O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO - Para debates em família e na escola - Roberto Gameiro

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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

TEMPOS DIFÍCEIS CRIAM HOMENS FORTES



Roberto Gameiro


G. Michael Hopf, escritor e empresário editorial norte-americano, escreveu no seu livro de 2016 “Those who remain” (Aqueles que permanecem), a frase:


"Tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos bons, tempos bons criam homens fracos, homens fracos criam tempos difíceis".


Trata-se de um aforismo, um gênero textual que se apresenta com uma frase curta, concisa, de caráter pessoal e com uma ideia impactante. Não é um provérbio.


O texto pode ser analisado sob a forma da figura de linguagem “concatenação” que é quando o final de uma frase é repetido logo no início da frase seguinte, criando uma corrente que faz o texto parecer não ter fim.


Embora a frase seja muito citada e elogiada por uns, especialmente em palestras sobre liderança e comportamento humano, ela é alvo de críticas por resumir aspectos sociológicos complexos demais de forma determinista.


É aqui, no determinismo da frase, que a análise pode ser mais aprofundada, pois ela trata a trajetória humana como um círculo fechado e fatalista, sem levar em conta que as sociedades se desenvolvem por fatores como crescimento econômico, clima, educação, a acumulação de direitos e, atualmente, especialmente em tecnologia e a inovação dela decorrente, e não apenas por “fraqueza moral ou militar”.


Ou seja, o saber humano não é alcançado apenas pela dor, mas sobretudo através do avanço tecnológico, de uma educação de qualidade, do fortalecimento das instituições, do crescimento econômico sustentável e da cooperação cultural e social; e de muita perseverança e resiliência.


Afinal, se o sofrimento nos ensina a sobreviver, é a busca consciente pelo conhecimento e pelo bem comum que nos ensina a evoluir.


Mas, ainda para pôr um “salzinho neste tempero”, transcrevo uma mensagem de autor desconhecido que encontrei na Internet: “Se você acha que homens durões são perigosos, espere até ver o que homens fracos podem fazer.”.


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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional  e em Design Instrucional. 


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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

MENSAGEM - NOSSOS FILHOS, NOSSOS PORES DO SOL

               MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO
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         TEXTO PARA VERSÕES EM OUTRAS LÍNGUAS
         TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES

Feliz a família que consegue, unida e presente, apreciar os pores do sol aproveitando seus matizes para emoldurar e deixar fluir emoções, afetos e gestos amorosos. É um “deixar se levar” pelo silêncio de algo gigantesco que se nos apresenta todos os dias, com cores, luzes e movimentos que extrapolam o senso do objetivo e do subjetivo, da razão e da emoção, trazendo-nos suavemente à mente a grandeza do Criador. Nossos filhos são como pores do sol a iluminar nossos dias, acalentando-nos, desafiando nossas percepções e ensinando-nos que nem tudo pode ser objeto do nosso controle, mas que tudo pode ser sujeito de apreciação, amor, carinho e dedicação.
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quinta-feira, 30 de julho de 2026

A HUMANIDADE PRECISA ACABAR COM AS GUERRAS


Roberto Gameiro


Parte da Humanidade está doente.


Desde os irmãos Caim e Abel.


John Fitzgerald Kennedy, 35º Presidente americano, no seu discurso à Assembleia Geral da ONU, em 1961, disse:


“A humanidade tem de acabar com a guerra antes que a guerra acabe com a humanidade.”


Várias décadas nos separam desse momento histórico. Muitos já repetiram essa frase em circunstâncias de emoção, de tristeza, de tragédias, de genocídios e de esperança.


No entanto, as guerras estão aí espalhadas pelo mundo afora ceifando vidas, todas elas preciosas, desestruturando nações, instituições e famílias.


Causando traumas psicológicos, emigração de pessoas e danos patrimoniais. 


Rita Lee e Roberto de Carvalho compuseram, em 1980, uma musica que foi interpretada por Elis Regina, com o título "Alô, alô, Marciano".


