O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO - Para debates em família e na escola - Roberto Gameiro

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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

TERGIVERSANDO - ou "CONVERSA PRA BOI DORMIR"



Roberto Gameiro


O comentarista esportivo, no alto da sua “competência profissional”, afirmava que, naquele jogo de futebol, o time “A” tinha 100% de chance de ganhar; mas, futebol é uma caixinha de surpresas, e o time “B” poderia surpreender e vencer; além disso, não se poderia desprezar a possibilidade de um empate!


Falou e não disse.


Isso porque quem fala, apenas conversa ou aborda um assunto. Já quem diz, passa uma informação direta, clara e com um objetivo definido. O verbo "dizer" serve para afirmar algo com certeza — e no texto analisado não há nenhuma afirmação direta, conclusiva ou assertiva.


Essa situação se resume, sob o meu olhar, em um verbo pouco usado: tergiversar — recorrer a rodeios, evasivas e subterfúgios; em suma, fazer “conversa mole”, ou “conversa pra boi dormir”. 


Essa estratégia, sob o olhar da semântica, esvazia o significado das palavras, transformando a comunicação num simples “ruído” que não agrega qualquer valor ou conhecimento ao interlocutor.


Lembra os discursos do personagem “Deputado João Plenário” do humorístico da TV. 


Rss.


Nos relacionamentos humanos, apenas “falar” em detrimento de “dizer”, consome pouco a pouco a confiança mútua necessária para constituir a verdade com assertividade e empatia; ao contrário, quando ocorre a guinada em favor da clareza, os vínculos são fortalecidos e se constrói uma confiança consistente com a honestidade e a transparência.

 

A clareza e a franqueza tornam os relacionamentos mais leves e suportáveis, ainda que incômodos. O peso de uma conversa não dita é infinitamente maior do que o incômodo de uma verdade dita com respeito.


É como a mentira. Uma mentira, depois de propalada, precisará de “n” novas mentiras para se suportar.


Você já viveu uma situação assim?


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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional  e em Design Instrucional. 


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quinta-feira, 15 de outubro de 2026

A IMPORTÂNCIA DA CAUTELA NAS INTERAÇÕES DO DIA A DIA




Roberto Gameiro


Há pouco tempo, recebi de um dileto amigo um texto com este provérbio judaico: “Nunca se aproxime de uma cabra pela frente, de um cavalo por trás, nem de um tolo por lado algum.”


Trata-se de uma ironia espirituosa que traz algumas verdades inerentes aos três contextos focalizados, e importantes lições a respeito do comportamento humano.


Essa afirmação usa comparações com o mundo animal para chamar a nossa atenção sobre os danos que nos podem causar relacionamentos com pessoas insensatas ou mal-intencionadas, oportunizando-nos compreender melhor a importância da cautela e do critério rigoroso nas interações do dia a dia.


A reação da cabra, quando nos aproximamos dela pela frente, é perfeitamente previsível, assim como a reação do cavalo quando percebe um possível perigo por trás. Não é nada agradável receber uma investida dos chifres de uma cabra, tampouco o coice de um cavalo. Entretanto, temos todas as informações necessárias para nos precaver desses “ataques’.


Já com o tolo, por ser uma pessoa insensata e propensa a atitudes destrutivas imprevisíveis, qualquer aproximação, “por qualquer lado”, pode ser arriscada, pois a falta de limites e bom senso dele podem prejudicar quem está por perto. Portanto, devemos ser prudentes e respeitar os limites e os comportamentos alheios.


Ademais, numa época como a atual de muita polarização e desinformação grassando nas redes sociais, não vale a pena desperdiçar tempo discutindo com indivíduos irredutíveis e desprovidos de abertura ao diálogo. É importante saber quando recuar, evitar desgastes desnecessários e preservar a nossa paz de espírito.


Tenhamos, portanto, a sabedoria de priorizar a nossa integridade e viver com tranquilidade, evitando “todos os lados” de um tolo; ou de vários tolos.


