MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO
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Roberto Gameiro
Dói nos ouvidos quando alguém diz, ou escreve, frases como “é pra ‘mim’ fazer” e correlatas.
Nessas situações, queiramos ou não, questionamos a própria competência do indivíduo para exercer o seu métier, por mais importante que seja.
O problema reside no uso do pronome oblíquo “mim” no lugar do pronome reto “eu”. O correto é dizer “pra eu fazer”, ou "para eu fazer". O “eu” é o sujeito da ação; e “mim” não é sujeito em lugar algum.
O "pra" é a contração da preposição "para"; dicionarizado.
Por outro lado, há uma tendência na língua falada de simplificar as estruturas, principalmente na linguagem informal entre amigos ou em família, e, dessa forma, confundem expressões como “isso é para mim”, estendendo a construção para “é pra mim fazer”; nesse contexto, o erro não impede ou dificulta a comunicação. Nem dói... rss.
Entretanto, em uma redação ou comunicação formal, numa prova, ou qualquer situação que exija a norma culta, o correto é “pra eu fazer” (ou "é para eu fazer"). Não custa repetir.
Mas, há outras situações em que a língua portuguesa é maltratada; não há como aceitar erros crassos de fala e escrita de alguns poucos como: “previlégio” no lugar de “privilégio”, “subsídio (subzídio)” no lugar de “subsídio (subssídio)”, “de encontro a” no lugar de “ao encontro de”, “esteje” no lugar de “esteja”, “análize” no lugar de “análise”, “mal” no lugar de “mau”, “a” no lugar de “há”, “perca” no lugar de “perda”, “comprimento” no lugar de “cumprimento” etc.
A coisa se complica ainda mais se entrarmos no mérito da comunicação através da Internet. E, aqui, nos socorre Marco Felipe na sua publicação em “Pensador”: “Assassinaram o Português”:
“(...) Muitas pessoas acham que por estarem na internet podem escrever de qualquer forma, escrever textos cheios de erros ortográficos e gramaticais, assassinando o nosso português com vícios de linguagem (menas, mendingo, prestenção, num sabe, iscrevi, min adiciona, axava, encinar, atrapaia, cem nosaum). “Xega né! Não mim juguem mau.” Na Internet nos deparamos com o Brasil verdadeiro, escrachado, onde lá encontramos todas as classes sociais, todas as raças, todas as cores, todas as crenças, todos os sons, todos os níveis, do semianalfabeto ao graduado, todo mundo num mundo só.” (1)
Para finalizar, leiam abaixo uma "pérola" que encontrei na Internet enquanto redigia este texto.
"Eu acreditei nele, mais mim enganei."
Pelo menos, acertou na vírgula!
O que dá pra rir, dá pra chorar!
REFERÊNCIA
(1) FELIPE, Marco. Assassinaram o Português. s/d, site “Pensador”, acessado em 12/12/2025. https://www.pensador.com/frase/MTk4MDI2OA/
Roberto Gameiro
Noutro dia, remexendo no meu “baú” de fotos e lembranças antigas, reencontrei um cartão, num papel datilografado e já amarelado, com uma mensagem dirigida a mim, que, mais uma vez, me emocionou sobremaneira.
Quando estava no meu segundo ano de magistério, eu lecionava “Língua Portuguesa” no curso que hoje seria a segunda fase do Ensino Fundamental.
A escola pertencia a uma congregação religiosa feminina, em que os princípios e os valores cristãos imperavam e norteavam todas as ações administrativas e pedagógicas, além de uma disciplina exemplar por parte de todos.
Eu mal havia terminado o curso de licenciatura em Letras Modernas e estava ainda aprendendo a ser professor, mas tive a sorte de começar num bom colégio e numa época em que os professores eram respeitados e valorizados pelos alunos, pais e comunidade escolar.
Era gratificante e prazerosa a atividade docente, trabalhando com adolescentes, meninos e meninas, amorosos e cumpridores das suas obrigações escolares.
Mas não deixava de ser uma jornada pesada e cansativa devido à extensa carga horária semanal de aulas, somada às preparações de planejamentos, relatórios e aulas, correção de provas e redações... Nesse sentido, nada diferente dos demais professores (à exceção das benditas redações! Rss)
Na minha carreira de professor e diretor escolar, como em qualquer carreira profissional, sempre houve momentos de alegria, de realização e de regozijo; mas, também, houve ocasiões de tristeza, de incompreensões e de chateações.
