontecido, mantendo o equilíbrio que levasse todas as partes à paz?

O caso foi parar na polícia. E lá prosseguiu com desfecho que desconheço.

Mas, e na escola? Que providências a direção deveria tomar em relação a esse caso?

Direção de escola não é polícia, muito menos juiz. Escola é local de paz e de formação, inclusive para os pais em situações extremas como essa. Coube, então, aproximar as partes para buscar a pacificação e o relacionamento entre as duas pelo menos tolerável, preservando as crianças: isso aconteceu após a mediação.

À época, as redes sociais, como as conhecemos hoje, ainda engatinhavam. Imaginem se fosse hoje; talvez alguém tivesse gravado em vídeo a cena esdrúxula e divulgado na Internet.

A natureza humana é um mistério.

Artigo publicado no jornal "O Popular" de Goiânia em 10/07/18.


Roberto Gameiro é palestrante e presta assessoria nas áreas de “Gestão Escolar” e “Educação de crianças e adolescentes”.
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3 comentários:

  1. Infelizmente são estes mesmos pais que não aceitam que os educadores chamem ou corrijam seus filhos.

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Sobre Roberto Gameiro

Sobre Roberto Gameiro
Pedagogo habilitado em Administração e Supervisão Escolar, Licenciado em Letras Modernas Português-Inglês, Pós-graduado com Especialização em Avaliação Institucional Escolar, e Mestre em Administração com ênfase em Gestão Estratégica de Organizações, Marketing e Competitividade. Diretor de escolas de Educação Básica, Professor universitário e de Educação Básica, e Diretor de Obras Sociais. É palestrante e tem seus artigos publicados em jornais, revistas e redes sociais.

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