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quinta-feira, 1 de outubro de 2026

AÇÕES FALAM MAIS ALTO DO QUE PALAVRAS


Roberto Gameiro


Depois que terminei de escrever este texto, percebi que o título dele é um verdadeiro spoiler.


Rss.


Aí, me veio à mente que nem precisaria do texto; que bastaria publicar o título e o recado já estaria dado!


Mas, teimoso, fui fazer a curadoria e percebi que, sim, havia o que dizer além do título. 


Até porque muitos de nós, inclusive eu, às vezes, falamos mais do que devemos e agimos menos do que deveríamos. 


Quando nos sentamos diante do computador para criar um texto que vai se transformar num artigo a ser publicado, estamos focados em valorizar, ao mesmo tempo, o conteúdo (o fundo) e a estética (a forma). Mas, mais do que isso, estamos sendo guiados pelas características dos nossos conhecimentos prévios, do nosso caráter e da nossa personalidade; não há como escrever algo que viole esses elementos; e nos fiscalizamos para isso. Além disso, pronto o texto, ainda temos a possibilidade de ajeitar aqui e ali para que a criação saia com “a nossa cara”. Isso vale, também, para palestras, treinamentos, aulas etc.


Já ao se falar, numa conversa informal, ou familiar, ou entre amigos, é muito comum que as pessoas digam o que os outros querem ouvir, seja por educação, por medo de julgamentos ou para evitar conflitos.


Mas o título em destaque, diz muito mais do que o já escrito até aqui. 


“Ações falam mais alto do que palavras.”


De fato, se pretendermos compreender o caráter de alguém, precisamos observar além do discurso e analisar as ações que pratica.


Um provérbio árabe diz: “as palavras que saem do coração chegam ao coração; as que saem apenas da língua não passam dos ouvidos”. Ele separa a fala sincera, coerente com as atitudes, do discurso vazio, dito por conveniência e que não deixa nenhuma marca real.


Se tivermos a oportunidade de observar os rastros provocados pelas atitudes de alguém ao longo do tempo, descobriremos um padrão, que é o reflexo verdadeiro da sua forma de pensar, pois ninguém gasta sua força moral e suas ações de forma sólida com o que não acredita de verdade.


Trata-se de valorizar a coerência, o que não significa desconfiar de tudo e de todos. Um indicativo rigoroso da autenticidade de alguém é a sua harmonia entre e o falar e o agir. 


Portanto, ser coerente não é ausência de erros; é estar alinhado entre a intenção prometida e a conduta realizada. Quando conseguimos valorizar essa harmonia, estamos, nós mesmos, cultivando relacionamentos mais transparentes e nos tornando pontos de referência saudáveis nesse mundo cheio de contradições.


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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

MENSAGEM - EDUCAÇÃO OU DESEDUCAÇÃO?

                    
                MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO
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         TEXTO PARA VERSÕES EM OUTRAS LÍNGUAS
         TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES

Certa vez, eu estava viajando de ônibus e o motorista fez uma parada num local em que o Órgão da Saúde aplicava a vacina contra a febre amarela nos passageiros não vacinados. Havia duas filas: uma para preenchimento do cartão com o registro da vacina, e outra para receber a vacina. Ao prosseguirmos a viagem, ouvi a conversa de dois homens sentados atrás de mim. Eles contavam vantagem e riam. Diziam que tinham passado apenas pela primeira fila, a do cartão da vacina, sem passar pela segunda fila para serem vacinados, e agora eles tinham a prova de que estavam vacinados contra a febre amarela para apresentar na empresa. Mais do que uma personalidade deturpada, atos como esse demonstram a fragilidade de caráter de indivíduos desse naipe. Fiquei imaginando qual seria o tipo de educação em moral e ética que esses senhores poderiam dar a seus filhos, especialmente nos campos da religiosidade e da espiritualidade. 
Pobres crianças!






