Pois foi nessa época, num “Dia dos Professores” que recebi a homenagem que mais me sensibilizou na minha jornada docente e administrativa.
Na ocasião, eu estava trabalhando, com os alunos das sétimas séries, o conteúdo “Orações coordenadas e subordinadas”. Aliás, esse sempre foi um dos temas que mais gostava de lecionar ...
Qual não foi a minha surpresa quando, ao entrar na sala para mais uma aula, os alunos de uma das sétimas séries me entregaram um cartão dobrado, com um decalque de crianças na capa, com uma página interna, na qual estava datilografada a seguinte mensagem:
Na sintaxe da vida, somos todos orações subordinadas que interdependem umas das outras. Todos nós exercemos o papel de subordinante e subordinada. A vida é um período composto por subordinação em que apenas “ELE” exerce o papel de oração principal. E, na nossa vida, a oração principal chama-se professor Roberto.
Não precisa ser um estudioso de semântica para perceber que a última frase é incoerente em relação à penúltima. Mas numa linguagem poético-metafórica como essa, o que vale é a intenção carinhosa dos estudantes em relação ao seu professor de “Português”.
Ao receber a mensagem, engasguei-me, e quase não tive palavras para agradecer. Acho até que meus olhos descarregaram algumas lágrimas rosto abaixo. Afinal, qual professor, no seu segundo “Dia dos professores”, recém formado, não ficaria emocionado com tal homenagem, espontânea, não esperada e sincera?
Os anos passaram e fui paraninfo e patrono de diversas turmas no ensino superior de Pedagogia, além de muitas placas comemorativas de metas alcançadas como diretor de escolas particulares; mas, nenhuma homenagem me sensibilizou tanto quanto essa.
Hoje, passada a emoção da época, percebo que a homenagem a mim prestada revela a interconexão e a interdependência das pessoas na vida, enfatizando que cada pessoa desempenha papel ora de sujeito, ora de objeto em relação aos outros, e que existe uma força maior que nos une, nos guia e nos fortalece.
Aqui está um bom tema para refletirmos com nossos filhos sobre nossas ações individuais e coletivas.
Que Deus nos abençoe e nos traga a paz.
Sempre.
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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional e em Design Instrucional. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br
Conheça o PORTFÓLIO de Roberto Gameiro:
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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional e em Design Instrucional. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br
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Neste artigo, utilizo o sentido da palavra “diagnóstico” na área da Medicina para doenças, e na área da Educação para não doenças.
Hipócrates (460 a.C. a 370 a.C.), considerado uma das pessoas mais relevantes da história da medicina, e reputado como “pai da medicina”, escreveu:
“É mais importante conhecer a pessoa que tem a doença do que a doença que a pessoa tem.”
Semana passada, acabei de ver o último capítulo da segunda temporada da série televisiva italiana “DOC – Uma nova vida” (Prime Video), que retrata o dia a dia de uma equipe de clínica médica num hospital de Milão. Curiosamente, ao longo da série, lembrei-me dessa afirmação de Hipócrates. O “médico” protagonista, a partir de um determinado momento da série, passa a ter um diferencial, em relação aos demais, por priorizar o conhecimento da pessoa em tratamento para consolidar diagnósticos, prática essa que o coloca, muitas vezes, em conflito com colegas.
Mas, há situações de não doenças que merecem análise parecida de conhecimento e interpretação do que está por trás de posturas e comportamentos diferenciados, especialmente de crianças.
A DISLEXIA
No âmbito escolar, muitas vezes, ao iniciarmos o processo de alfabetização, encontramos alunos que apresentam comportamento dispersivo nas aulas, com dificuldades para ler e escrever, e, por isso, passam por situações vexatórias causadas pelos colegas.
Certa vez, como diretor de escola, recebi a mãe de uma criança do quarto ano do Ensino Fundamental, recentemente transferido de uma escola pública. Ela vinha pedir ajuda para o filho que estava sofrendo bullying e tinha baixo aproveitamento nas aulas, especialmente nas provas escritas.
