O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO - Para debates em família e na escola - Roberto Gameiro

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quinta-feira, 9 de abril de 2026

EMPREENDEDORISMO - SIM OU NÃO?

 


Roberto Gameiro


"Só você pode realizar seus sonhos. Portanto, seja protagonista dos seus sonhos; não seja simples coadjuvante da realização dos sonhos dos outros." 


Essa frase, de minha autoria, propicia uma boa reflexão a respeito de “carreira profissional”.


Você, que tem trabalhado em grandes corporações e ou para terceiros, fazendo o que gosta de fazer, há um bom tempo, já parou para aquilatar o capital cognitivo, de experiência, de relacionamentos e de know-how (técnico, cultural e administrativo), que possui na sua área de atuação, e que poucos possuem?


O que escrevi no parágrafo anterior trouxe-lhe alguma ideia?


Se sim, saiba que uma ideia pode se transformar num ideal. Um ideal pode se transformar num projeto; um projeto terá metas de curto, médio e longo prazos.


Estou falando de empreendedorismo.  


Numa sociedade consumista como a nossa, é normal haver pessoas que dedicam a aplicação do seu potencial cognitivo e seu tempo de vida profissional para promover, estimular e contribuir para o alcance de objetivos e metas de pequenas, médias e grandes organizações, deixando para segundo plano suas aspirações pessoais e seus próprios desejos.


Entretanto, em relação à ideia que decorre da interpretação da frase inicial, “empreendedorismo”, que pode ser tomada como o ponto mais alto da realização profissional, há que se ponderar que, para ser protagonista, não se exige necessariamente um CNPJ. 


Há os que consideram que o capital cognitivo que possuem não é causa suficiente para se direcionar para um negócio próprio, mas um incentivo para consolidar uma carreira ascendente numa organização bem estruturada, acreditando que ter um CNPJ próprio é um risco desnecessário, diante das possibilidades decorrentes de êxitos já consistentes, seguros e estáveis.


Se por um lado a ideia pode se transformar em ideal, há que se levar em conta que a execução da retomada traz o empresário noviço para a dura realidade de ser o responsável por tudo na empresa enquanto ela não “deslancha”.


Por isso, há algumas perguntas que precisam ser respondidas positivamente antes de tomar a decisão final; 

1- A decisão é imutável? 

2- Você tem lastro financeiro para bancar as despesas familiares e as de implementação da empresa nos primeiros meses?

3- Você é resiliente e persistente o suficiente para enfrentar os “não”, que, no início, serão mais frequentes do que os “sim”?


Então, se você sente que seu capital cognitivo estendeu-se para além do limite do seu crachá e tem o fôlego necessário para enfrentar as intempéries do mercado, o empreendedorismo é o seu próximo passo.


Com ele, você terá o seu próprio plano de negócio, com objetivos e metas de curto, médio e longo prazos, definirá a abrangência e os limites da sua atuação, organizará o seu horário de trabalho, terá autonomia e independência para fazer o que entender produtivo e rentável, tomará as decisões estratégicas, não terá um teto para o lucro, e poderá desenvolver habilidades multidisciplinares como liderança e gestão de pessoas, capacidade de negociação e vendas, e, importante, resiliência e inteligência emocional para enfrentar incertezas.


Entretanto,


1- Teste o serviço/produto enquanto ainda mantém o vínculo CLT;

2- Não peça demissão para testar uma ideia. Use o seu tempo livre atual para criar um produto viável;

3- Sair da CLT com as portas abertas é um ativo valioso. O mundo corporativo é oscilante e sua reputação é seu patrimônio mais importante!

4- Cerque-se de quem entende do assunto e pode ajudá-lo consistentemente. Sugiro o SEBRAE:      https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae


Bons negócios!


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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional  e em Design Instrucional. 


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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

FUJA DOS TEIMOSOS!

 


Roberto Gameiro
Valesca Botelho (1)


Charles Bukowski (1920-1994), poeta, contista e romancista teuto-americano, escreveu:

“O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas ...”

Antes dele, Bertrand Russell (1872-1970), matemático, filósofo, ensaísta, historiador e lógico britânico, escreveu:

"O fundamental problema do mundo é que os idiotas são prepotentes e os inteligentes são cheios de dúvidas."


Duas frases com mesmo valor semântico. Dois pensadores relevantes. 


Essa mensagem cabe como uma luva atualmente, em que pessoas com pouco conhecimento a respeito de um tema específico acreditam piamente que sabem mais do que especialistas no assunto, enquanto estes estão cheios de dúvidas. 