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quinta-feira, 30 de julho de 2026

A HUMANIDADE PRECISA ACABAR COM AS GUERRAS


Roberto Gameiro


Parte da Humanidade está doente.


Desde os irmãos Caim e Abel.


John Fitzgerald Kennedy, 35º Presidente americano, no seu discurso à Assembleia Geral da ONU, em 1961, disse:


“A humanidade tem de acabar com a guerra antes que a guerra acabe com a humanidade.”


Várias décadas nos separam desse momento histórico. Muitos já repetiram essa frase em circunstâncias de emoção, de tristeza, de tragédias, de genocídios e de esperança.


No entanto, as guerras estão aí espalhadas pelo mundo afora ceifando vidas, todas elas preciosas, desestruturando nações, instituições e famílias.


Causando traumas psicológicos, emigração de pessoas e danos patrimoniais. 


Rita Lee e Roberto de Carvalho compuseram, em 1980, uma musica que foi interpretada por Elis Regina, com o título "Alô, alô, Marciano".


Alô, alô, Marciano. Aqui quem fala é da Terra. Pra variar, estamos em guerra. Você não imagina a loucura. O ser humano tá na maior fissura ...


Escrita há 43 anos, essa letra cai como uma luva nos dias de hoje.


O drama da humanidade começou com uma pedra. Hoje, há o risco de uma guerra com armas nucleares, o que é deveras preocupante pois poderá provocar uma devastação em nível planetário.


Há, portanto, que se trabalhar incansavelmente para o desarmamento nuclear em todos os países. 


Eu sou um otimista por princípios. Procuro, sempre, encontrar o caminho da conciliação, do consenso, da paz.


Entretanto, na curadoria que desenvolvi para escrever este texto, encontrei mais expressões de desesperança realista do que de esperança pacificadora.


Uma delas, que me tocou demais, foi a que preconiza que se conseguirem encontrar vida em outros planetas, os humanos destruirão todos.


Entretanto, ainda há esperança. 


Um novo mundo é possível.


E começa pela Educação. Pela parceria positiva entre a Família, a Escola e a Igreja. A primeira, cuidando da educação para a moral, a ética e os bons costumes; a segunda, cuidando da formação das crianças e adolescentes, desde as mais tenras idades, para a aquisição de competências e habilidades que as levem a ser bons cidadãos, conscientes, partícipes e solidários; e a Igreja, promovendo o crescimento espiritual, o acolhimento  e o suporte.  


É a “Educação para a paz”, que se baseia nos valores de tolerância, compreensão e resolução pacífica dos conflitos, sejam eles familiares, sociais, profissionais, locais, regionais, nacionais ou globais. Deveria estar nos currículos escolares de todos os níveis de Ensino.

 

Segundo a INEE (Rede Interinstitucional para a Educação em Situações de Emergência), "a  educação para a paz é o processo de promoção de conhecimentos, competências, atitudes e valores necessários para criar mudanças no comportamento, que permitam às crianças, aos jovens e às pessoas adultas prevenir conflitos e violência, tanto explícitos como estruturais, resolver os conflitos de forma pacífica e criar as condições propícias à paz, seja a nível interpessoal, intergrupal, nacional ou internacional." [sic] 


As crianças e adolescentes de hoje serão os adultos que no futuro vão tomar as decisões que poderão evitar que a destruição advinda das guerras comprometa a nossa própria existência como humanidade.


Eu acredito! 


Ah! Em tempo - John F. Kennedy, 35º presidente dos Estados Unidos, foi assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, Texas, EUA, aos 46 anos de idade.


Publicado originalmente em 30/09/2023.


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sexta-feira, 17 de julho de 2026

REFLETINDO OU RUMINANDO?

 


Roberto Gameiro


Você é daquelas pessoas que ficam ruminando um assunto longamente antes de tomar uma decisão a respeito?


Que prejudicam seus fins de semana e até suas férias por não conseguirem se desligar de uma situação, geralmente desagradável, que acontece no campo profissional?


