O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO - Para debates em família e na escola - Roberto Gameiro
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
MENSAGEM - OS JOVENS E A INDIVIDUALIDADE
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
A VALORIZAÇÃO DO OUTRO
Roberto Gameiro
Muitas vezes, fazemos as perguntas erradas que por certo nos levarão a respostas erradas. O indivíduo humano é um ser de relações. Relações de vida. De vida em abundância.
Certa vez, quando garoto, consegui completar um álbum de figurinhas que prometia como prêmio uma máquina fotográfica. Comprei a última figura que faltava por um determinado valor e fui, com ar de vitorioso, retirar o meu “prêmio”. Foi quando constatei que tinha pagado pela tal figurinha “carimbada” uma quantia bem maior do que valia o objeto que “ganhei”; despendi mais do que recebi. Esse fato ficou marcado na minha trajetória de vida, constituindo um aprendizado significativo que, vez ou outra, me vem à mente.
A propósito, noutro dia, estive me fazendo algumas perguntas: quanto vale investir numa amizade? quanto vale ser útil para alguém? quanto vale investir num amor? quanto vale investir na educação de um filho? E percebi, logo no início da minha reflexão, que as respostas a essas perguntas nos remetem a algo muito mais relevante do que a um simples “valor”, e, rapidamente, substitui a expressão “quanto vale” por “qual a importância de”.
José Carlos Buch, advogado e escritor, escreveu no seu artigo que se encontra no Google sob o título "A diferença entre valor e preço": "(...) a grandeza de uma pessoa pode ser traduzida como um ser humano de grande valor e não alguém que tem preço, não é mesmo? O valor nesse caso tem o sentido de estima, apreço, consideração, importância, caráter etc. e isso não pode ser precificado, pois trata-se de uma virtude, de um bem imaterial de quantificação inestimável e impossível de ser traduzida em números.".
Muitas vezes, fazemos as perguntas erradas que por certo nos levarão a respostas erradas ou equivocadas que nada terão a ver com o pretexto de origem do enunciado das questões. Saber perguntar é a forma mais objetiva de obter respostas condizentes com a motivação do questionamento. O valor semântico das palavras que compõem a pergunta determina a possibilidade de assertividade no significado da resposta. Saibamos, portanto, perguntar para podermos confiar na pertinência das respostas.
A importância de se investir numa amizade ou ser útil para alguém ou investir num amor ou na educação de um filho não está na relação do que "se despende para", com "o que se recebe por". Trata-se de algo muito maior. Quem gosta de ou ama alguém não se importa com mensuração dessa dedicação, nem com retribuição desta. A dedicação poderá ser maior do que a retribuição, ou ao contrário; mas não é isso que move o ser humano nessas situações. O indivíduo humano é um ser de relações. Relações de vida. De vida em abundância. Isso não tem preço, nem valor mensurável, mas é uma forma amorosa de ressaltar o valor do outro.
O Padre Fábio de Melo tem uma gravação que cabe bem nesse contexto de valorização do outro, seja por amizade ou por amor ou por utilidade. No vídeo “Ser útil e ser amado”, diz: “feliz daquele que tem ao fim da vida a graça de ser olhado nos olhos e ouvir a fala que diz: você não serve para nada, mas eu não sei viver sem você.”.
Veja o vídeo em: https://www.youtube.com/watch?v=osQMdw1xS3M
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Artigo publicado no jornal "O Popular" de Goiânia em 07/12/19.
Publicado originalmente neste blogue em 11/12/2019.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
TEMPOS DIFÍCEIS CRIAM HOMENS FORTES
Roberto Gameiro
G. Michael Hopf, escritor e empresário editorial norte-americano, escreveu no seu livro de 2016 “Those who remain” (Aqueles que permanecem), a frase:
"Tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos bons, tempos bons criam homens fracos, homens fracos criam tempos difíceis".
Trata-se de um aforismo, um gênero textual que se apresenta com uma frase curta, concisa, de caráter pessoal e com uma ideia impactante. Não é um provérbio.
O texto pode ser analisado sob a forma da figura de linguagem “concatenação” que é quando o final de uma frase é repetido logo no início da frase seguinte, criando uma corrente que faz o texto parecer não ter fim.