Alô, alô, Marciano. Aqui quem fala é da Terra. Pra variar, estamos em guerra. Você não imagina a loucura. O ser humano tá na maior fissura ...


Escrita há 43 anos, essa letra cai como uma luva nos dias de hoje.


O drama da humanidade começou com uma pedra. Hoje, há o risco de uma guerra com armas nucleares, o que é deveras preocupante pois poderá provocar uma devastação em nível planetário.


Há, portanto, que se trabalhar incansavelmente para o desarmamento nuclear em todos os países. 


Eu sou um otimista por princípios. Procuro, sempre, encontrar o caminho da conciliação, do consenso, da paz.


Entretanto, na curadoria que desenvolvi para escrever este texto, encontrei mais expressões de desesperança realista do que de esperança pacificadora.


Uma delas, que me tocou demais, foi a que preconiza que se conseguirem encontrar vida em outros planetas, os humanos destruirão todos.


Entretanto, ainda há esperança. 


Um novo mundo é possível.


E começa pela Educação. Pela parceria positiva entre a Família, a Escola e a Igreja. A primeira, cuidando da educação para a moral, a ética e os bons costumes; a segunda, cuidando da formação das crianças e adolescentes, desde as mais tenras idades, para a aquisição de competências e habilidades que as levem a ser bons cidadãos, conscientes, partícipes e solidários; e a Igreja, promovendo o crescimento espiritual, o acolhimento  e o suporte.  


É a “Educação para a paz”, que se baseia nos valores de tolerância, compreensão e resolução pacífica dos conflitos, sejam eles familiares, sociais, profissionais, locais, regionais, nacionais ou globais. Deveria estar nos currículos escolares de todos os níveis de Ensino.

 

Segundo a INEE (Rede Interinstitucional para a Educação em Situações de Emergência), "a  educação para a paz é o processo de promoção de conhecimentos, competências, atitudes e valores necessários para criar mudanças no comportamento, que permitam às crianças, aos jovens e às pessoas adultas prevenir conflitos e violência, tanto explícitos como estruturais, resolver os conflitos de forma pacífica e criar as condições propícias à paz, seja a nível interpessoal, intergrupal, nacional ou internacional." [sic] 


As crianças e adolescentes de hoje serão os adultos que no futuro vão tomar as decisões que poderão evitar que a destruição advinda das guerras comprometa a nossa própria existência como humanidade.


Eu acredito! 


Ah! Em tempo - John F. Kennedy, 35º presidente dos Estados Unidos, foi assassinado em 22 de novembro de 1963 em Dallas, Texas, EUA, aos 46 anos de idade.


Publicado originalmente em 30/09/2023.


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sexta-feira, 17 de julho de 2026

REFLETINDO OU RUMINANDO?

 


Roberto Gameiro


Você é daquelas pessoas que ficam ruminando um assunto longamente antes de tomar uma decisão a respeito?


Que prejudicam seus fins de semana e até suas férias por não conseguirem se desligar de uma situação, geralmente desagradável, que acontece no campo profissional?


Que, com isso, baixam a qualidade dos relacionamentos familiares com cônjuge e filhos?


Que levam seus problemas pessoais pontuais para dentro do seu local de trabalho, ocasionando desconcentração e diminuição da produtividade?

 

Se sim, seja bem-vindo ao clube!


Um “clube” que, sob o meu olhar, só tem tendência de aumentar o número de membros, conforme a complexidade da práxis profissional e dos inter-relacionamentos sociais vai aumentando.


Sêneca, filósofo romano, escreveu: “Estamos mais frequentemente assustados do que feridos e sofremos mais na imaginação do que na realidade.”.


Muitas vezes, sofremos antecipadamente por algo que acabará não acontecendo.


Claro que há determinadas tomadas de decisão que exigem maior tempo de curadoria e reflexão pela sua complexidade e pelos efeitos colaterais que poderão trazer. Nessas situações, a análise e as ponderações aprofundadas sobre o tema podem ser propícias e salutares.