Você conhece alguém assim? 


Não é difícil de achar. Eles estão por aí “aos montes”.


O fato é que indivíduos cheios de certezas param de aprender; bloqueiam-se para novos aprendizados. São afoitos, “falam grosso” e interrompem argumentações. Não ouvem o outro. Já sabem tudo!


Indivíduos inteligentes sabem que não são “donos da verdade” e aprendem com os resultados obtidos com suas dúvidas, sejam eles quais forem. Sabem ouvir. Quanto mais você aprofunda os conhecimentos, mais percebe a complexidade das variáveis. Isso não é fraqueza; é honestidade intelectual.


Chega-se, então, a um dilema. Deve-se discutir com burros?


A resposta, óbvia, é “não”.


Poupe a sua saúde mental, a sua sanidade. Quando você tenta convencer com argumentos um “burro” (no sentido da teimosia e da ausência de reflexão sobre si mesmo), você acaba descendo ao nível “intelectual” dele, e, nesse nível, ele é um expert, e você não. Ele dificilmente (e põe difícil nisso) mudará de opinião, porque, para ele isso seria uma derrota social, e não um saber agregador. 


Discutir, nesse caso, é uma armadilha em que você, invariavelmente, será o perdedor. 


É uma situação que enfrentamos, uma hora ou outra, queiramos ou não, que se torna até cansativa no dia a dia. 


Fuja deles!


REFERÊNCIA

(1) Valesca Botelho é Médica, pós-graduada em Pediatria e em Saúde Pública.


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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

MENSAGEM - A PRECIPITAÇÃO NA TOMADA DE DECISÕES


                                   MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO

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          TEXTO PARA VERSÕES EM OUTRAS LÍNGUAS 
          TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES

O seu caráter é o que você realmente é. Um homem se identifica na sociedade como pessoa através do seu caráter e da sua personalidade. O caráter tem como frutos os princípios, a personalidade e os valores. Portanto, não seja afoito. Não seja apressado para tomar as suas decisões num conflito. Melhor adiar uma resposta para amanhã ou depois, do que dá-la imediatamente e se arrepender em seguida ou depois. Tenha essa postura como parte dos seus princípios de vida; ela cabe em inúmeras situações, e, especialmente, permite que na sua mente a situação passe, da forma adequada e necessária, pelo crivo do seu caráter, da sua natureza, da sua índole. 

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sábado, 17 de janeiro de 2026

SER HUMANO: ENTRE A ESSÊNCIA E A FALSIFICAÇÃO

                     

 

Roberto Gameiro


Nelson Rodrigues escreveu: “O ser humano é o único que se falsifica. Um tigre há de ser um tigre eternamente. Um leão há de preservar, até morrer, o seu nobilíssimo rugido. E assim o sapo nasce sapo e como tal envelhece e fenece. Nunca vi um marreco que virasse outra coisa. Mas o ser humano pode, sim, desumanizar-se. Ele se falsifica e, ao mesmo tempo, falsifica o mundo.”. (1)


O texto acima, abaixo referendado, foi publicado em Jornal, entre dezembro de 1967 e junho de 1968; e notem a atualidade do seu significado e contexto.


O título deste artigo nos remete a uma reflexão acerca do caminho que está tomando a humanidade neste momento histórico. 


O ser humano foi criado com o dom do “livre-arbítrio”; com essa vantagem, diferentemente da fauna, o homem pode assumir mentiras e construir personagens sob as quais esconde a sua face verdadeira. 


Dessa forma, o indivíduo abdica de sua autenticidade e se desumaniza, tornando-se uma falsificação de si mesmo, negando a sua natureza racional. A desumanização é consequência do somatório de pequenas falsificações que destroem o que temos de mais vital.


Essa desumanização é contagiosa em relação ao ambiente em que se convive; e a consequência disso é a falsificação do mundo, que deixa de ser real, tornando-se um organismo artificial, no qual as pessoas perdem a sua identidade e até a sua dignidade. Uma pessoa que não é verdadeira consigo mesma não enxerga com clareza o mundo que a cerca, e projeta sobre ele bases falsas que, cumulativas, podem trazer consequências danosas à humanidade.


Daí em diante, as pessoas, contagiadas, ficam feito “baratas tontas”, procurando suas identidades, sem saber se seus princípios e valores ainda são significativos ou não, o que é verdade ou não, e em que acreditar. Uma verdadeira crise de identidades.


