O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO - Para debates em família e na escola - Roberto Gameiro

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

O PREÇO DA AUSÊNCIA DE LIMITES


Roberto Gameiro


Ao longo dos mais de dez anos de existência deste blogue, já publiquei vários artigos a respeito dessa temática. 


Entretanto, o assunto continua em pauta crescente nas mídias e redes sociais, nos noticiários impressos, radiofônicos e televisuais, bem como nas famílias, nas escolas e nas igrejas. Inclusive nos assuntos policiais.


Uff!


Educar um filho para o bem é um dos maiores desafios que um indivíduo pode ter na vida; e uma das missões mais gratificantes, especialmente quando a criança cresce não apenas em estatura, mas também em sabedoria (Lucas 2,52).


No entanto, muitos pais não têm a sabedoria que possibilita a construção da sabedoria nos filhos; pais que sabem, de sobejo, exigir seus direitos em relação à escola, à sociedade e às “necessidades” de seus filhos, mas falham, fragorosamente, no cumprimento recíproco de seus deveres, especialmente no que se refere à colocação de limites e exemplos de coerência relacional social, espiritual e de cidadania nas suas crianças e adolescentes.
  

A propósito, antigamente, os diretores e coordenadores nas escolas dedicavam seu tempo a auxiliar os professores no cumprimento dos planos pedagógicos, e, aos alunos, nas suas dificuldades de aprendizado e de relacionamento. Hoje, esse tempo está cada vez mais restrito, pois os gestores passam a maior parte do tempo “educando” determinados pais em relação a seus deveres e direitos. Isso, sem falar no que acontece em alguns grupos de pais no WhatsApp.
 

Para um bom entendedor, meia palavra basta.


Trata-se de uma inversão de valores inconcebível, salvo a existência (salvadora), também, de famílias participativas, colaborativas e compreensivas. 


Ainda bem. 


Os filhos precisam ser educados e formados para enfrentar os desafios que a vida fatalmente lhes apresentará; para isso, precisam ter caráter e personalidade bem formados, baseados em princípios e valores saudáveis aprendidos em família. A colocação de limites de comportamento é fundamental nesse concerto formacional.


Crianças e adolescentes que crescem sem aprender limites, passam a achar que podem tudo e que todos estão à sua mercê, o que determina suas posturas e ações nas atividades sociais e profissionais, com baixa tolerância à frustração, dificuldades com responsabilidades, insegurança e ansiedade, e narcisismo e egocentrismo, entre outras características nefastas.


É responsabilidade dos pais educar os filhos para a moral e a ética, o que implica a necessidade de regras de conduta, as quais podem não ser do agrado deles naquele momento da vida, mas que, com certeza, agradecerão no futuro e as adotarão para seus filhos.


É alto o preço que indivíduos que tiveram ausência de limites quando jovens, terão de pagar na maturidade. A fatura é alta!


Colidirão com a falta de limites do mundo externo, o que gerará um choque de realidade que poderá ser paralisante e exigirá todo um processo de reeducação individual, ou através da ajuda de profissionais, para “construir” as competências e habilidades internas que deveriam ter sido cultivadas na convivência familiar, inclusive as emocionais.

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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional  e em Design Instrucional. 


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quinta-feira, 25 de junho de 2026

MENSAGEM - SENDO VOCÊ MESMO


               MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO
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         TEXTO PARA VERSÕES EM OUTRAS LÍNGUAS
         TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES 

Noutro dia, li que Charles Chaplin quis provar uma teoria inscrevendo-se num concurso de sósias dele mesmo. Você já se imaginou participando de um concurso como esse? Provavelmente, você procuraria ser o mais natural que possível, falando com a mesma entonação de sempre, assim como os gestos e a expressão facial, andando no mesmo compasso que o caracteriza, discorrendo sobre temas que o fizeram se destacar no seu entorno. (...) Um concurso de sósias de mim mesmo! Que graça! Impossível eu não ganhar esse concurso, pois ninguém é tão igual a mim quanto eu mesmo! (...) Pois bem; Chaplin ficou em terceiro lugar no concurso. E o que ele provou? Charles Chaplin provou que se depender da opinião dos outros, você não serve nem para ser você mesmo.

























 

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

SEJA A SUA MELHOR VERSÃO



Roberto Gameiro

 

Você já tentou endireitar uma banana?

