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Roberto Gameiro
“Existem momentos na vida, em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis e, por mais que a gente pense numa forma de empregá-las, elas parecem não servir. Então a gente não diz, apenas sente.” (autoria desconhecida)
Certa vez, ouvi de uma pessoa muito querida algo mais ou menos assim: “quando eu estiver triste, introspectiva ou chorando, não tente me consolar; apenas fique ao meu lado com sua presença.”
As palavras têm um limite após o qual são indizíveis. Isso acontece quando das experiências mais profundas do ser humano. Nesses momentos, a falta de palavras não é ausência de comunicação, mas uma forma muito superior a ela. Nessas situações, a gramática e o vocabulário falham e o sentimento impera.
Você já tentou descrever com palavras uma situação de luto? Ou uma situação de extrema alegria? A experiência vivida é sempre mais precisa e imediata do que qualquer descrição que se tente fazer dela.
Dessa forma, no luto, especialmente, mais vale um abraço carinhoso e fraterno do que qualquer frase tipo “meus pêsames”.
Também no amor, o olhar terno, sincero e de total confiança, não precisa de palavras para externar pensamentos e sentimentos.
Para que uma frase, ou palavra, seja significante, é preciso que ambos, emissor e receptor, estejam na mesma sintonia emocional. Em momentos de profunda emoção, qualquer fala bonita tem menos expressão do que um aperto de mão, um abraço, ou a presença ao lado do outro. O corpo e o olhar transmitem o que as palavras não conseguem, através de gestos, posturas e contato visual.
Em uma sociedade repleta de mensagens de texto, de áudios e emojis, há que se lembrar que a presença física e a vulnerabilidade são insubstituíveis; as palavras transmitem a informação e explicam o mundo, mas o sentimento é transmitido e acolhido apenas pelo corpo.
Clarice Lispector afirma, na sua obra "A Paixão Segundo G.H”, que “o que realmente se vive é o que não se pode dizer”. (1)
REFERÊNCIA
(1) LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H. Rio de Janeiro, Editora do Autor, 1964.
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Roberto Gameiro
Nelson Rodrigues escreveu: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser um tigre eternamente. Um leão há de preservar, até morrer, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo.”. (1)
O texto acima, abaixo referendado, foi publicado em Jornal, entre dezembro de 1967 e junho de 1968; e notem a atualidade do seu significado e contexto.
O título deste artigo nos remete a uma reflexão acerca do caminho que está tomando a humanidade neste momento histórico.
O ser humano foi criado com o dom do “livre-arbítrio”; com essa vantagem, diferentemente da fauna, o homem pode assumir mentiras e construir personagens sob as quais esconde a sua face verdadeira.
Dessa forma, o indivíduo abdica de sua autenticidade e se desumaniza, tornando-se uma falsificação de si mesmo, negando a sua natureza racional. A desumanização é consequência do somatório de pequenas falsificações que destroem o que temos de mais vital.
Essa desumanização é contagiosa em relação ao ambiente em que se convive; e a consequência disso é a falsificação do mundo, que deixa de ser real, tornando-se um organismo artificial, no qual as pessoas perdem a sua identidade e até a sua dignidade. Uma pessoa que não é verdadeira consigo mesma não enxerga com clareza o mundo que a cerca, e projeta sobre ele bases falsas que, cumulativas, podem trazer consequências danosas à humanidade.
Daí em diante, as pessoas, contagiadas, ficam feito “baratas tontas”, procurando suas identidades, sem saber se seus princípios e valores ainda são significativos ou não, o que é verdade ou não, e em que acreditar. Uma verdadeira crise de identidades.
Portanto, a liberdade humana, o dom do “livre-arbítrio, pode trazer consequências boas e ruins, pois somos os únicos que podem escolher o que ser, mas, igualmente, os únicos que podem trair essa escolha. Estamos expostos a riscos consideráveis de perder nossa própria identidade devido à influência de informações enganosas.
Que bom seria se, como a fauna, fossemos seres de “essência plena”, em que o ser e o agir coincidem de forma absoluta.
Ser de verdade é trabalhoso e exige coragem e determinação, mas é a única forma de impedir que nossa autenticidade se afogue no meio de tanta falsificação.
Mas há esperança. O mundo tem mais gente do bem do que do mal.
Façamos a nossa parte.
REFERÊNCIA
(1) RODRIGUES, Nelson, 1912-1980. O óbvio ululante: as primeiras confissões / de Nelson Rodrigues. Rio de janeiro: Agir, 2007.
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Roberto Gameiro
No evento promovido pela escola, num sábado pela manhã, para os professores, depois de noventa minutos de oratória, o palestrante comenta que o tempo já se esgotou, mas faz a pergunta final: alguém tem mais alguma pergunta ou colaboração?
Todos, cansados, já estavam se arrumando para sair, mas acontece novamente. Ele, e sempre ele, que estava sentadinho caladinho lá no fundo o tempo todo, levanta o braço. Os colegas olham uns para os outros como que dizendo: de novo?!
Aí, ele faz uma pergunta que procura desmontar muitos dos argumentos usados pelo palestrante, ou para cuja resposta seria necessária uma dissertação de mestrado...
Claro que ele está exercendo um direito que lhe é devido. Afinal, o palestrante fez a pergunta e deu-lhe a deixa para a sua oportunidade (ou inoportunidade) de participação “aos 46 minutos do segundo tempo”.
