domingo, 31 de maio de 2020

A PANDEMIA DA COVID-19 E OS PROFESSORES

Corona, Coronavírus, Vírus, Empresária

Roberto Gameiro

Por incrível que possa parecer, a pandemia da COVID-19 está trazendo um fato novo, esperado por todas as pessoas de bom senso, mas que se apresentava como difícil de ser concretizado nesta sociedade em que muitos querem fazer valer os seus direitos, ou pretensos direitos, mas cumprem pouco os seus deveres, mesmo aqueles subjetivos como a valorização do trabalho e das competências dos outros.

Ainda é cedo para afirmar se esse fato vai perdurar por muito tempo ou não, já que outra característica desta coletividade é a “memória curta”.

Refiro-me à valorização do trabalho, das competências e das responsabilidades dos professores, especialmente aqueles da Educação Básica.

De repente e inusitadamente, pais e mães estão em casa, isolados, 24 horas por dia, com seus filhos. É uma experiência nova que não pode ser comparada, por óbvio, com os períodos de férias escolares.

Antes da pandemia, podia parecer que tudo estava bem e indo como sempre nas escolas públicas e privadas. Muitos alunos continuavam a desrespeitar os professores, a desvalorizar o seu trabalho e, em muitos casos, a vê-los como empregados seus. Os professores continuavam a ser vigiados por alguns pais que, especialmente pelas redes sociais, não lhes davam trégua; idem em relação aos coordenadores, seus auxiliares e diretores. Embora esses pais talvez não percebessem, estavam fazendo mau uso do que tinham.

Parecia. Mas não estava “tudo bem”. Mas, sim, estava “tudo como sempre”.

Com os professores desprestigiados e desvalorizados, inclusive nos salários, em especial nas redes públicas, começou desde há alguns anos, a debandada docente para outras ocupações e a redução das matrículas nos cursos de licenciatura no país todo. Hoje, algumas escolas públicas não têm professores de determinadas disciplinas.

Agora, com a pandemia, muitas escolas continuam na sua missão de levar a aprendizagem aos seus alunos através da Internet. Os professores estão tendo de se superar exercendo uma ocupação para a qual não foram previamente capacitados, preparando e “dando” aulas e atividades para seus alunos através das redes sociais, com o objetivo de não interromper o processo de ensino, o que seria muito danoso. E as escolas, com a mesma preocupação, estão investindo nessa tecnologia, inclusive em algumas redes públicas, embora saibamos que um enorme contingente de famílias não tem acesso à Internet; e aqui está um óbice deveras preocupante que faz por merecer atenção especial das escolas e das autoridades constituídas.  

É neste momento que pais de diferentes perfis, ao ter de acompanhar, supervisionar e ajudar os filhos na execução das tarefas e atividades, têm reações divergentes a respeito dessa situação; alguns elogiam as escolas e os professores, outros reclamam porque entendem que as escolas e os professores estão a exigir muito de seus filhos (e deles); há que se compreender essas diferentes reações porque também os pais e os estudantes estão tendo de se adaptar a uma situação inédita que exige uma rotina diferenciada para a qual nem todos têm as competências necessárias (e não têm a obrigação de tê-las). 

Entretanto, devemos levar em conta que estamos no meio de um “furacão” chamado COVID-19 no mundo todo, e que numa pandemia como essa cada um de nós tem de se superar e enfrentar com discernimento e sem pânico o seu desafio particular, sem deixar de contribuir para o bem-estar da comunidade em que se insere.

De qualquer maneira, mesmo com as divergências, a sociedade como um todo agora parece ter um olhar diferente para o nobre trabalho das escolas e dos professores e lamenta o que já não tem, mesmo que temporariamente. Famílias estão percebendo a falta que fazem os professores e as escolas no dia a dia na formação e na educação dos seus filhos. É na falta que se valoriza o que não se tem.

E os pais podem perceber, segundo o meu olhar de ex-diretor de escola particular, em muitos momentos, a admiração que seus filhos têm pelos seus professores, que aparecem ali nas telinhas do smartphone e ou do computador, nas suas casas, aproximando-se deles com muito afeto, compreensão e ternura, admiração essa que muitos deles nem sabiam que tinham.

Quando a situação voltar à normalidade, acredito que a relação aluno-professor estará depurada, aperfeiçoada e, obviamente, melhorada, assim como a relação pais-professores-escola.

Já se disse que estamos numa “mudança de época”. Espera-se que apesar dos males que essa pandemia está trazendo para o mundo todo, ocorra, no nosso país, uma vertiginosa guinada nos relacionamentos no campo da educação, com a necessária valorização das escolas e de seus professores. Talvez esse seja um largo passo para, como consequência, aumentarmos a eficiência e a eficácia das escolas, especialmente as públicas, e atingirmos melhores colocações nos rankings educacionais mundiais.

É uma oportunidade que não poderemos perder, mas investir nela.


Em tempo: o Papa Francisco, durante uma Missa na Casa Santa Marta, no Vaticano, dirigiu seu pensamento às dificuldades de docentes e alunos com as escolas fechadas em muitos países por causa da Covid-19. Veja o vídeo:   https://www.vaticannews.va/pt/papa-francisco/missa-santa-marta/2020-04/papa-francisco-missa-santa-marta-coronavirus-professores-alunos.html


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Roberto Gameiro é Palestrante, Consultor e Mentor nas áreas de “Gestão de escolas de Educação Básica” e “Educação de crianças e adolescentes”. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br

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