 

Eu costumo brincar fazendo essa pergunta ao meu interlocutor quando percebo que estamos em uma luta inglória para mudar algo ou alguém.

 

Se há alguém que conseguimos mudar a partir dos nossos argumentos, esse alguém somos nós mesmos.

 

Cada pessoa tem seus valores e seus princípios, seu ritmo, suas dores e suas escolhas, sejam elas conscientes ou não. Estou me referindo aos nossos amigos, conhecidos, parceiro e familiares. Forçar a transformação de alguém, moldando-o às nossas perspectivas, é uma batalha fragorosamente perdida. 

 

É um verdadeiro desperdício de tempo tentar “consertar” quem não pediu para ser consertado, assim como motivo de muita frustração, além de nos afastar do que realmente importa.

 

Na verdade, o que é realmente significativo é cuidar do nosso próprio jardim, em vez de nos preocuparmos com o jardim alheio; é direcionarmos o foco da nossa vida para nós mesmos, para o nosso conhecimento, nossos saberes, inteligência emocional e bem-estar.

 

Faça uso da sua energia para se transformar na melhor versão de si mesmo; quando você faz isso, acaba atraindo as pessoas certas para o seu convívio.

 

Assumir o protagonismo da própria história não é ato de egoísmo, mas de sabedoria. Aliás, existe um mito de que pensar em si mesmo é ser egoísta; quando você assume o protagonismo da sua vida, você se torna mais leve, mais equilibrado cognitiva e emocionalmente. Você passa a ser uma pessoa melhor para si e, consequentemente, para os outros.

 

Para mudar o mundo, o caminho mais eficiente e eficaz é começar mudando a si mesmo.


Carl Rogers (1902-1987), psicólogo estadunidense, escreveu: "Descobri que sou mais eficaz quando me posso ouvir a mim mesmo, aceitando-me, e quando posso ser eu mesmo.".

 

Priorize-se!

 

Seja a melhor versão de si mesmo!

 

Você já tentou endireitar uma banana?

 

Rss.


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sexta-feira, 12 de junho de 2026

COMPETÊNCIAS TÉCNICAS VERSUS COMPORTAMENTO PESSOAL



Roberto Gameiro

 

Você já percebeu que a maior parte das dispensas de colaboradores nas empresas se dá em função do comportamento pessoal do indivíduo, mesmo que ele tenha ótimas competências e habilidades técnicas?

 

Felizes são os gestores que podem direcionar seu foco na produtividade, na criatividade, no crescimento e no desenvolvimento, sem ter de desperdiçar energia para resolver problemas de atritos e desgastes interpessoais dos colaboradores; nessa situação, o clima organizacional, que deveria ser colaborativo, passa a ser caracterizado por tensões constantes que causam redução de produtividade e, consequentemente, redução no atingimento de objetivos e metas da empresa.

 

Por outro lado, quando os colaboradores respeitam e são respeitados emocionalmente, a motivação coletiva aumenta substancialmente, contribuindo para a redução do estresse. Profissionais com autocontrole dificilmente têm reações impulsivas e inconsequentes diante de conflitos, e mantêm alto grau de produtividade, pois transformam as eventuais tensões em oportunidades para a busca de soluções criativas que reforçam o foco nos resultados de qualidade.

 

Daí, a importância do feedback, constante e qualitativo, no acompanhamento da performance dos colaboradores.

 

A inteligência emocional já não é apenas uma habilidade desejável, mas uma competência estratégica necessária no ambiente corporativo. Quando os gestores e colaboradores conseguem administrar positiva e reciprocamente suas emoções, o impacto nos resultados da organização é visível.

 

A competência técnica é fácil de ser mensurada no processo de recrutamento e mais fácil de ser aprimorada no dia a dia; mas o que garante a permanência da pessoa em uma empresa é a forma como ela se relaciona no ambiente de trabalho. O comportamento pessoal envolve habilidades difíceis de serem observadas em provas ou entrevistas, mas símplices de serem identificadas no cotidiano.

 

Portanto, fiquemos atentos, pois o sucesso profissional não depende apenas das nossas competências e habilidades técnicas, mas, especialmente, das nossas posturas e ações em relação às pessoas com as quais nos relacionamos, sejam elas pares ou gestoras.