Embora a frase seja muito citada e elogiada por uns, especialmente em palestras sobre liderança e comportamento humano, ela é alvo de críticas por resumir aspectos sociológicos complexos demais de forma determinista.
É aqui, no determinismo da frase, que a análise pode ser mais aprofundada, pois ela trata a trajetória humana como um círculo fechado e fatalista, sem levar em conta que as sociedades se desenvolvem por fatores como crescimento econômico, clima, educação, a acumulação de direitos e, atualmente, especialmente em tecnologia e a inovação dela decorrente, e não apenas por “fraqueza moral ou militar”.
Ou seja, o saber humano não é alcançado apenas pela dor, mas sobretudo através do avanço tecnológico, de uma educação de qualidade, do fortalecimento das instituições, do crescimento econômico sustentável e da cooperação cultural e social; e de muita perseverança e resiliência.
Afinal, se o sofrimento nos ensina a sobreviver, é a busca consciente pelo conhecimento e pelo bem comum que nos ensina a evoluir.
Mas, ainda para pôr um “salzinho neste tempero”, transcrevo uma mensagem de autor desconhecido que encontrei na Internet: “Se você acha que homens durões são perigosos, espere até ver o que homens fracos podem fazer.”.
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quinta-feira, 6 de agosto de 2026
MENSAGEM - NOSSOS FILHOS, NOSSOS PORES DO SOL
sexta-feira, 17 de julho de 2026
REFLETINDO OU RUMINANDO?
Roberto Gameiro
Você é daquelas pessoas que ficam ruminando um assunto longamente antes de tomar uma decisão a respeito?
Que prejudicam seus fins de semana e até suas férias por não conseguirem se desligar de uma situação, geralmente desagradável, que acontece no campo profissional?
Que, com isso, baixam a qualidade dos relacionamentos familiares com cônjuge e filhos?
Que levam seus problemas pessoais pontuais para dentro do seu local de trabalho, ocasionando desconcentração e diminuição da produtividade?
Se sim, seja bem-vindo ao clube!
Um “clube” que, sob o meu olhar, só tem tendência de aumentar o número de membros, conforme a complexidade da práxis profissional e dos inter-relacionamentos sociais vai aumentando.
Sêneca, filósofo romano, escreveu: “Estamos mais frequentemente assustados do que feridos e sofremos mais na imaginação do que na realidade.”.
Muitas vezes, sofremos antecipadamente por algo que acabará não acontecendo.
Claro que há determinadas tomadas de decisão que exigem maior tempo de curadoria e reflexão pela sua complexidade e pelos efeitos colaterais que poderão trazer. Nessas situações, a análise e as ponderações aprofundadas sobre o tema podem ser propícias e salutares.
Nesses casos, a longa ruminação pode indicar uma postura de perseverança e de autodeterminação na busca de uma solução.
Entretanto, há que se cuidar para não se desperdiçar muita energia mental com assuntos, eventos e problemas que não merecem tanta preocupação.
Não é fácil encontrar o equilíbrio saudável entre a reflexão e a ação.
Ficar muito tempo “estacionado” ruminando sobre um mesmo assunto sem encontrar progresso na reflexão, pode ocasionar transtornos emocionais prejudiciais à saúde mental, especialmente se isso for recorrente.
Sempre há a possibilidade da busca de aconselhamento.
Você conhece alguém assim?
Publicado originalmente em 23/09/2023
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quinta-feira, 9 de julho de 2026
MENSAGEM - RELACIONAMENTOS FAMILIARES
quinta-feira, 18 de junho de 2026
SEJA A SUA MELHOR VERSÃO
Roberto Gameiro
Você já tentou endireitar uma
banana?
Eu costumo brincar fazendo essa
pergunta ao meu interlocutor quando percebo que estamos em uma luta inglória
para mudar algo ou alguém.
Se há alguém que conseguimos
mudar a partir dos nossos argumentos, esse alguém somos nós mesmos.
Cada pessoa tem seus valores e
seus princípios, seu ritmo, suas dores e suas escolhas, sejam elas conscientes
ou não. Estou me referindo aos nossos amigos, conhecidos, parceiro e
familiares. Forçar a transformação de alguém, moldando-o às nossas
perspectivas, é uma batalha fragorosamente perdida.
É um verdadeiro desperdício de
tempo tentar “consertar” quem não pediu para ser consertado, assim como motivo
de muita frustração, além de nos afastar do que realmente importa.