Que, com isso, baixam a qualidade dos relacionamentos familiares com cônjuge e filhos?


Que levam seus problemas pessoais pontuais para dentro do seu local de trabalho, ocasionando desconcentração e diminuição da produtividade?

 

Se sim, seja bem-vindo ao clube!


Um “clube” que, sob o meu olhar, só tem tendência de aumentar o número de membros, conforme a complexidade da práxis profissional e dos inter-relacionamentos sociais vai aumentando.


Sêneca, filósofo romano, escreveu: “Estamos mais frequentemente assustados do que feridos e sofremos mais na imaginação do que na realidade.”.


Muitas vezes, sofremos antecipadamente por algo que acabará não acontecendo.


Claro que há determinadas tomadas de decisão que exigem maior tempo de curadoria e reflexão pela sua complexidade e pelos efeitos colaterais que poderão trazer. Nessas situações, a análise e as ponderações aprofundadas sobre o tema podem ser propícias e salutares.


Nesses casos, a longa ruminação pode indicar uma postura de perseverança e de autodeterminação na busca de uma solução.


Entretanto, há que se cuidar para não se desperdiçar muita energia mental com assuntos, eventos e problemas que não merecem tanta preocupação.

 

Não é fácil encontrar o equilíbrio saudável entre a reflexão e a ação.

 

Ficar muito tempo “estacionado” ruminando sobre um mesmo assunto sem encontrar progresso na reflexão, pode ocasionar transtornos emocionais prejudiciais à saúde mental, especialmente se isso for recorrente.

 

Sempre há a possibilidade da busca de aconselhamento.

 

Você conhece alguém assim?


Publicado originalmente em 23/09/2023


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quinta-feira, 9 de julho de 2026

MENSAGEM - RELACIONAMENTOS FAMILIARES

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         TEXTO PARA VERSÕES EM OUTRAS LÍNGUAS
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No telefone público, anos atrás:- olá, meu amorzinho! Quanta saudade de você! Você está bem? Não vejo a hora de voltar para casa para estar com você minha querida... O diálogo prosseguia muito meloso, e, ao que tudo indicava, com reciprocidade do outro lado da ligação. E nós, que esperávamos a nossa vez de usar o telefone, sussurrando, comentávamos como ele era cuidadoso com a esposa, alguns até com inveja de tamanha dedicação, carinho e afeição. Num mundo cheio de violência, que bom ouvir uma conversa tão amorosa, respeitosa e apaixonante entre um casal que se ama. Depois de um tempo, ele terminou aquele contato e, engrossando a voz, perguntou: - E a cascavel, está aí? Foi aí que percebemos que ele estava falando, primeiro, com a filha; e a cascavel vocês podem imaginar quem era. Num mundo cheio de violência, que tristeza ouvir um marido se referir assim à sua esposa. Mas, não nos enganemos. Há muitos assim. Eu mesmo conheci vários desses no exercício da minha profissão de diretor escolar.




































 

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sexta-feira, 3 de julho de 2026

O PREÇO DA AUSÊNCIA DE LIMITES


Roberto Gameiro


Ao longo dos mais de dez anos de existência deste blogue, já publiquei vários artigos a respeito dessa temática. 


Entretanto, o assunto continua em pauta crescente nas mídias e redes sociais, nos noticiários impressos, radiofônicos e televisuais, bem como nas famílias, nas escolas e nas igrejas. Inclusive nos assuntos policiais.


Uff!


Educar um filho para o bem é um dos maiores desafios que um indivíduo pode ter na vida; e uma das missões mais gratificantes, especialmente quando a criança cresce não apenas em estatura, mas também em sabedoria (Lucas 2,52).


No entanto, muitos pais não têm a sabedoria que possibilita a construção da sabedoria nos filhos; pais que sabem, de sobejo, exigir seus direitos em relação à escola, à sociedade e às “necessidades” de seus filhos, mas falham, fragorosamente, no cumprimento recíproco de seus deveres, especialmente no que se refere à colocação de limites e exemplos de coerência relacional social, espiritual e de cidadania nas suas crianças e adolescentes.
  