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sexta-feira, 5 de junho de 2026

ESTAR CERTO OU PERTENCER?



Roberto Gameiro


Noutro dia, assisti a um vídeo na Internet, de Márcia Luz, escritora brasileira, no qual ela afirma: 


“O cérebro humano não foi feito para estar sozinho contra muitos; ele foi feito para pertencer, e quando você tem que escolher entre estar certo e pertencer, a maioria escolhe pertencer.’.


É isso que acontece quando você está no lugar errado e com as pessoas erradas, que nada têm a ver com a educação que recebeu, seu caráter e sua personalidade. Você até tenta impor-se da maneira que entende como justa, correta e honesta. Mas são muitos os que pensam e agem diferente de você e te envolvem de tal maneira que você acaba cedendo e se tornando mais um deles, mesmo contra seus princípios e valores familiares; e, com o tempo, você acaba achando que são eles que estão certos.


Essa é uma característica do cérebro humano. Ele foi desenvolvido, ao longo dos tempos, para o pertencimento, e não para o isolamento. Há os que afirmam que, para o nosso cérebro, “não pertencer” dói muito; tanto quanto um ferimento profundo. 


Nós, seres humanos, somos indivíduos sociais, antes de sermos racionais.  


Assim, quando escolhemos “pertencer” em vez de “estar certos” num relacionamento coletivo, pode, para nós, não significar necessariamente fraqueza de caráter, mas um reflexo cognitivo. É o cérebro tentando nos manter seguros no meio de muitos. Entretanto, esse tipo de postura causa muito estresse e esforço emocional que incomodam muito, pois tendemos a assumir as propostas do grupo em detrimento das nossas próprias convicções.


Há um ditado popular que diz: "A solidão é um preço alto demais para a maioria das pessoas pagar pela integridade intelectual.”.


Quando você procura viver a sua melhor versão, a verdadeira, num processo de amadurecimento e desenvolvimento, tem de fazer escolhas; entre elas, a mudança de hábitos, a autoimposição de limites nas posturas e ações, e, com certeza, afastar-se daqueles que não são ressonantes com seu jeito de ser e seu sentido de vida.


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quinta-feira, 7 de maio de 2026

O SEGREDO DA ASCENSÃO NA VIDA É A PERSEVERANÇA



Publicado originalmente em 05/12/18


Roberto Gameiro


Certa vez, um professor meu, de Língua Portuguesa, propôs à turma a confecção de uma redação com o tema “O segredo da ascensão na vida é a perseverança”. Esse tema me tocou muito, e, desde aquele tempo de adolescência, tenho, quase que involuntariamente, refeito mentalmente essa redação, enfatizando aleatoriamente cada um dos significantes do seu enunciado.


Os termos que compõem o enunciado, “segredo”, “ascensão”, “vida” e “perseverança”, contêm, cada um isoladamente, conotações que justificariam uma redação específica.


Mas, quando os quatro são juntados, provocam e possibilitam reflexões que extrapolam em muito o somatório de seus significados individuais.


E, não raro, me vêm à mente analogias semânticas com a introdução, na reflexão, de novos significantes pertinentes ao tema.


Um desses termos é a “resiliência”.


Resiliência tem a ver com perseverança, tem a ver com ascensão, e tem a ver com vida.


Focando nos aspectos referentes ao exercício profissional, observo que para atingir metas (cada vez mais exigentes) e alcançar objetivos, não bastam mais somente aquelas habilidades padrão que sustentavam as competências dos gestores e colaboradores, recursos como conhecimento do produto ou serviço e do mercado concorrencial, linguagem adequada ao tipo de cliente e à cultura local...


As metas são vistas por muitos executivos como verdadeiras bolas de neve, que vão aumentando progressivamente conforme periodicamente são alcançadas; e tem de ser assim mesmo; caso contrário, não se justificariam.


Há que se ter muita competência para enfrentar, e vencer, esses desafios.


Annelise Gripp, profissional da área de Tecnologia da Informação e Gestão de Equipes, escreveu no seu artigo "Resiliência: a competência que nos leva à excelência!" (1) que "Resiliência é a capacidade que temos de lidar com os problemas, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas, durante um tempo, sem perder o foco em alcançar o seu objetivo. Ou seja, resiliência é movimento que se faz de sair da zona de conforto, trabalhar, desenvolver, para alcançar uma meta e depois retornar ao estado natural. Como se fosse um elástico, que esticamos para amarrar alguma coisa e depois que usamos, ele volta ao seu estado normal, para ser usado novamente.".