Nesses casos, a longa ruminação pode indicar uma postura de perseverança e de autodeterminação na busca de uma solução.


Entretanto, há que se cuidar para não se desperdiçar muita energia mental com assuntos, eventos e problemas que não merecem tanta preocupação.

 

Não é fácil encontrar o equilíbrio saudável entre a reflexão e a ação.

 

Ficar muito tempo “estacionado” ruminando sobre um mesmo assunto sem encontrar progresso na reflexão, pode ocasionar transtornos emocionais prejudiciais à saúde mental, especialmente se isso for recorrente.

 

Sempre há a possibilidade da busca de aconselhamento.

 

Você conhece alguém assim?


Publicado originalmente em 23/09/2023


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quinta-feira, 25 de junho de 2026

MENSAGEM - SENDO VOCÊ MESMO


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         TEXTO PARA VERSÕES EM OUTRAS LÍNGUAS
         TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES 

Noutro dia, li que Charles Chaplin quis provar uma teoria inscrevendo-se num concurso de sósias dele mesmo. Você já se imaginou participando de um concurso como esse? Provavelmente, você procuraria ser o mais natural que possível, falando com a mesma entonação de sempre, assim como os gestos e a expressão facial, andando no mesmo compasso que o caracteriza, discorrendo sobre temas que o fizeram se destacar no seu entorno. (...) Um concurso de sósias de mim mesmo! Que graça! Impossível eu não ganhar esse concurso, pois ninguém é tão igual a mim quanto eu mesmo! (...) Pois bem; Chaplin ficou em terceiro lugar no concurso. E o que ele provou? Charles Chaplin provou que se depender da opinião dos outros, você não serve nem para ser você mesmo.

























 

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quinta-feira, 18 de junho de 2026

SEJA A SUA MELHOR VERSÃO



Roberto Gameiro

 

Você já tentou endireitar uma banana?

 

Eu costumo brincar fazendo essa pergunta ao meu interlocutor quando percebo que estamos em uma luta inglória para mudar algo ou alguém.

 

Se há alguém que conseguimos mudar a partir dos nossos argumentos, esse alguém somos nós mesmos.

 

Cada pessoa tem seus valores e seus princípios, seu ritmo, suas dores e suas escolhas, sejam elas conscientes ou não. Estou me referindo aos nossos amigos, conhecidos, parceiro e familiares. Forçar a transformação de alguém, moldando-o às nossas perspectivas, é uma batalha fragorosamente perdida. 

 

É um verdadeiro desperdício de tempo tentar “consertar” quem não pediu para ser consertado, assim como motivo de muita frustração, além de nos afastar do que realmente importa.

 

Na verdade, o que é realmente significativo é cuidar do nosso próprio jardim, em vez de nos preocuparmos com o jardim alheio; é direcionarmos o foco da nossa vida para nós mesmos, para o nosso conhecimento, nossos saberes, inteligência emocional e bem-estar.

 

Faça uso da sua energia para se transformar na melhor versão de si mesmo; quando você faz isso, acaba atraindo as pessoas certas para o seu convívio.

 

Assumir o protagonismo da própria história não é ato de egoísmo, mas de sabedoria. Aliás, existe um mito de que pensar em si mesmo é ser egoísta; quando você assume o protagonismo da sua vida, você se torna mais leve, mais equilibrado cognitiva e emocionalmente. Você passa a ser uma pessoa melhor para si e, consequentemente, para os outros.

 

Para mudar o mundo, o caminho mais eficiente e eficaz é começar mudando a si mesmo.


Carl Rogers (1902-1987), psicólogo estadunidense, escreveu: "Descobri que sou mais eficaz quando me posso ouvir a mim mesmo, aceitando-me, e quando posso ser eu mesmo.".

 

Priorize-se!

 

Seja a melhor versão de si mesmo!

 

Você já tentou endireitar uma banana?

 

Rss.