A propósito, antigamente, os diretores e coordenadores nas escolas dedicavam seu tempo a auxiliar os professores no cumprimento dos planos pedagógicos, e, aos alunos, nas suas dificuldades de aprendizado e de relacionamento. Hoje, esse tempo está cada vez mais restrito, pois os gestores passam a maior parte do tempo “educando” determinados pais em relação a seus deveres e direitos. Isso, sem falar no que acontece em alguns grupos de pais no WhatsApp.
 

Para um bom entendedor, meia palavra basta.


Trata-se de uma inversão de valores inconcebível, salvo a existência (salvadora), também, de famílias participativas, colaborativas e compreensivas. 


Ainda bem. 


Os filhos precisam ser educados e formados para enfrentar os desafios que a vida fatalmente lhes apresentará; para isso, precisam ter caráter e personalidade bem formados, baseados em princípios e valores saudáveis aprendidos em família. A colocação de limites de comportamento é fundamental nesse concerto formacional.


Crianças e adolescentes que crescem sem aprender limites, passam a achar que podem tudo e que todos estão à sua mercê, o que determina suas posturas e ações nas atividades sociais e profissionais, com baixa tolerância à frustração, dificuldades com responsabilidades, insegurança e ansiedade, e narcisismo e egocentrismo, entre outras características nefastas.


É responsabilidade dos pais educar os filhos para a moral e a ética, o que implica a necessidade de regras de conduta, as quais podem não ser do agrado deles naquele momento da vida, mas que, com certeza, agradecerão no futuro e as adotarão para seus filhos.


É alto o preço que indivíduos que tiveram ausência de limites quando jovens, terão de pagar na maturidade. A fatura é alta!


Colidirão com a falta de limites do mundo externo, o que gerará um choque de realidade que poderá ser paralisante e exigirá todo um processo de reeducação individual, ou através da ajuda de profissionais, para “construir” as competências e habilidades internas que deveriam ter sido cultivadas na convivência familiar, inclusive as emocionais.

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sexta-feira, 1 de maio de 2026

EDUCAÇÃO CONTRA O ÓDIO


 
EDUCAÇÃO CONTRA O ÓDIO


Roberto Gameiro


Nelson Mandela (1918-2013) escreveu na sua autobiografia “Longo Caminho para a Liberdade”:  "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.". 


Tenho pena de crianças que nascem e vivem em lares cujos pais são preconceituosos em relação a raça, ou cor da pele, ou religião, ou política partidária; o mesmo em relação a alguns de seus professores; o mesmo, também, em relação a seus grupos de convivência. O preconceito e a intolerância dificultam o diálogo necessário, substituindo-o por discursos de ódio, violência e desdém.


Isso    vale    para    preconceituosos  e   para     pós-
-conceituosos (1). No fim, dá tudo na mesma.


O preconceito aparece sutilmente (ou arrogantemente) nos momentos de convivência familiar, especialmente no café da manhã, no almoço, no jantar, ao ver programas na TV, especialmente novelas, jogos e reality shows, através dos comentários “daqueles” pais; enfim, não tem como a criança fugir dessas influências nefastas; e isso vai moldando o seu caráter e a sua personalidade. Sem contar que algumas das opções citadas não são recomendadas para crianças. Mas, lei, ora a lei (2).


O cérebro da criança vai acumulando conhecimentos prévios nulos de verdades e são esses dados, essas informações que virão à mente quando requisitados para enfrentar uma situação problema qualquer. Aí, cabe a expressão popular: “tais pais, tais filhos”.


Isso não é herdado. É obtido pela convivência diária    com    sujeitos    preconceituosos    ou  pós-
-conceituosos.