Os teóricos definem “competência” como a capacidade do indivíduo de movimentar recursos para resolver uma situação complexa. Entre esses recursos estão as emoções e, muito ligada a estas, está a resiliência.


A resiliência, por óbvio, não nos remete apenas a metas. Ela deve ser fator presente em todas as posturas e ações que contemplem tomadas de decisão, das mais simples às mais complexas.


Não confunda, porém, resiliente com teimoso. Ambos são obstinados; o primeiro é organizado, flexível, sensato e focado; o segundo é, geralmente, desorganizado e inflexível, faltando-lhe bom senso e foco. 


Ser resiliente é não desistir diante de possíveis fracassos; é suportar efeitos colaterais nocivos; é ser proativo; é ter forte personalidade; é ser resistente a adversidades.


É, enfim, ser perseverante.


Você é resiliente?


REFERÊNCIA


(1) GRIPP, Annelise. "Resiliência: a competência que nos leva à excelência". 2014, encontrado em  https://annelisegripp.com.br/resiliencia  (Acessado em 04/12/18). 


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sexta-feira, 1 de maio de 2026

EDUCAÇÃO CONTRA O ÓDIO


 
EDUCAÇÃO CONTRA O ÓDIO


Roberto Gameiro


Nelson Mandela (1918-2013) escreveu na sua autobiografia “Longo Caminho para a Liberdade”:  "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.". 


Tenho pena de crianças que nascem e vivem em lares cujos pais são preconceituosos em relação a raça, ou cor da pele, ou religião, ou política partidária; o mesmo em relação a alguns de seus professores; o mesmo, também, em relação a seus grupos de convivência. O preconceito e a intolerância dificultam o diálogo necessário, substituindo-o por discursos de ódio, violência e desdém.


Isso    vale    para    preconceituosos  e   para     pós-
-conceituosos (1). No fim, dá tudo na mesma.


O preconceito aparece sutilmente (ou arrogantemente) nos momentos de convivência familiar, especialmente no café da manhã, no almoço, no jantar, ao ver programas na TV, especialmente novelas, jogos e reality shows, através dos comentários “daqueles” pais; enfim, não tem como a criança fugir dessas influências nefastas; e isso vai moldando o seu caráter e a sua personalidade. Sem contar que algumas das opções citadas não são recomendadas para crianças. Mas, lei, ora a lei (2).


O cérebro da criança vai acumulando conhecimentos prévios nulos de verdades e são esses dados, essas informações que virão à mente quando requisitados para enfrentar uma situação problema qualquer. Aí, cabe a expressão popular: “tais pais, tais filhos”.


Isso não é herdado. É obtido pela convivência diária    com    sujeitos    preconceituosos    ou  pós-
-conceituosos.


René Descartes (1596-1650), filósofo francês, escreveu no seu “Meditações Metafísicas”, na “Meditação Primeira”: 


“Há já algum tempo me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera grande quantidade de falsas opiniões como verdadeiras e que o que depois fundei sobre princípios tão mal assegurados só podia ser muito duvidoso e incerto, de forma que me era preciso empreender seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões que até então aceitara em minha crença e começar tudo de novo desde os fundamentos, se quisesse estabelecer algo firme e constante nas ciências.”.


Tudo a ver, não é mesmo?


Mas, não nos desesperemos.


O tipo de família destacada aqui não é maioria na população brasileira. 


Ainda bem.


Nas minhas vivências de mais de quarenta anos na gestão de escolas particulares, eu tive o privilégio de conviver com todos os tipos de famílias, e posso afirmar, com convicção, que a maioria delas é constituída de pessoas entusiastas de uma


EDUCAÇÃO PARA O AFETO 


A educação para o afeto é uma filosofia de vida em que os pais priorizam o vínculo afetivo em detrimento da autoridade arbitrária. Aqui não há preconceitos; há diálogos. Neste modelo, a criança cresce num ambiente em que a educação ocorre pelo exemplo e pela segurança. Ela respeita porque é respeitada, e ouve porque é ouvida. A família passa a ser, para a vida toda, um porto seguro saudável ao qual sempre se poderá voltar, mesmo que apenas para “recarregar as baterias”. 