Portanto, a liberdade humana, o dom do “livre-arbítrio, pode trazer consequências boas e ruins, pois somos os únicos que podem escolher o que ser, mas, igualmente, os únicos que podem trair essa escolha. Estamos expostos a riscos consideráveis de perder nossa própria identidade devido à influência de informações enganosas.


Que bom seria se, como a fauna, fossemos seres de “essência plena”, em que o ser e o agir coincidem de forma absoluta. 


Ser de verdade é trabalhoso e exige coragem e determinação, mas é a única forma de impedir que nossa autenticidade se afogue no meio de tanta falsificação.


Mas há esperança. O mundo tem mais gente do bem do que do mal. 


Façamos a nossa parte.


REFERÊNCIA

(1) RODRIGUES, Nelson, 1912-1980. O óbvio ululante: as primeiras confissões       / de Nelson Rodrigues. Rio de janeiro: Agir, 2007. 


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sábado, 15 de novembro de 2025

A INVERSÃO DE VALORES NA SOCIEDADE



Roberto Gameiro

A sociedade moderna vive uma inversão de valores que merece uma profunda reflexão no sentido da busca de alternativas que levem à recomposição da qualidade das relações humanas e da moral e da ética nas nossas existências.


Há que se reumanizar as relações, priorizando o amor às pessoas em detrimento do amor às coisas. 
As coisas existem para servir ao homem, e este para amar o seu semelhante. Quando o amor e o afeto mútuo, como fontes genuínas de sentido, são priorizados nas relações, a vida pode se tornar plena de felicidade e de realizações.


Quando ocorre o contrário, ou seja, a busca e a posse de bens materiais como objetivo principal da vida, o indivíduo se torna vazio e infeliz, pois se as coisas são o que importa, os outros são usados como meios para obter essas coisas, sendo reduzidos a fontes úteis de benefícios; e, pior; quando a pessoa deixa de ser útil, ela é descartada. Este é, infelizmente, um diagnóstico de parte da nossa civilização. 


Cada pessoa tem o seu valor intrínseco, que é insubstituível, e deve ser valorizado e respeitado. Há que se cultivar a empatia, o cuidado e a gentileza nos relacionamentos, para tornar a vida mais leve e alegre. 


Lembrando, como profetizou José Datrino (1917-1996), pregador urbano brasileiro, “gentileza gera gentileza.”. Trata-se de uma postura extremamente contagiante que influencia, como ato de bondade, todos ao redor.


Já a tecnologia, o dinheiro, carros e quaisquer outros recursos materiais, devem ser vistos como ferramentas facilitadoras das vivências das pessoas, favorecendo o conforto, a locomoção, as aproximações, a ajuda ao próximo, e até mesmo para expressar a amorosidade. São meros instrumentos que não podem ser o centro das nossas prioridades, pois seu valor é efêmero.


A vida terá um verdadeiro significado quando a prioridade for o ser e não o ter; o amor às pessoas, ao invés do saldo bancário.

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sábado, 8 de novembro de 2025

MENSAGEM - GESTOS E EXPRESSÕES DA PRIMEIRA INFÂNCIA

                           MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO

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               TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES

A corrida para os abraços na chegada, a alegria do reencontro diário, o afago, a confiança, os olhares cúmplices, a expectativa das novas possibilidades. Todos os sons, todas as fragrâncias, todas as cores, todas as texturas, tudo junto e misturado, formam um lindo concerto de formas e atitudes que emolduram os relacionamentos dos pequeninos. Isso tudo sob a batuta de um ser humano especial, a professora, que rege a sua pequena “orquestra” harmonizando, num só ambiente, diferentes emoções, personalidades e anseios. Assim, é o dia a dia de uma turminha de Educação Infantil em qualquer escola. São gestos e expressões da primeira infância, momento precioso para o desenvolvimento humano, ocasião em que a estrutura do cérebro se constitui e forma o arcabouço sobre o qual repousarão todas as possibilidades de aprendizagens cognitivas e emocionais advindas das experiências da vida.





























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sábado, 1 de novembro de 2025

VIVER ALÉM DA INSIGNIFICÂNCIA

              IMAGEM SEM DIREITOS DE AUTOR, ENCONTRADA NO SITE PIXABAY


Roberto Gameiro

Encontrei o texto abaixo, de autor desconhecido (1), na Internet, sob o título “Carta aberta para mim”.