Na verdade, o que é realmente
significativo é cuidar do nosso próprio jardim, em vez de nos preocuparmos com
o jardim alheio; é direcionarmos o foco da nossa vida para nós mesmos, para o
nosso conhecimento, nossos saberes, inteligência emocional e bem-estar.
Faça uso da sua energia para se
transformar na melhor versão de si mesmo; quando você faz isso, acaba atraindo
as pessoas certas para o seu convívio.
Assumir o protagonismo da própria
história não é ato de egoísmo, mas de sabedoria. Aliás, existe um mito de que
pensar em si mesmo é ser egoísta; quando você assume o protagonismo da sua
vida, você se torna mais leve, mais equilibrado cognitiva e emocionalmente. Você
passa a ser uma pessoa melhor para si e, consequentemente, para os outros.
Para mudar o mundo, o caminho
mais eficiente e eficaz é começar mudando a si mesmo.
Carl Rogers (1902-1987), psicólogo estadunidense, escreveu: "Descobri que sou mais eficaz quando me posso ouvir a mim mesmo, aceitando-me, e quando posso ser eu mesmo.".
Priorize-se!
Seja a melhor versão de si mesmo!
Você já tentou endireitar uma
banana?
Rss.
sexta-feira, 12 de junho de 2026
COMPETÊNCIAS TÉCNICAS VERSUS COMPORTAMENTO PESSOAL
Roberto Gameiro
Você já percebeu que a maior
parte das dispensas de colaboradores nas empresas se dá em função do
comportamento pessoal do indivíduo, mesmo que ele tenha ótimas competências e
habilidades técnicas?
Felizes são os gestores que podem
direcionar seu foco na produtividade, na criatividade, no crescimento e no
desenvolvimento, sem ter de desperdiçar energia para resolver problemas de
atritos e desgastes interpessoais dos colaboradores; nessa situação, o clima
organizacional, que deveria ser colaborativo, passa a ser caracterizado por
tensões constantes que causam redução de produtividade e, consequentemente,
redução no atingimento de objetivos e metas da empresa.
Por outro lado, quando os
colaboradores respeitam e são respeitados emocionalmente, a motivação coletiva
aumenta substancialmente, contribuindo para a redução do estresse.
Profissionais com autocontrole dificilmente têm reações impulsivas e
inconsequentes diante de conflitos, e mantêm alto grau de produtividade, pois
transformam as eventuais tensões em oportunidades para a busca de soluções
criativas que reforçam o foco nos resultados de qualidade.
Daí, a importância do feedback,
constante e qualitativo, no acompanhamento da performance dos colaboradores.
A inteligência emocional já não é
apenas uma habilidade desejável, mas uma competência estratégica necessária no
ambiente corporativo. Quando os gestores e colaboradores conseguem administrar
positiva e reciprocamente suas emoções, o impacto nos resultados da organização
é visível.
A competência técnica é fácil de
ser mensurada no processo de recrutamento e mais fácil de ser aprimorada no dia
a dia; mas o que garante a permanência da pessoa em uma empresa é a forma como
ela se relaciona no ambiente de trabalho. O comportamento pessoal envolve
habilidades difíceis de serem observadas em provas ou entrevistas, mas símplices
de serem identificadas no cotidiano.
Portanto, fiquemos atentos, pois
o sucesso profissional não depende apenas das nossas competências e habilidades
técnicas, mas, especialmente, das nossas posturas e ações em relação às pessoas
com as quais nos relacionamos, sejam elas pares ou gestoras.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
CUIDADO - CRIANÇA - CONTÉM SONHOS!
Publicado originalmente em 16/04/2022
Roberto Gameiro
Mirko Badiale, filósofo italiano, escreveu certa vez: “Deve ser colocada uma placa em cada criança que diga:
"Trate com cuidado. Contém sonhos”.
Nós, professores, somos seres privilegiados pois tratamos, diariamente, com os tesouros mais valiosos deste mundo: as crianças.
Como é gratificante conviver com “serzinhos” tão especiais que chegaram num mundo que já existia e ao qual estão se abrindo, conhecendo, interagindo, sentindo-se parte e percebendo, ao longo dos anos, que podem (e devem) intervir nele para torná-lo melhor.