Sem preconceitos, nem arbitrariedades, não há permissividade, mas sim um forte alicerce no qual as correções, necessárias, são eficazes e duradouras. São vividas a alteridade, a perseverança, a resiliência e a autonomia. Tudo conduzido pelos pais com foco e propósitos claros, conhecidos e assumidos por todos. 


Obviamente, os cérebros destas crianças estarão plenos de conhecimentos prévios salutares e com mentalidades limpas e bem formadas. 


Resumindo, aqui também vale o dito popular “tais pais, tais filhos”.


REFERÊNCIAS


(1) Pauletto, Jair Antônio. Site “O Singular do Plural: pós-conceito.” Acessado em 17/04/2026. https://www.jairpauletto.com.br/visualizar.php?idt=4195570

 

(2) "A lei, ora a lei" é atribuída a Getúlio Vargas em contexto de desdém pelas normas. 


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quinta-feira, 23 de abril de 2026

CUIDADO - CRIANÇA - CONTÉM SONHOS!


Publicado originalmente em 16/04/2022


Roberto Gameiro


Mirko Badiale, filósofo italiano, escreveu certa vez: “Deve ser colocada uma placa em cada criança que diga:


          "Trate com cuidado. Contém sonhos”. 



Nós, professores, somos seres privilegiados pois tratamos, diariamente, com os tesouros mais valiosos deste mundo: as crianças. 



Como é gratificante conviver com “serzinhos” tão especiais que chegaram num mundo que já existia e ao qual estão se abrindo, conhecendo, interagindo, sentindo-se parte e percebendo, ao longo dos anos, que podem (e devem) intervir nele para torná-lo melhor.  


O que dizer, então, dos pais que os geraram e têm a alegria, a emoção e a responsabilidade de os educar, formando-os para o bem e para valores morais e éticos saudáveis, dedicando-lhes um amor que é infinito, e por quem dariam a própria vida para garantir e preservar as deles.


Cada uma delas (as crianças) vai crescendo e, aos poucos e sempre, construindo um sentido para sua vida baseado nas suas vivências e nos ensinamentos vindos dos pais, da escola e da igreja. 


Sentido de vida se constrói com base em sonhos. E as crianças os têm e muitos. Qual a criança que não tem uma resposta pronta para a pergunta “o que você quer ser quando crescer?”. A resposta pode ser uma num dia e outra bem diferente no dia seguinte, tal a vitalidade do que passa na mente e no coração de uma criança. 


Cabe a nós, adultos, proporcionar às crianças condições favoráveis para que sejam crianças enquanto ainda são crianças, dando-lhes oportunidades para brincar, e brincar muito, pois as brincadeiras desenvolvem nelas a capacidade de se relacionar consigo mesmas e com os outros, contribuindo para que deem conformidade aos seus sonhos, aos seus projetos de vida. 


A propósito, entre os “Direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil” propostos na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), está:


“Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.”


Mas não são apenas as crianças que têm sonhos. Nós, adultos, também os temos. E muitos! Ainda bem! E nesta seara, há que se ponderar que um sonho sem objetivo é apenas um sonho; nada mais. 


Augusto Cury escreveu:


“Sem sonhos, a vida não tem brilho. Sem metas, os sonhos não têm alicerces. Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais. Sonhe, trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para executar seus sonhos. Melhor é errar por tentar do que errar por se omitir!” (Você é insubstituível. Rio de Janeiro: Sextante, 2002)


Portanto, caro leitor, vá atrás dos seus sonhos de criança e de adulto. Só você pode torná-los realidade. Seja protagonista dos seus sonhos. Não seja um simples coadjuvante dos sonhos dos outros.


Assuma a placa que diz:


                      "Contenho sonhos!" 




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sexta-feira, 3 de abril de 2026

OS JOVENS NUM MUNDO CIBERNÉTICO


Roberto Gameiro


Já há algum tempo, as crianças e os adolescentes estão ensinando tecnologia para os mais velhos; é fascinante a facilidade que eles têm no uso de smartphones, tablets, aplicativos e, agora, inteligência artificial. 