René Descartes (1596-1650), filósofo francês, escreveu no seu “Meditações Metafísicas”, na “Meditação Primeira”: 


“Há já algum tempo me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera grande quantidade de falsas opiniões como verdadeiras e que o que depois fundei sobre princípios tão mal assegurados só podia ser muito duvidoso e incerto, de forma que me era preciso empreender seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões que até então aceitara em minha crença e começar tudo de novo desde os fundamentos, se quisesse estabelecer algo firme e constante nas ciências.”.


Tudo a ver, não é mesmo?


Mas, não nos desesperemos.


O tipo de família destacada aqui não é maioria na população brasileira. 


Ainda bem.


Nas minhas vivências de mais de quarenta anos na gestão de escolas particulares, eu tive o privilégio de conviver com todos os tipos de famílias, e posso afirmar, com convicção, que a maioria delas é constituída de pessoas entusiastas de uma


EDUCAÇÃO PARA O AFETO 


A educação para o afeto é uma filosofia de vida em que os pais priorizam o vínculo afetivo em detrimento da autoridade arbitrária. Aqui não há preconceitos; há diálogos. Neste modelo, a criança cresce num ambiente em que a educação ocorre pelo exemplo e pela segurança. Ela respeita porque é respeitada, e ouve porque é ouvida. A família passa a ser, para a vida toda, um porto seguro saudável ao qual sempre se poderá voltar, mesmo que apenas para “recarregar as baterias”. 


Sem preconceitos, nem arbitrariedades, não há permissividade, mas sim um forte alicerce no qual as correções, necessárias, são eficazes e duradouras. São vividas a alteridade, a perseverança, a resiliência e a autonomia. Tudo conduzido pelos pais com foco e propósitos claros, conhecidos e assumidos por todos. 


Obviamente, os cérebros destas crianças estarão plenos de conhecimentos prévios salutares e com mentalidades limpas e bem formadas. 


Resumindo, aqui também vale o dito popular “tais pais, tais filhos”.


REFERÊNCIAS


(1) Pauletto, Jair Antônio. Site “O Singular do Plural: pós-conceito.” Acessado em 17/04/2026. https://www.jairpauletto.com.br/visualizar.php?idt=4195570

 

(2) "A lei, ora a lei" é atribuída a Getúlio Vargas em contexto de desdém pelas normas. 


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sexta-feira, 27 de março de 2026

MENSAGEM - MENTIRA OU VERDADE?



                         Mensagem publicada originalmente em 02/12/23

               MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO
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         TEXTO PARA VERSÕES EM OUTRAS LÍNGUAS
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Como formar  os filhos   para  a  verdade se, por exemplo, seu filho atende ao  telefone  fixo  e  diz - Pai, é o “Fulano de Tal”! E você diz - Diga que não estou.  Alguém  vai   dizer: - Essa  é  uma  mentirinha  inocente.  “Mentira  inocente”    continua   sendo  uma  mentira;  adjetivada,  mas mentira.  E, então, o que fica, numa circunstância  como  essa, para a formação da criança?  Ela,  provavelmente,  vai  pensar  - então, existem  "mentiras inocentes”  que  eu  posso dizer e “mentiras   não  inocentes”  que   eu  não  posso  dizer. Entretanto,   como   o pai  vai  explicar para o filho qual o limite entre uma e outra? Não existem “meias mentiras”, nem “meias verdades”. Ou é mentira, ou é verdade!
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quinta-feira, 12 de março de 2026

A INSUBORDINAÇÃO DO CANTAR E DO BRINCAR


Roberto Gameiro

 

Eduardo Galeano (1940 - 2015), jornalista e escritor uruguaio, escreveu no seu livro “O livro dos abraços” (1): "Na parede de um botequim de Madrid, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca."

 

Aí está uma perspicaz observação sobre o comportamento humano e sua reação contra a rigidez institucional.

 

Ninguém colocaria uma placa num espaço público ou privado com os dizeres: “É proibido caminhar a 100 km por hora nestas dependências”. Isso porque essa ação não é realizável por um ser humano.

 

Mas “cantar” e “brincar” são atitudes e reações naturais dos indivíduos em relação ao meio social em que vivem.