O que dizer, então, dos pais que os geraram e têm a alegria, a emoção e a responsabilidade de os educar, formando-os para o bem e para valores morais e éticos saudáveis, dedicando-lhes um amor que é infinito, e por quem dariam a própria vida para garantir e preservar as deles.
Cada uma delas (as crianças) vai crescendo e, aos poucos e sempre, construindo um sentido para sua vida baseado nas suas vivências e nos ensinamentos vindos dos pais, da escola e da igreja.
Sentido de vida se constrói com base em sonhos. E as crianças os têm e muitos. Qual a criança que não tem uma resposta pronta para a pergunta “o que você quer ser quando crescer?”. A resposta pode ser uma num dia e outra bem diferente no dia seguinte, tal a vitalidade do que passa na mente e no coração de uma criança.
Cabe a nós, adultos, proporcionar às crianças condições favoráveis para que sejam crianças enquanto ainda são crianças, dando-lhes oportunidades para brincar, e brincar muito, pois as brincadeiras desenvolvem nelas a capacidade de se relacionar consigo mesmas e com os outros, contribuindo para que deem conformidade aos seus sonhos, aos seus projetos de vida.
A propósito, entre os “Direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil” propostos na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), está:
“Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.”
Mas não são apenas as crianças que têm sonhos. Nós, adultos, também os temos. E muitos! Ainda bem! E nesta seara, há que se ponderar que um sonho sem objetivo é apenas um sonho; nada mais.
Augusto Cury escreveu:
“Sem sonhos, a vida não tem brilho. Sem metas, os sonhos não têm alicerces. Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais. Sonhe, trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para executar seus sonhos. Melhor é errar por tentar do que errar por se omitir!” (Você é insubstituível. Rio de Janeiro: Sextante, 2002)
Portanto, caro leitor, vá atrás dos seus sonhos de criança e de adulto. Só você pode torná-los realidade. Seja protagonista dos seus sonhos. Não seja um simples coadjuvante dos sonhos dos outros.
Assuma a placa que diz:
"Contenho sonhos!"
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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional e em Design Instrucional.
Contato: textocontextopretexto@uol.com.br
sexta-feira, 3 de abril de 2026
OS JOVENS NUM MUNDO CIBERNÉTICO
Roberto Gameiro
Já há algum tempo, as crianças e os adolescentes estão ensinando tecnologia para os mais velhos; é fascinante a facilidade que eles têm no uso de smartphones, tablets, aplicativos e, agora, inteligência artificial.
Como que para justificar essas competências e habilidades, eu costumava brincar dizendo que hoje as crianças já nascem com um chip instalado no cérebro.
Mas, nunca me ocorreu refletir, de forma mais profunda, sobre as características intrínsecas desse “dispositivo”, além da rapidez de raciocínio e facilidade para a aprendizagem cibernética.
Mas, brincadeira à parte, descobri que não sou só eu que tenho essa percepção.
Há uma busca constante de explicação do porquê os jovens operam telas e algoritmos com tanta fluidez; e há uma espécie de consenso de que não se trata de uma capacidade biológica inata, mas sim o fato de eles já terem encontrado um mundo cibernético, um mundo mediado por dispositivos.
Desde a mais tenra idade, as crianças estão envolvidas com brinquedos tecnológicos; muitos desses dispositivos de diversão as tornam simples espectadoras das performances dos brinquedos que, praticamente “brincam sozinhos”. A criança não precisa “pensar”, “imaginar”, “manusear”, “construir” nada. O brinquedo é autossuficiente.
Essa postura passiva não traz desafios cognitivos e não estimula a criatividade e o espírito inventivo. O jovem vai crescendo e se tornando adulto acostumando-se de que sempre haverá um “aplicativo” que fará, com rapidez, eficiência e eficácia, tudo o que ele precisa; e a concentração e o aprendizado ficam para segundo plano, assim como a reflexão e a profundidade crítica.
Parte dos homens que estamos formando são vazios de intelecto e carentes de emoção; mas experts no uso da tecnologia, com uma destreza que fascina.
Por outro lado, não se pode negar a importância que a agilidade digital trouxe para a humanidade. Os dados, as informações, os conhecimentos, estão aí à disposição de todos. Escancarados. Mas, ao mesmo tempo, transformaram-se em produtos de uso superficial, descartáveis após o uso.