Como que para justificar essas competências e habilidades, eu costumava brincar dizendo que hoje as crianças já nascem com um chip instalado no cérebro. 


Mas, nunca me ocorreu refletir, de forma mais profunda, sobre as características intrínsecas desse “dispositivo”, além da rapidez de raciocínio e facilidade para a aprendizagem cibernética. 


Mas, brincadeira à parte, descobri que não sou só eu que tenho essa percepção.


Há uma busca constante de explicação do porquê os jovens operam telas e algoritmos com tanta fluidez; e há uma espécie de consenso de que não se trata de uma capacidade biológica inata, mas sim o fato de eles já terem encontrado um mundo cibernético, um mundo mediado por dispositivos. 


Desde a mais tenra idade, as crianças estão envolvidas com brinquedos tecnológicos; muitos desses dispositivos de diversão as tornam simples espectadoras das performances dos brinquedos que, praticamente “brincam sozinhos”. A criança não precisa “pensar”, “imaginar”, “manusear”, “construir” nada. O brinquedo é autossuficiente.


Essa postura passiva não traz desafios cognitivos e não estimula a criatividade e o espírito inventivo. O jovem vai crescendo e se tornando adulto acostumando-se de que sempre haverá um “aplicativo” que fará, com rapidez, eficiência e eficácia, tudo o que ele precisa; e a concentração e o aprendizado ficam para segundo plano, assim como a reflexão e a profundidade crítica.


Parte dos homens que estamos formando são vazios de intelecto e carentes de emoção; mas experts no uso da tecnologia, com uma destreza que fascina. 


Por outro lado, não se pode negar a importância que a agilidade digital trouxe para a humanidade. Os dados, as informações, os conhecimentos, estão aí à disposição de todos. Escancarados. Mas, ao mesmo tempo, transformaram-se em produtos de uso superficial, descartáveis após o uso. 


Em outras palavras, estamos supervalorizando a memória de curto prazo, em detrimento da de longo prazo. Percebe?


Nessa toada, de onde virão os futuros cientistas, pesquisadores, inventores, que tratam o conhecimento com a profundidade e a complexidade exigida em cada área?


Numa reflexão rasteira e intempestiva me ocorreu que o cérebro humano, que já é subutilizado, num futuro próximo não mais será depositário de dados, informações, conhecimentos e saberes latentes, mas um depósito catalogado de uma infinidade de “aplicativos” e dispositivos prontos para serem acessados de acordo com a necessidade em pauta. 


Viraremos perfeitos robôs. 


O que dá pra rir, dá pra chorar. 


Mas, há esperança. Depende, especialmente, da família, da escola e da igreja. A família na educação, a escola na formação, e a igreja na conscientização.


Essas três instituições, que, embora com falhas inerentes, ainda têm crédito público em meio a tanta safadeza e corrupção que grassa em parte dos segmentos político, jurídico e legislativo, têm a missão de atuar em conjunto para promover a literacia digital, ou seja, capacitar as pessoas para que definam, busquem e alcancem seus objetivos, desenvolvam suas potencialidades cognitivas e de emoções, e, especialmente, participem com intensidade dos destinos das suas comunidades e da sociedade em geral.


Não haverá necessidade de afastar os jovens dos aparelhos, dos softs e dos aplicativos, mas de ensinar a usá-los de forma produtiva, criativa e consciente.


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sexta-feira, 27 de março de 2026

MENSAGEM - MENTIRA OU VERDADE?



                         Mensagem publicada originalmente em 02/12/23

               MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO
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         TEXTO PARA VERSÕES EM OUTRAS LÍNGUAS
         TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES 

Como formar  os filhos   para  a  verdade se, por exemplo, seu filho atende ao  telefone  fixo  e  diz - Pai, é o “Fulano de Tal”! E você diz - Diga que não estou.  Alguém  vai   dizer: - Essa  é  uma  mentirinha  inocente.  “Mentira  inocente”    continua   sendo  uma  mentira;  adjetivada,  mas mentira.  E, então, o que fica, numa circunstância  como  essa, para a formação da criança?  Ela,  provavelmente,  vai  pensar  - então, existem  "mentiras inocentes”  que  eu  posso dizer e “mentiras   não  inocentes”  que   eu  não  posso  dizer. Entretanto,   como   o pai  vai  explicar para o filho qual o limite entre uma e outra? Não existem “meias mentiras”, nem “meias verdades”. Ou é mentira, ou é verdade!
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sexta-feira, 20 de março de 2026

SOBRE OS GOLPES E AS FRAUDES DO DIA A DIA



Roberto Gameiro

Há alguns anos, num dia útil de manhã, peguei um táxi para cumprir compromisso num outro bairro da cidade. Acomodei-me, indiquei o destino ao motorista, ao mesmo tempo em que colocava o cinto de segurança. Tudo nos conformes.
 