Feito o diagnóstico, descobriu-se que o menino era disléxico.
A dislexia não é uma doença. É um distúrbio de aprendizagem que necessita de algumas adequações no processo de ensino e avaliação.
Até há alguns anos, havia dificuldades para diagnosticar esse distúrbio, que causava preconceitos e estigmas às crianças que o tinham.
Pois bem, feitas as adequações no acompanhamento do aprendizado e, principalmente, na forma de aplicar avaliações, a criança teve progressos significativos, inclusive na autoestima.
Mas permaneceu a pergunta: como o estudante com dislexia chegou ao quarto ano do Fundamental sem que o distúrbio fosse diagnosticado?
A dislexia é um transtorno de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizado por dificuldades no reconhecimento da palavra, na decodificação e na soletração; elas geralmente resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem.
O AUTISMO
Ainda no âmbito escolar, as crianças com Autismo ainda não identificado também têm passado por situações constrangedoras, causadas por colegas, por terem dificuldades de comunicação, socialização e comportamento.
As pessoas autistas apresentam algumas características, como limitações no relacionamento com outras pessoas; muitas vezes são agressivos quando contrariados; não olham nos olhos das pessoas; preferem a solidão; não percebem o perigo iminente; preferem o isolamento, evitando o contato com outras crianças; têm ora hiperatividade, ora inatividade; risos sem razão; repetições constantes; resistências às mudanças; não são muito sensíveis a dores e portam-se muitas vezes como surdos.
Neste caso, também, o acompanhamento atento dos professores é ponto-chave para diagnosticar nas crianças os indícios do autismo e, assim, junto das famílias e de multiprofissionais, oferecer atendimento adequado a essas pessoinhas especiais com as quais temos o privilégio de conviver, aprender e ajudar.
O apresentador Marcos Mion, pai de um menino autista, tem um vídeo no YouTube, com o título “o amor e a paciência no autismo”, em que relata o seu relacionamento com os filhos. Vale a pena ser visto.(https://www.youtube.com/watch?v=XTBVwSNB1H0 )
Em ambos os casos, dislexia e autismo, que não são doenças, há que haver intensa parceria entre os pais, a escola e multiprofissionais para enfrentar os desafios inerentes, principalmente alto nível de compreensão, paciência, e, principalmente, amor; além, é claro, de manter os alunos em classes regulares.
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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional e em Design Instrucional. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br
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Conta-se, acredito que de forma jocosa, que um senhor estava na sala de espera de um médico oftalmologista. Ele era o segundo a ser atendido. O primeiro, para puxar conversa, perguntou a ele o porquê de ele estar ali. Ele respondeu que era porque estava com conjuntivite nos olhos. O outro retrucou: “conjuntivite nos olhos, não; isso é pleonasmo”; nesse momento, o médico o chamou e ele entrou no consultório. Aí, a paciente que estava do seu outro lado, fez-lhe a mesma pergunta, ao que ele respondeu que até há pouco ele acreditava que estava com conjuntivite nos olhos, mas segundo aquele senhor que entrara no consultório, o que ele tinha era uma doença chamada pleonasmo...
O pleonasmo é uma figura de linguagem em que se repete desnecessariamente uma palavra já contida na frase. Conjuntivite só ocorre nos olhos. Outros tipos de pleonasmo são “entrar para dentro”, “subir para cima”, “duas metades iguais”, “sair para fora”, “gritar alto”, “multidão de pessoas”, “elo de ligação” e tantos outros.
Mas há um pleonasmo que constitui uma redundância imperdoável: é o famoso “há anos atrás” e suas variantes, que ouvimos diariamente, usado por pessoas das mais diversas classes sociais e profissionais. É tão simples lembrar que quando se usa o “há” não se usa o “atrás”; quando se usa o atrás, não se usa o há. Como exemplos: “Há dez anos” e “Dez anos atrás”.
Mas não estranhemos se de repente essa redundância venha a ser aceita como correta, pois essa hipótese já é defendida por alguns gramáticos pelo fato de a expressão estar consagrada pelo uso.
A língua portuguesa é pródiga em exceções à regra. Quando finalmente aprendemos uma regra, descobrimos que há exceções que devemos conhecer para não errar.