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sexta-feira, 12 de junho de 2026

COMPETÊNCIAS TÉCNICAS VERSUS COMPORTAMENTO PESSOAL



Roberto Gameiro

 

Você já percebeu que a maior parte das dispensas de colaboradores nas empresas se dá em função do comportamento pessoal do indivíduo, mesmo que ele tenha ótimas competências e habilidades técnicas?

 

Felizes são os gestores que podem direcionar seu foco na produtividade, na criatividade, no crescimento e no desenvolvimento, sem ter de desperdiçar energia para resolver problemas de atritos e desgastes interpessoais dos colaboradores; nessa situação, o clima organizacional, que deveria ser colaborativo, passa a ser caracterizado por tensões constantes que causam redução de produtividade e, consequentemente, redução no atingimento de objetivos e metas da empresa.

 

Por outro lado, quando os colaboradores respeitam e são respeitados emocionalmente, a motivação coletiva aumenta substancialmente, contribuindo para a redução do estresse. Profissionais com autocontrole dificilmente têm reações impulsivas e inconsequentes diante de conflitos, e mantêm alto grau de produtividade, pois transformam as eventuais tensões em oportunidades para a busca de soluções criativas que reforçam o foco nos resultados de qualidade.

 

Daí, a importância do feedback, constante e qualitativo, no acompanhamento da performance dos colaboradores.

 

A inteligência emocional já não é apenas uma habilidade desejável, mas uma competência estratégica necessária no ambiente corporativo. Quando os gestores e colaboradores conseguem administrar positiva e reciprocamente suas emoções, o impacto nos resultados da organização é visível.

 

A competência técnica é fácil de ser mensurada no processo de recrutamento e mais fácil de ser aprimorada no dia a dia; mas o que garante a permanência da pessoa em uma empresa é a forma como ela se relaciona no ambiente de trabalho. O comportamento pessoal envolve habilidades difíceis de serem observadas em provas ou entrevistas, mas símplices de serem identificadas no cotidiano.

 

Portanto, fiquemos atentos, pois o sucesso profissional não depende apenas das nossas competências e habilidades técnicas, mas, especialmente, das nossas posturas e ações em relação às pessoas com as quais nos relacionamos, sejam elas pares ou gestoras.


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sexta-feira, 5 de junho de 2026

ESTAR CERTO OU PERTENCER?



Roberto Gameiro


Noutro dia, assisti a um vídeo na Internet, de Márcia Luz, escritora brasileira, no qual ela afirma: 


“O cérebro humano não foi feito para estar sozinho contra muitos; ele foi feito para pertencer, e quando você tem que escolher entre estar certo e pertencer, a maioria escolhe pertencer.’.


É isso que acontece quando você está no lugar errado e com as pessoas erradas, que nada têm a ver com a educação que recebeu, seu caráter e sua personalidade. Você até tenta impor-se da maneira que entende como justa, correta e honesta. Mas são muitos os que pensam e agem diferente de você e te envolvem de tal maneira que você acaba cedendo e se tornando mais um deles, mesmo contra seus princípios e valores familiares; e, com o tempo, você acaba achando que são eles que estão certos.


Essa é uma característica do cérebro humano. Ele foi desenvolvido, ao longo dos tempos, para o pertencimento, e não para o isolamento. Há os que afirmam que, para o nosso cérebro, “não pertencer” dói muito; tanto quanto um ferimento profundo. 


Nós, seres humanos, somos indivíduos sociais, antes de sermos racionais.  


Assim, quando escolhemos “pertencer” em vez de “estar certos” num relacionamento coletivo, pode, para nós, não significar necessariamente fraqueza de caráter, mas um reflexo cognitivo. É o cérebro tentando nos manter seguros no meio de muitos. Entretanto, esse tipo de postura causa muito estresse e esforço emocional que incomodam muito, pois tendemos a assumir as propostas do grupo em detrimento das nossas próprias convicções.


Há um ditado popular que diz: "A solidão é um preço alto demais para a maioria das pessoas pagar pela integridade intelectual.”.


