sexta-feira, 27 de julho de 2018

INVESTIR NAS CRIANÇAS




Roberto Gameiro
É atribuída a Platão (427 a 347aC) a frase: A orientação inicial que alguém recebe da educação também marca a sua conduta ulterior.

A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) regula, desde 2013, que a educação básica é de matrícula obrigatória dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015 aponta um crescimento da taxa de escolarização de crianças de 4 e 5 anos. Em 2007, 70% dessas crianças frequentavam a escola. Em 2011, 77,4%, e, em 2015, 84,3%. Ressalto o aumento do percentual após o MEC definir a obrigatoriedade a partir dos 4 anos de idade. 

São boas notícias.

Por que esses dados são importantes?

“Os investimentos na educação das crianças até a faixa dos 6 anos de idade são decisivos para o sucesso na vida adulta”.  Essa afirmação é de James Heckman, prêmio Nobel de Economia de 2000, que esteve no Brasil recentemente. Nas entrevistas que tem dado a jornais e revistas, Heckman ainda diz que essa é uma fase em que o cérebro se desenvolve em velocidade frenética e tem um enorme poder de absorção, como uma esponja. Informa, ainda, que países que não investem na primeira infância apresentam índices de criminalidade mais elevado e níveis menores de produtividade, e lamenta que essa fase seja negligenciada.

Não basta, entretanto, que estejam matriculados. É preciso levar em conta a qualidade do serviço prestado pela escola, que, em média, no ensino público, no Brasil, é muito baixa.

Por outro lado, além da escola, Heckman proclama a necessidade de políticas públicas que façam convergir diversos agentes como famílias, creches, pré-escolas, centros de saúde e outros órgãos, em prol da integração das crianças à sociedade, longe da violência e com bom poder de julgamento e autocontrole. E completa afirmando que investir nessas faixas etárias é o caminho mais certeiro para pôr um país na rota do desenvolvimento.

Por oportuno, vale lembrar que Paulo Freire já dizia que não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor; e dizia, também, que "se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda" (Pedagogia da indignação, 2000).

Artigo editado e publicado no jornal “O Popular” de Goiânia em 03/10/2017.
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Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor na área de “Gestão de escolas de Educação Básica”. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br.


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2 comentários:

  1. Vale ressaltar a valorização e formação permanente do educador nesse processo é fundamental para a construção de um bom sistema de educação de crianças e jovens. Enquanto professor não for prioridade no Brasil não haverá educação de qualidade capaz de impactar a a a sociedade

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