Você já passou por isso?
Ademais, encontramos, às vezes, situações risíveis de mau uso da língua materna. Vejam, por exemplo, a propaganda de uma faculdade, anos atrás, oferecendo como vantagem para o aluno: “um seguro educacional gratuito já incluso na mensalidade”.
Realmente, a língua portuguesa não é fácil. Em qualquer dos seus aspectos, o ortográfico, o fonético e o semântico; mesmo nós que a usamos no nosso ofício, enfrentamos, de vez em quando, dúvidas que nos impelem a consultar dicionários e até o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa).
Mas, por outro lado, como é linda a nossa língua portuguesa, mesmo sendo originada do Latim vulgar falado por soldados, camponeses e camadas populares. Quanto orgulho nos traz. Na prosa e na poesia ...
“Última flor do Lácio (*), inculta e bela; és a um tempo esplendor e sepultura. Ouro Nativo, que na ganga impura, a bruta mina entre os cascalhos vela ...”. Olavo Bilac
(*) Lácio – região da Itália na qual foi fundada a cidade de Roma.
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Roberto Gameiro
Neste artigo, faço uma breve análise de três significantes da língua portuguesa, "texto, contexto e pretexto", relacionando-os à abordagem didática da "interdisciplinaridade", e, por tabela, indico o porquê do nome do meu blogue "O texto no contexto como pretexto".
Vamos lá?
Tudo o que vemos, ouvimos ou lemos pertence a um determinado contexto. O contexto representa a realidade em que se insere determinado fato ou acontecimento. Uma mesma frase falada ou ouvida em contextos diferentes pode ter significados diversos, ainda mais se os contextos estiverem em momentos históricos ou geográficos diversos.
Portanto, cada texto precisa ser lido e interpretado tendo em vista o momento histórico e o local em que foi escrito, ou seja, o contexto.
Por outro lado, cada texto tem uma motivação pela qual foi escrito, ou seja, o pretexto, nas acepções de “porquê, razão, fim ou propósito”, por mim escolhidas entre os diversos sinônimos apontados nos dicionários.
Quando se lê um texto escrito cinquenta anos atrás e se o interpreta com o olhar sociocultural de hoje, corre-se o risco de tirar conclusões equivocadas, especialmente com palavras que tiveram seus sentidos ressignificados cultural, moral ou eticamente.
Os vestibulares, o ENEM e os concursos, exploram textos de livros, revistas, sites e jornais das mais diversas épocas. Por isso, também, o mote deste texto merece atenção especial dos professores, especialmente, por óbvio, os de Língua Portuguesa, História, Literatura, e seus congêneres.
Como se percebe, então, para melhor se interpretar um texto, quaisquer que sejam a época e o local em que ele foi escrito, há que se utilizar, idealmente, uma abordagem interdisciplinar.
A abordagem interdisciplinar reúne diferentes componentes curriculares num contexto mais coletivo no tratamento dos fenômenos a serem estudados ou, ainda, das situações-problema em destaque. É uma abordagem que exige compromisso do professor com a intercomunicação, ampliação e ressignificação de conteúdos, conceitos e terminologias. O trabalho integrado interdisciplinar alarga as possibilidades de compreensão, construção, contextualização e recontextualização dos conhecimentos, dos saberes e dos fazeres, e flexibiliza o fazer pedagógico, explicitando as formas de relação, de reciprocidade e de aproximação em diferentes áreas, facilitando, assim, o ensino e a aprendizagem. (Este parágrafo encontra-se também no meu artigo "A escola, a família e a sociedade - texto1")
Nesse contexto interdisciplinar, todos os professores trabalham em equipe com seus conteúdos sincronizados e nenhum deles pode ser uma “ilha” em relação aos demais docentes; e todos ganham, especialmente os alunos.
Feliz a escola que consegue implementar, com sua equipe de técnicos e professores, um projeto pedagógico que priorize, realmente, a interdisciplinaridade.
Felizes, os alunos dessa escola.
Ah, sim; o nome do blogue: o texto (o quê) no contexto (o onde) como pretexto (o porquê).
Abraços.
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Autorizadas, desde que com a inclusão dos nomes do blogue e do autor.