Quando você procura viver a sua melhor versão, a verdadeira, num processo de amadurecimento e desenvolvimento, tem de fazer escolhas; entre elas, a mudança de hábitos, a autoimposição de limites nas posturas e ações, e, com certeza, afastar-se daqueles que não são ressonantes com seu jeito de ser e seu sentido de vida.


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quinta-feira, 28 de maio de 2026

COMO EU ME VEJO E VOCÊ ME VÊ




Roberto Gameiro


É de Clarice Lispector (1920-1977), escritora e jornalista ucraniana naturalizada brasileira, a afirmação: “Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania. Depende de quando e como você me vê passar”.


Cada um de nós tem uma imagem de si próprio, fruto das vivências e do concerto formado pelas características da personalidade e do caráter.


Nem sempre a forma como nós nos vemos coincide com a forma como os outros nos veem. Essa relação não necessariamente coincidente tem a ver com os valores que direcionam os olhares do emissor e do receptor, o que significa que não se pode afirmar que uma das visões é mais correta do que a outra.


Nesse contexto, o escritor e conferencista Paulo Vieira complementa: “A maneira como você se vê determina suas escolhas, ações, reações e, sobretudo, os resultados que tem e terá na vida”, e que “Nossas crenças sobre nós mesmos influenciam todas as nossas escolhas mais significativas e importantes, direcionando todas as nossas decisões e, portanto, determinando a vida que levamos.”.


Isso ocorre de maneira especial com as crianças e adolescentes que, por não terem ainda as conexões cerebrais suficientemente amadurecidas, apresentam tendências de copiar comportamentos sem passá-los pelo filtro da razão, o que atrapalha o discernimento da forma como se veem, e se sujeitam a aceitar facilmente a forma como os outros os veem.


Por isso, a importância da existência de “pessoas de referência” na educação e formação das crianças e adolescentes. De preferência, os próprios pais. Pessoas que sejam presentes e inspiradoras de posturas e ações construtivas e saudáveis, que encarnem valores profundos e os proclamem com força significativa para auxiliá-los no processo de amadurecimento de suas conexões cerebrais. 


Leve-se em conta, também, quem nos vê e, como escreve Clarice Lispector, quando e como nos vê. Dependendo do quem, onde, como e quando nos veem, poderemos ser valorizados positivamente ou negativamente. Procuremos, portanto, sempre que possível, estar nos lugares certos, nos momentos certos e com as pessoas certas, não nos sujeitando a sermos “avaliados” por pessoas erradas e inadequadas.


Carl Rogers (1902-1987), fundador da psicologia humanista, afirmou: “Todo ser humano, sem exceção, pelo mero fato do ser, é digno do respeito incondicional dos demais e de si mesmo; merece estimar-se a si mesmo e que se lhe estimem.”.


Cuidemos da nossa autoestima.


Artigo editado e publicado no jornal "O Popular" de Goiânia em 16/04/2019.


Publicado originalmente neste blogue em 29/04/2019


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quinta-feira, 14 de maio de 2026

O COMPUTADOR CONSTRÓI CONHECIMENTOS?

 



Roberto Gameiro


Já tive oportunidade de, em alguns posts, comparar a memória do computador com a memória humana. 


A memória RAM do computador pode ser comparada com a nossa memória de curto prazo; elas se dissipam, não permanecem. E o HD do computador pode ser comparado à nossa memória de longo prazo; elas permanecem; no computador, porque estão “salvas”; no nosso cérebro, porque se transformaram em “conhecimentos prévios”. 


Por que salvamos um arquivo no computador? É porque o conteúdo dele nos interessa; porque é relevante; porque queremos tê-lo à nossa disposição para usos futuros ...


Por que transformamos determinados dados e ou informações em nossa memória como conhecimentos prévios? Pelos mesmos motivos acima ...


Essa estrutura conjugada do transitório com o permanente é referência tanto para o processamento de dados digitais quanto para a formação da cognição humana, possibilitando a priorização daquilo que é essencial, facilitando a resolução de situações-problema ao longo da vida.