Você já viu esse “filme”?
Eu já. E muitas vezes. E não só em reuniões de escola.
Nessas ocasiões, apesar do descontentamento, há, geralmente, uma postura de compreensão e discrição da parte dos colegas, que “desculpam” a “falha” do outro, evitando constrangimentos.
Mas haja compreensão e discrição!
Há, também, num ambiente coletivo, os que veem apenas a “parte vazia do copo”. São os eternos pessimistas que ou não concordam, ou se omitem, em relação aos novos projetos, iniciativas e empreendimentos; se dão certo, calam-se; se dão errado, dizem: eu não disse? Têm poucas vitorias próprias. Suas vitórias constituem-se dos insucessos alheios. Claro, também, que há que se desconfiar dos que veem apenas a “parte cheia do copo”. Otimismo demais é perigoso!
Na vida, encontramos (também) muitas pessoas que tendo uma situação econômica e financeira privilegiada procuram mostrar uma imagem de benevolentes, assistencialistas, gente do bem, que aparecem constantemente nas mídias. Muitos valorizam o supérfluo, o superficial, o material, o que têm. E não se preocupam com o principal, que é a honestidade, a justiça e a verdade. Quantos desses temos conhecido ultimamente no nosso país. Que decepção sentimos em relação a cada um deles ou delas, por termos neles acreditado.
“Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade. Eis o que era preciso praticar sem deixar o restante. Guias cegos! Filtrais um mosquito e engolis um camelo.” (Mateus, 23, 23-24)
Entretanto, personagens como os aqui retratados, não são maioria na nossa sociedade, embora “façam muito barulho”. Eu mesmo já encontrei alguns deles na minha carreira de diretor de escola particular. Mas, com uma gestão humanizada, participativa e baseada em valores, eles pouco conseguiam influenciar negativamente o desempenho e a performance do coletivo escolar, fossem eles professores, gestores ou pais.
Como é bom saber que no mundo há mais gente do bem do que do mal; mais gente respeitosa e solidária do que não. As pessoas que já conheci e com quem trabalhei e trabalho, na sua maioria, são honestas, verdadeiras, sinceras e procuram ser justas e coerentes nas suas posturas e ações. Mas não basta parecer justa; é preciso ser justa. Entre “parecer” e “ser” há uma grande distância.
Vamos, então, respeitar o espaço e o tempo dos outros, valorizar as iniciativas deles e, sempre que possível, apoiá-las; vamos ser verdadeiros na nossa práxis e, especialmente, ser exemplo para nossa família, com doçura e firmeza, mormente na educação dos nossos filhos.
Mas, por outro lado, não deixemos de oportuna e inoportunamente levar a Boa Nova do Evangelho a todos com quem convivemos ou nos relacionamos, como pede o texto bíblico.
Publicado originalmente neste blogue em 30/08/20.
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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional e em Design Instrucional. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br
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“Quando uma história começa a ter vírgulas demais, é porque está chegando a hora de colocar um ponto final.” (autoria desconhecida)
Pense num texto que relata um relacionamento que se inicia, seja ele familiar, amoroso, de amizade, ou profissional. Provavelmente, na introdução, esse texto conterá pontos de exclamação que ensejem as possibilidades de novos aprendizados, novos conhecimentos e emoções. Mas poderá, eventualmente, conter alguns pontos de interrogação, próprios de quem está ingressando numa seara ainda não conhecida.
Não estou falando de início alvissareiro e final duvidoso, ou indefinido, ou desfavorável, ou alegre, ou triste. Tudo na vida tem um começo, um durante e um final; a começar pela própria vida.
O excesso de vírgulas nos faz lembrar do possível uso abusivo de apostos e intercalações de textos, pausas, explicações demais, como tentativas de justificar a continuação de algo que já não tem sentido.
O ponto final, então, representa a necessidade de colocar um fim naquele nonsense.
A frase pode ser lida e interpretada no sentido literal; entretanto, está, também, ancorada num sentido figurado, pois se utiliza de sinais da escrita, vírgula e ponto final, para, metaforicamente, expressar uma situação que poderia ser caracterizada como “encheção de linguiça”.
Outrossim, essa situação não ocorre apenas em textos escritos. É o que tem acontecido, por exemplo, com muitas séries televisivas que não mereciam ter nem a segunda temporada, e outras que “nunca” terminam, “passando do ponto” e se estendendo mais do que o esperado com temporadas desnecessárias, causando cansaço nos espectadores.
A vírgula é o sinal mais usado na língua portuguesa escrita; indica pausas na leitura, separa elementos de uma frase, evita ambiguidades e torna informações mais claras, compreensíveis e de acordo com o sentido desejado por quem escreve.
“Mãe só tem uma” é diferente de “Mãe, só tem uma”. Vejam que o simples uso de uma vírgula mudou completamente o sentido da frase.
Daí, a profundidade semântica contida no texto que encima este artigo. Ele traz no seu bojo uma mensagem que desafia a nossa interpretação mental, extrapolando o sentido literal, e conduzindo-nos a uma analogia entre o sentido próprio e o figurado.
Renato Russo (1960-1996), cantor, compositor, produtor e multi-instrumentista brasileiro, escreveu, lá na década de 1980: “se fala demais por não ter nada a dizer.”.
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