Em outras palavras, estamos supervalorizando a memória de curto prazo, em detrimento da de longo prazo. Percebe?
Nessa toada, de onde virão os futuros cientistas, pesquisadores, inventores, que tratam o conhecimento com a profundidade e a complexidade exigida em cada área?
Numa reflexão rasteira e intempestiva me ocorreu que o cérebro humano, que já é subutilizado, num futuro próximo não mais será depositário de dados, informações, conhecimentos e saberes latentes, mas um depósito catalogado de uma infinidade de “aplicativos” e dispositivos prontos para serem acessados de acordo com a necessidade em pauta.
Viraremos perfeitos robôs.
O que dá pra rir, dá pra chorar.
Mas, há esperança. Depende, especialmente, da família, da escola e da igreja. A família na educação, a escola na formação, e a igreja na conscientização.
Essas três instituições, que, embora com falhas inerentes, ainda têm crédito público em meio a tanta safadeza e corrupção que grassa em parte dos segmentos político, jurídico e legislativo, têm a missão de atuar em conjunto para promover a literacia digital, ou seja, capacitar as pessoas para que definam, busquem e alcancem seus objetivos, desenvolvam suas potencialidades cognitivas e de emoções, e, especialmente, participem com intensidade dos destinos das suas comunidades e da sociedade em geral.
Não haverá necessidade de afastar os jovens dos aparelhos, dos softs e dos aplicativos, mas de ensinar a usá-los de forma produtiva, criativa e consciente.
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quinta-feira, 12 de março de 2026
A INSUBORDINAÇÃO DO CANTAR E DO BRINCAR
Roberto
Gameiro
Eduardo
Galeano (1940 - 2015), jornalista e escritor uruguaio, escreveu no seu livro “O
livro dos abraços” (1): "Na parede de um botequim de Madrid, um cartaz
avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso
informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: ainda
existe gente que canta, ainda existe gente que brinca."
Aí
está uma perspicaz observação sobre o comportamento humano e sua reação contra
a rigidez institucional.
Ninguém
colocaria uma placa num espaço público ou privado com os dizeres: “É proibido
caminhar a 100 km por hora nestas dependências”. Isso porque essa ação não é
realizável por um ser humano.
Mas
“cantar” e “brincar” são atitudes e reações naturais dos indivíduos em relação
ao meio social em que vivem.
No
botequim, o cartaz pretende proibir o canto em favor do silêncio, porque o
vinho e demais bebidas “convidam” os comensais a cantar, contagiando a todos os
presentes (ou incomodando muitos).
No
aeroporto, o aviso proíbe brincar com os carrinhos de bagagem, para garantir o
trânsito livre e seguro dos viajantes, porque crianças, pela sua natureza
lúdica, e adultos aborrecidos e agastados, talvez pelo tempo de espera, veem
nos carrinhos uma oportunidade de divertimento e distração.
Nas
duas situações, e em “n” outras equivalentes, trata-se de um embate entre o
caráter “institucional” dos ambientes e a essência humana pulsante que busca o
afeto, a celebração e a brincadeira.
Estão
errados o botequim e o aeroporto ao proibir essas situações?
Sob
o meu olhar, não.
Cada
instituição tem o dever de preservar o bem-estar dos seus usuários em acordo
com suas finalidades estatutárias. Aí, cada uma é uma, ou seja, cada caso tem
suas particularidades e precisa ser avaliado separadamente.
Mas,
o que de mais relevante a frase destacada traz, é a informação de que “ainda
existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.".
Cantar
e brincar constituem chamadas à esperança. Na medida em que num mundo cheio de
violência, corrupção, guerras e marcado pela falsidade, crises e cinismo, ainda
houver pessoas brincando e cantando, esse mundo ainda tem salvação.
Gonzaguinha,
na sua canção: "O Que É, O Que É?", nos traz essa esperança:
"Viver
e não ter a vergonha de ser feliz / Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um
eterno aprendiz."
Ainda.
REFERÊNCIA
(1)
GALEANO,
Eduardo. O livro dos abraços. Tradução de Eric Nepomuceno. Porto Alegre:
L&PM, 1991.
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sexta-feira, 6 de março de 2026
A COMPLEXIDADE DA MENTE - O DIRECIONAMENTO ÉTICO DO SABER
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