“Cada um tem de mim exatamente o que cativou, e cada um é responsável pelo que cativou; não suporto falsidade e mentira; a verdade pode machucar, mas é sempre mais digna. Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com intensidade. Perder com classe e vencer com ousadia, pois a vida é muito para ser insignificante. Eu não desisto dos meus sonhos. O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e correr o risco de viver seus sonhos.”


Após ler essa mensagem, interessei-me em explorá-la um pouco, pois seu conteúdo tem muito a ver com o meu blogue: “O texto no contexto como pretexto.” (2)


De pronto, na primeira frase (Cada um tem de mim exatamente o que cativou, e cada um é responsável pelo que cativou), encontrei uma interessante relação com o diálogo do principezinho de “O Pequeno Príncipe” com a raposa a respeito do termo “cativar”. Acredito que você também teve essa percepção! Esse diálogo está no meu artigo “O valor de uma amizade”, que pode ser acessado logo abaixo em (Leia também).

 
Pois é; no diálogo com a Raposa em “O Pequeno Príncipe”, "cativar" é explicado como criar laços, tornar-se necessário um para o outro, e sair da superficialidade para uma relação única e especial.


O "cativar" não é um ato unilateral, mas um compromisso de mão dupla.
 

Essa frase inicial resume o sentido e situa a motivação do autor.  Por outro lado, ao afirmar que “a vida é muito para ser insignificante”, demarca o contexto contra o que é raso e, consequentemente, não significante, estabelecendo a verdade como inegociável e instituindo a honestidade como condição primeira para uma vida voltada para o bem.


É um convite para que tenhamos a coragem de sonhar e correr os riscos de viver nossos sonhos, assumindo o protagonismo existencial, em contraponto aos que se contentam em ser coadjuvantes dos sonhos dos outros.


 “Vencer com ousadia” significa, então, fazer mais do que se espera. Essa atitude de correr riscos faz com que uma história seja memorável e valha a pena ser contada e celebrada. 


Um texto num contexto como pretexto para a autenticidade.


REFERÊNCIA

(1) A autoria do texto tem sido eventualmente atribuída a Charles Chaplin e a Augusto Branco.
(2)  Gameiro, Roberto. O texto no contexto como pretexto, blogue, encontrado aqui


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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

AS MARAVILHAS QUE SOMOS E QUE POSSUÍMOS



Roberto Gameiro


Um grande amigo de Olavo Bilac lhe pediu, numa ocasião, que fizesse uma descrição do sítio que possuía para o anúncio de venda pois acreditava que se ele descrevesse a propriedade seria fácil vendê-la. Bilac, que conhecia bem o sítio e o amigo, atendeu ao pedido e redigiu: "Vende-se encantadora propriedade onde cantam os pássaros, ao amanhecer, no extenso arvoredo. É cortada por cristalinas e refrescantes águas de um ribeirão. A casa, banhada pelo sol nascente, oferece a sombra tranquila das tardes, na varanda.". 


Algum tempo depois, os dois se encontraram e Bilac perguntou se tinha vendido o sítio, ao que o amigo respondeu que depois da descrição que ele havia feito da propriedade, percebeu a maravilha que possuía e resolveu não mais vendê-la.


Essa historieta me fez refletir sobre como o amigo de Bilac estava fazendo mau uso da linda propriedade que tinha, não percebendo o quanto poderia usufruir de tudo aquilo. Foi preciso alguém “de fora” para fazer aflorar nele a percepção da maravilha que possuía; e a me perguntar: será que o poeta fez o texto com esse propósito? Se sim, mostrou-se realmente um grande amigo.

 

Desejar o que ainda não se tem e lamentar aquilo que já não se tem são outras características comuns dos seres humanos.

 

Ela também me fez pensar sobre como o mote que nos é trazido por esse contexto pode ser pretexto para nos ajudar no processo de educação dos nossos filhos enquanto são crianças e adolescentes. Embora não tenham ainda todos os processos cerebrais amadurecidos, trata-se do momento da vida em que o testemunho e o exemplo dos pais mais ficam guardados na memória deles. Cada um de nós tem registros de fatos ocorridos quando tínhamos aquelas faixas etárias, que nos vêm à mente até com uma certa constância; os bons e os não tão bons.


Saber dar valor e fazer bom uso do que se é e do que se tem através do cultivo da autoestima, da perseverança, da resiliência e da espiritualidade, são elementos indispensáveis nos nossos diálogos com os filhos para que possam crescer não apenas em estatura, mas, também, em sabedoria; esta, com o sentido de prudência, moderação, temperança, sensatez e, especialmente, reflexão.


