sexta-feira, 10 de agosto de 2018

VAGAS ESPECIAIS PARA QUEM?

Blue handicapped parking spot


Roberto Gameiro 

Depois de buscar a neta na escola de educação infantil, a senhora se dirigiu à universidade para pegar seu filho. Lá chegando, encontrou o estacionamento lotado.

Idosa, resolveu parar perto das vagas especiais, na esperança de conseguir um lugar à saída de algum carro.  

Estava com a neta no carro, e esta, como ela, observava as pessoas que eventualmente pudessem chegar para retirar seus veículos e sair. 

De repente, ao longe, surge a silhueta d’alguém que se dirigia para o local. Era uma moça que caminhava carregando alguns livros, entre eles um Vade-mécum. Tratava-se, ao que tudo indicava, de uma estudante do curso de Direito.

Qual não foi a surpresa de avó e neta, quando a estudante, por sinal, muito bonita, se encaminhou a uma vaga de idoso, onde estava o seu carro, uma vistosa caminhoneta utilitária de luxo, acomodou-se e saiu.

A neta, tão estupefata quanto a avó, observou a cena e perguntou se aquilo “podia”.

Claro que não podia, especialmente por parecer tratar-se de aluna de um curso de formação de advogados, nobre profissão dos que são os primeiros guardiães da Constituição e das Leis.

Espera-se dos adultos que sirvam de exemplo para as crianças e adolescentes, que veem, nas suas posturas, modelos a serem seguidos, especialmente aqueles ligados à cidadania, aos bons costumes e ao cumprimento das Leis.

Que péssimo exemplo deu aquela estudante a uma criança, estacionando seu carro em vaga a ela não permitida. Entretanto, foi uma oportunidade para um diálogo frutífero com a menina por parte da avó; até porque não era isso que ela aprendia na escola; ao contrário, as professoras sempre diziam que as pessoas precisam obedecer às sinalizações de trânsito.

Esse tipo de situação repete-se diariamente em estacionamentos de locais públicos e privados, no Brasil, em vagas de idosos e deficientes, com um descaramento sem igual. E não há fiscalização que dê conta de inibir com eficácia esse mau comportamento, tal a incidência com que ocorre.

Isso é próprio do “jeitinho brasileiro” do “levar vantagem em tudo”. Mas é, antes de tudo, desonestidade. 

Desculpem, mas não tem como eu deixar de repetir aqui o final de um outro artigo meu, citando Capistrano de Abreu, historiador cearense de Maranguape, a quem se atribui a afirmação de que a nossa Constituição deveria ter apenas dois artigos: Art. 1º - Todo brasileiro deve ter vergonha na cara. Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.

SE VOCÊ GOSTOU DESTE ARTIGO, veja outros posts de Roberto Gameiro em: http://www.textocontextopretexto.com.br

Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor na área de “Gestão de escolas de Educação Básica”. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br


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