 

No botequim, o cartaz pretende proibir o canto em favor do silêncio, porque o vinho e demais bebidas “convidam” os comensais a cantar, contagiando a todos os presentes (ou incomodando muitos).

 

No aeroporto, o aviso proíbe brincar com os carrinhos de bagagem, para garantir o trânsito livre e seguro dos viajantes, porque crianças, pela sua natureza lúdica, e adultos aborrecidos e agastados, talvez pelo tempo de espera, veem nos carrinhos uma oportunidade de divertimento e distração.

 

Nas duas situações, e em “n” outras equivalentes, trata-se de um embate entre o caráter “institucional” dos ambientes e a essência humana pulsante que busca o afeto, a celebração e a brincadeira.

 

Estão errados o botequim e o aeroporto ao proibir essas situações?

 

Sob o meu olhar, não.

 

Cada instituição tem o dever de preservar o bem-estar dos seus usuários em acordo com suas finalidades estatutárias. Aí, cada uma é uma, ou seja, cada caso tem suas particularidades e precisa ser avaliado separadamente.

 

Mas, o que de mais relevante a frase destacada traz, é a informação de que “ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.".

 

Cantar e brincar constituem chamadas à esperança. Na medida em que num mundo cheio de violência, corrupção, guerras e marcado pela falsidade, crises e cinismo, ainda houver pessoas brincando e cantando, esse mundo ainda tem salvação.

 

Gonzaguinha, na sua canção: "O Que É, O Que É?", nos traz essa esperança:

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz / Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz."

 

Ainda.

 

REFERÊNCIA


(1)   GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Tradução de Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 1991.


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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

FUJA DOS TEIMOSOS!

 


Roberto Gameiro
Valesca Botelho (1)


Charles Bukowski (1920-1994), poeta, contista e romancista teuto-americano, escreveu:

“O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas ...”

Antes dele, Bertrand Russell (1872-1970), matemático, filósofo, ensaísta, historiador e lógico britânico, escreveu:

"O fundamental problema do mundo é que os idiotas são prepotentes e os inteligentes são cheios de dúvidas."


Duas frases com mesmo valor semântico. Dois pensadores relevantes. 


Essa mensagem cabe como uma luva atualmente, em que pessoas com pouco conhecimento a respeito de um tema específico acreditam piamente que sabem mais do que especialistas no assunto, enquanto estes estão cheios de dúvidas. 


Você conhece alguém assim? 


Não é difícil de achar. Eles estão por aí “aos montes”.


O fato é que indivíduos cheios de certezas param de aprender; bloqueiam-se para novos aprendizados. São afoitos, “falam grosso” e interrompem argumentações. Não ouvem o outro. Já sabem tudo!


Indivíduos inteligentes sabem que não são “donos da verdade” e aprendem com os resultados obtidos com suas dúvidas, sejam eles quais forem. Sabem ouvir. Quanto mais você aprofunda os conhecimentos, mais percebe a complexidade das variáveis. Isso não é fraqueza; é honestidade intelectual.


Chega-se, então, a um dilema. Deve-se discutir com burros?


A resposta, óbvia, é “não”.


Poupe a sua saúde mental, a sua sanidade. Quando você tenta convencer com argumentos um “burro” (no sentido da teimosia e da ausência de reflexão sobre si mesmo), você acaba descendo ao nível “intelectual” dele, e, nesse nível, ele é um expert, e você não. Ele dificilmente (e põe difícil nisso) mudará de opinião, porque, para ele isso seria uma derrota social, e não um saber agregador. 


Discutir, nesse caso, é uma armadilha em que você, invariavelmente, será o perdedor. 


É uma situação que enfrentamos, uma hora ou outra, queiramos ou não, que se torna até cansativa no dia a dia. 


Fuja deles!


REFERÊNCIA

(1) Valesca Botelho é Médica, pós-graduada em Pediatria e em Saúde Pública.


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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional  e em Design Instrucional. 


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