Ocorre que após algum tempo, o taxímetro já marcava R$13,00, quando percebi que havia, no aparelho, o que parecia ser um pequeno retalho de pano escuro cobrindo o espaço que indicava a “bandeira” (1 ou 2).


A propósito, por oportuno ...


“A principal diferença entre as bandeiras 1 e 2 no taxímetro é  o  custo por quilômetro rodado, sendo a bandeira 2 cerca de 20% a 30% mais cara que a bandeira 1. A Bandeira 1 aplica-se em dias úteis e horário comercial, enquanto a Bandeira 2 é     usada no período noturno, fins de semana e feriados. Bandeira 1 (Tarifa Normal): Usada geralmente de segunda a sexta-feira, das 06h às 20h ou 21h (varia conforme a cidade). Bandeira 2 (Tarifa Superior): Aplicada das 20h/21h às 06h, aos sábados a partir das 13h ou 14h, domingos e feriados o dia todo. O que muda no bolso: O valor da bandeirada (inicial) não muda, mas o valor de cada quilômetro percorrido aumenta, tornando a corrida mais cara no valor final, para compensar o horário especial de trabalho.” (informação obtida através do “Gemini”)


Pois bem, continuando o relato.


Por necessário, questionei o motorista a respeito do fato de eu não conseguir enxergar, no taxímetro, a informação da bandeira que estava sendo utilizada na corrida; este, desconcertado, apressou-se em retirar o paninho, e, acreditem, estava na bandeira 2, em pleno dia útil. Isso significa que eu iria pagar, pelo menos, 20% a mais pelo serviço.
 

Então, ele corrigiu a bandeira para a “1”, e, expressou suas justificativas:


Argumentou: “isso, deve ter sido o rapaz que usa este carro para corridas no período noturno; ele não vai mais usar este carro; pode ser que o paninho é o “cheirinho” aromatizante que voou e se fixou naquele espaço”; e outras alegações esquisitas das quais não mais me lembro pois faz muito tempo que esse fato aconteceu.


Outrossim, por mais estranhas que tenham sido as explicações do motorista, não tenho condições de afirmar que ele foi o autor da fraude (in dubio pro reo). Mas que foi proposital, não tenho dúvidas!


Mas, disse a ele que estranhava que o motorista da noite cobrisse aquela informação, pois, à noite, a bandeira é normalmente a “2”, não havendo motivo para tal ato. Aqui, não houve resposta. 


Contudo, pediu desculpas e informou, à minha provocação, que daria um desconto no valor final, o que realmente ocorreu. Paguei em dinheiro e a corrida se encerrou.


Como consequência, nestes dias, lembrei-me desse acontecido ao refletir sobre a quantidade de golpes que são perpetrados a cada dia contra os cidadãos de bem por pessoas de mau caráter; agora, especialmente por telefone e pelas redes sociais. A cada momento surgem novas fraudes e golpes, frutos da “criatividade” dos bandidos; e, em compensação, nós, as vítimas, “inventamos” novas formas de nos proteger.


É, quase, uma "guerra".
 

Eu, por exemplo, no celular, defini um toque musical específico para chamadas dos meus conhecidos mais chegados e familiares; a esses toques, eu atendo. Qualquer outro toque de chamada, eu ignoro ou recuso, com a “certeza” de que 90% deles são golpes.
 

A que ponto chegamos!


Concluindo, é mister considerar que é o somatório dessas “pequenas” fraudes que ocorrem com qualquer um de nós, no dia a dia, que nos coloca, como povo, em desvantagem em relação a outras culturas mais desenvolvidas. Nem preciso mostrar exemplos. Cuidado!


Lamentável.


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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional  e em Design Instrucional. 


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