Mas, você percebeu que quem comanda as decisões nos dois casos é o nosso cérebro? A nossa vontade? 


Não estou me referindo à capacidade de armazenamento, até porque a nossa memória possui capacidade imensurável de armazenamento, enquanto um HD, mesmo os externos, tem limitação definida.


Estou me referindo à origem das decisões. Tanto a decisão de salvar um arquivo, quanto a mobilização da força mental para memorizar algo, dependem da vontade humana. É o nosso cérebro, a nossa intenção, que determina o que deve ser mantido e o que pode ir para o esquecimento, assegurando que nosso intelecto seja formado e mantido com sabedoria que enriqueça a nossa trajetória pessoal e profissional.


O cérebro é o nosso comandante; é ele que tem o dom de decidir, inspirado naquilo que nós gostamos e queremos.


Entretanto, se a memória humana tiver sido, com obstinação, abastecida com mentiras e falsidades, não se poderá esperar decisões saudáveis desse cérebro.


De qualquer forma, há que se admitir que no universo aqui analisado, quem constrói conhecimentos é o nosso cérebro, a nossa memória, moldados pelos conhecimentos prévios ali já existentes. O computador não constrói conhecimentos; ele é apenas depositário de arquivos escolhidos pela vontade humana, e os processa quando instado a fazê-lo.


O ser humano é o verdadeiro protagonista do conhecimento e dos saberes dele decorrentes.


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quinta-feira, 23 de abril de 2026

CUIDADO - CRIANÇA - CONTÉM SONHOS!


Publicado originalmente em 16/04/2022


Roberto Gameiro


Mirko Badiale, filósofo italiano, escreveu certa vez: “Deve ser colocada uma placa em cada criança que diga:


          "Trate com cuidado. Contém sonhos”. 



Nós, professores, somos seres privilegiados pois tratamos, diariamente, com os tesouros mais valiosos deste mundo: as crianças. 



Como é gratificante conviver com “serzinhos” tão especiais que chegaram num mundo que já existia e ao qual estão se abrindo, conhecendo, interagindo, sentindo-se parte e percebendo, ao longo dos anos, que podem (e devem) intervir nele para torná-lo melhor.  


O que dizer, então, dos pais que os geraram e têm a alegria, a emoção e a responsabilidade de os educar, formando-os para o bem e para valores morais e éticos saudáveis, dedicando-lhes um amor que é infinito, e por quem dariam a própria vida para garantir e preservar as deles.


Cada uma delas (as crianças) vai crescendo e, aos poucos e sempre, construindo um sentido para sua vida baseado nas suas vivências e nos ensinamentos vindos dos pais, da escola e da igreja. 


Sentido de vida se constrói com base em sonhos. E as crianças os têm e muitos. Qual a criança que não tem uma resposta pronta para a pergunta “o que você quer ser quando crescer?”. A resposta pode ser uma num dia e outra bem diferente no dia seguinte, tal a vitalidade do que passa na mente e no coração de uma criança. 


Cabe a nós, adultos, proporcionar às crianças condições favoráveis para que sejam crianças enquanto ainda são crianças, dando-lhes oportunidades para brincar, e brincar muito, pois as brincadeiras desenvolvem nelas a capacidade de se relacionar consigo mesmas e com os outros, contribuindo para que deem conformidade aos seus sonhos, aos seus projetos de vida. 


A propósito, entre os “Direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil” propostos na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), está:


“Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.”


Mas não são apenas as crianças que têm sonhos. Nós, adultos, também os temos. E muitos! Ainda bem! E nesta seara, há que se ponderar que um sonho sem objetivo é apenas um sonho; nada mais. 


Augusto Cury escreveu:


“Sem sonhos, a vida não tem brilho. Sem metas, os sonhos não têm alicerces. Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais. Sonhe, trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para executar seus sonhos. Melhor é errar por tentar do que errar por se omitir!” (Você é insubstituível. Rio de Janeiro: Sextante, 2002)


Portanto, caro leitor, vá atrás dos seus sonhos de criança e de adulto. Só você pode torná-los realidade. Seja protagonista dos seus sonhos. Não seja um simples coadjuvante dos sonhos dos outros.


