O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO - Para debates em família e na escola - Roberto Gameiro

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

AS APARÊNCIAS ENGANAM

 

Roberto Gameiro


“As Aparências enganam” foi uma página publicada pela revista “O Cruzeiro” que foi um dos mais importantes periódicos da imprensa brasileira entre 1920 e 1980. O autor era o chargista pernambucano Carlos Estêvão; ele desenhava uma cena, muitas vezes vista através da sua sombra, que, à primeira vista parecia uma coisa escandalosa ou suspeita, mas que, quando revelada por inteiro, mostrava algo diferente, inocente e ingênuo. 


Pena que acabou. 


Lembrei-me dessa publicação ao me propor a escrever sobre um assunto recorrente nos dias de hoje na imprensa e nas redes sociais, a saber:


“Às vezes, alguém presencia uma cena, supõe o restante e confunde imaginação com conhecimento. É como julgar um livro pela capa.”


Os relacionamentos humanos são marcados por diálogos, silêncios, pausas e imagens que muitas vezes não são perfeitamente assimilados pelos sentidos ao olhar superficial.  Isso é causador de muitos conflitos e mal-entendidos. Trata-se de uma tendência humana de preencher lacunas comunicacionais com suposições e tê-las como verdades absolutas; no entanto, na maioria das vezes, trata-se de mentiras; e uma mentira repetida constantemente acaba parecendo verdade. 


Triste.


Para superar essas situações contraditórias e até vexatórias, há que se substituir a certeza imaginada pela curiosidade efetiva e genuína. 


Perguntar não ofende.


Dar ao outro o benefício da dúvida em vez de dar “asas à imaginação”, desde que não haja “segundas e maldosas intensões”, exige um esforço consciente de desaceleração mental, que é a prática intencional de reduzir a velocidade do fluxo de pensamentos que norteia o dia a dia contemporâneo. 


É uma busca do equilíbrio mental.


Isso porque o hábito de fazer julgamentos apressados baseados em recortes de fatos, cenas ou imagens, corrói a confiança e o afeto, causando distanciamento entre pessoas que deveriam ser suporte seguro umas em relação às outras.


Se não tomarmos cuidado, correremos o risco de nos perder da grande riqueza da diversidade humana por substituir a empatia pelo julgamento infrutífero.


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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional  e em Design Instrucional. 


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