Roberto Gameiro
Há alguns anos, num dia útil de manhã, peguei um táxi para cumprir compromisso num outro bairro da cidade. Acomodei-me, indiquei o destino ao motorista, ao mesmo tempo em que colocava o cinto de segurança. Tudo nos conformes.
Ocorre que após algum tempo, o taxímetro já marcava R$13,00, quando percebi que havia, no aparelho, o que parecia ser um pequeno retalho de pano escuro cobrindo o espaço que indicava a “bandeira” (1 ou 2).
A propósito, por oportuno ...
“A principal diferença entre as bandeiras 1 e 2 no taxímetro é o custo por quilômetro rodado, sendo a bandeira 2 cerca de 20% a 30% mais cara que a bandeira 1. A Bandeira 1 aplica-se em dias úteis e horário comercial, enquanto a Bandeira 2 é usada no período noturno, fins de semana e feriados. Bandeira 1 (Tarifa Normal): Usada geralmente de segunda a sexta-feira, das 06h às 20h ou 21h (varia conforme a cidade). Bandeira 2 (Tarifa Superior): Aplicada das 20h/21h às 06h, aos sábados a partir das 13h ou 14h, domingos e feriados o dia todo. O que muda no bolso: O valor da bandeirada (inicial) não muda, mas o valor de cada quilômetro percorrido aumenta, tornando a corrida mais cara no valor final, para compensar o horário especial de trabalho.” (informação obtida através do “Gemini”)
Pois bem, continuando o relato.
Por necessário, questionei o motorista a respeito do fato de eu não conseguir enxergar, no taxímetro, a informação da bandeira que estava sendo utilizada na corrida; este, desconcertado, apressou-se em retirar o paninho, e, acreditem, estava na bandeira 2, em pleno dia útil. Isso significa que eu iria pagar, pelo menos, 20% a mais pelo serviço.
Então, ele corrigiu a bandeira para a “1”, e, então, vieram as suas justificativas:
Argumentou: “isso, deve ter sido o rapaz que usa este carro para corridas no período noturno; ele não vai mais usar este carro; pode ser que o paninho é o “cheirinho” aromatizante que voou e se fixou naquele espaço”; e outras alegações esquisitas das quais não mais me lembro pois faz muito tempo que esse fato aconteceu.
Outrossim, por mais estranhas que tenham sido as explicações do motorista, não tenho condições de afirmar que ele foi o autor da fraude (in dubio pro reo). Mas que foi proposital, não tenho dúvidas!
Mas, disse a ele que estranhava que o motorista da noite cobrisse aquela informação, pois, à noite, a bandeira é normalmente a “2”, não havendo motivo para tal ato. Aqui, não houve resposta.
Contudo, pediu desculpas e informou, à minha provocação, que daria um desconto no valor final, o que realmente ocorreu. Paguei em dinheiro e a corrida se encerrou.
Como consequência, nestes dias, lembrei-me desse acontecido ao refletir sobre a quantidade de golpes que são perpetrados a cada dia contra os cidadãos de bem por pessoas de mau caráter; agora, especialmente por telefone e pelas redes sociais. A cada momento surgem novas fraudes e golpes, frutos da “criatividade” dos bandidos; e, em compensação, nós, as vítimas, “inventamos” novas formas de nos proteger.
É, quase, uma "guerra".
Eu, por exemplo, no celular, defini um toque musical específico para chamadas dos meus conhecidos mais chegados e familiares; a esses toques, eu atendo. Qualquer outro toque de chamada, eu ignoro ou recuso, com a “certeza” de que 90% deles são golpes.
A que ponto chegamos!
Concluindo, é mister considerar que é o somatório dessas “pequenas” fraudes que ocorrem com qualquer um de nós, no dia a dia, que nos coloca, como povo, em desvantagem em relação a outras culturas mais desenvolvidas. Nem preciso mostrar exemplos. Cuidado!
Lamentável.
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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional e em Design Instrucional.
Contato: textocontextopretexto@uol.com.br
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