Assuma a placa que diz:


                      "Contenho sonhos!" 




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quinta-feira, 9 de abril de 2026

EMPREENDEDORISMO - SIM OU NÃO?

 


Roberto Gameiro


"Só você pode realizar seus sonhos. Portanto, seja protagonista dos seus sonhos; não seja simples coadjuvante da realização dos sonhos dos outros." 


Essa frase, de minha autoria, propicia uma boa reflexão a respeito de “carreira profissional”.


Você, que tem trabalhado em grandes corporações e ou para terceiros, fazendo o que gosta de fazer, há um bom tempo, já parou para aquilatar o capital cognitivo, de experiência, de relacionamentos e de know-how (técnico, cultural e administrativo), que possui na sua área de atuação, e que poucos possuem?


O que escrevi no parágrafo anterior trouxe-lhe alguma ideia?


Se sim, saiba que uma ideia pode se transformar num ideal. Um ideal pode se transformar num projeto; um projeto terá metas de curto, médio e longo prazos.


Estou falando de empreendedorismo.  


Numa sociedade consumista como a nossa, é normal haver pessoas que dedicam a aplicação do seu potencial cognitivo e seu tempo de vida profissional para promover, estimular e contribuir para o alcance de objetivos e metas de pequenas, médias e grandes organizações, deixando para segundo plano suas aspirações pessoais e seus próprios desejos.


Entretanto, em relação à ideia que decorre da interpretação da frase inicial, “empreendedorismo”, que pode ser tomada como o ponto mais alto da realização profissional, há que se ponderar que, para ser protagonista, não se exige necessariamente um CNPJ. 


Há os que consideram que o capital cognitivo que possuem não é causa suficiente para se direcionar para um negócio próprio, mas um incentivo para consolidar uma carreira ascendente numa organização bem estruturada, acreditando que ter um CNPJ próprio é um risco desnecessário, diante das possibilidades decorrentes de êxitos já consistentes, seguros e estáveis.


Se por um lado a ideia pode se transformar em ideal, há que se levar em conta que a execução da retomada traz o empresário noviço para a dura realidade de ser o responsável por tudo na empresa enquanto ela não “deslancha”.


Por isso, há algumas perguntas que precisam ser respondidas positivamente antes de tomar a decisão final; 

1- A decisão é imutável? 

2- Você tem lastro financeiro para bancar as despesas familiares e as de implementação da empresa nos primeiros meses?

3- Você é resiliente e persistente o suficiente para enfrentar os “não”, que, no início, serão mais frequentes do que os “sim”?


Então, se você sente que seu capital cognitivo estendeu-se para além do limite do seu crachá e tem o fôlego necessário para enfrentar as intempéries do mercado, o empreendedorismo é o seu próximo passo.


Com ele, você terá o seu próprio plano de negócio, com objetivos e metas de curto, médio e longo prazos, definirá a abrangência e os limites da sua atuação, organizará o seu horário de trabalho, terá autonomia e independência para fazer o que entender produtivo e rentável, tomará as decisões estratégicas, não terá um teto para o lucro, e poderá desenvolver habilidades multidisciplinares como liderança e gestão de pessoas, capacidade de negociação e vendas, e, importante, resiliência e inteligência emocional para enfrentar incertezas.


Entretanto,


1- Teste o serviço/produto enquanto ainda mantém o vínculo CLT;

2- Não peça demissão para testar uma ideia. Use o seu tempo livre atual para criar um produto viável;

3- Sair da CLT com as portas abertas é um ativo valioso. O mundo corporativo é oscilante e sua reputação é seu patrimônio mais importante!

4- Cerque-se de quem entende do assunto e pode ajudá-lo consistentemente. Sugiro o SEBRAE:      https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae


Bons negócios!


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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional  e em Design Instrucional. 


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