Assim, talvez, ao longo da vida, eles terão menos motivos para lamentar o que eventualmente perderam, já não tenham ou já não sejam, num ciclo virtuoso de autovalorização e de percepção de que na vida passamos por inúmeros estágios de acertos e erros, de ganhos e perdas, de sucessos e fracassos, procurando, porém, não nos afastar do que nos move sempre para a frente: os sonhos, a esperança e, especialmente, a crença em Deus.


Cora Coralina escreveu: “A verdadeira coragem é ir atrás dos seus sonhos mesmo quando todos dizem que é impossível.”.


Conheça a sua realidade, usando a razão e a emoção, e valorize o que você tem; não apenas bens materiais, mas também as pessoas que você ama, os seus familiares e amigos, seu emprego ou sua atividade laborativa, os seus conhecimentos, competências e habilidades, a sua saúde e a sua espiritualidade. Tudo isso somado constitui a verdadeira riqueza que uma pessoa pode possuir.


“O que você tem, todo mundo pode ter, mas o que você é ... ninguém pode ser.”. Esta frase é atribuída a Costanza Pascolato e, também, a Clarice Lispector. Independentemente de quem a formulou, ela nos traz a mensagem de que nós somos seres únicos criados à semelhança do Criador para, com as nossas qualidades e as nossas limitações, colocarmo-nos a serviço do próximo, fazendo bom uso do que temos e, especialmente, do que somos. 


Vamos, portanto, nos colocar a serviço como verdadeiros Discípulos  Missionários  de Jesus Cristo, disseminando a Boa-Nova no tempo oportuno e inoportuno, como nos ensina o texto Bíblico.


Publicado originalmente em 16/08/2020


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sexta-feira, 29 de agosto de 2025

MENSAGEM - O ERRO E SUAS CONSEQUÊNCIAS

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Tomar decisões é fazer escolhas. Erros e acertos são consequências de escolhas; ambos são inerentes à condição humana. Qualquer que seja o status socioeconômico do indivíduo, ele estará sempre tomando decisões, optando por uma escolha que a ele parecerá a mais apropriada diante das circunstâncias. Há erros que não oferecem a possibilidade de correção: o erro médico com o consequente óbito do paciente, o erro de um controlador de voos causando desastre com a perda de vidas... Já nas escolas, os erros dos alunos nas avaliações e atividades são oportunidade de o professor voltar ao ensino daquele conteúdo usando uma metodologia diferente. O erro faz parte do processo de aprendizagem e, consequentemente, do processo de ensino. Feliz o professor que sabe lidar com os erros dos alunos. 



 

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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

MENSAGEM - O INDIVÍDUO HUMANO É UM SER DE RELAÇÕES

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A importância de se investir numa amizade ou ser útil para alguém ou investir num amor ou na educação de um filho não está na relação do que "se despende para", com "o que se recebe por".  Trata-se de algo muito maior. Quem gosta de ou ama alguém não se importa com mensuração dessa dedicação, nem com retribuição desta. A dedicação poderá ser maior do que a retribuição, ou ao contrário; mas não é isso que move o ser humano nessas situações. O indivíduo humano é um ser de relações. Relações de vida. De vida em abundância. Isso não tem preço, nem valor mensurável.



























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sexta-feira, 18 de julho de 2025

MENSAGEM - PESSOAS DE REFERÊNCIA (2)


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Cada Família possui suas características próprias, seus princípios e valores culturais, sociais e religiosos, que cultua, prioriza e procura manter. Nos últimos tempos, as famílias, perplexas, têm visto crescer, assustadoramente, a violência nas ruas e na sociedade em geral. E, como estruturas sistêmicas, fecham-se atrás de grades, alarmes e sistemas de segurança. Muitas vezes, famílias bem constituídas, são pegas de surpresa com atitudes reprováveis dos filhos na escola, no clube, no prédio… É importante a existência de “pessoas de referência” na vida das crianças e dos adolescentes, de preferência, os pais. Os professores também podem ser referência para seus alunos; às vezes, independentemente de suas crenças e convicções; às vezes, em função de; às vezes, apesar de.


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sexta-feira, 14 de março de 2025

A IMPORTÂNCIA DAS NOSSAS RAÍZES ANCESTRAIS

Roberto Gameiro

Bert Hellinger, escritor, psicoterapeuta e padre alemão (1925-2019), escreveu:

“Atrás de mim estão todos os meus ancestrais me dando força. A vida passou através deles até chegar a mim. E em honra a eles eu a viverei plenamente.” 

De geração em geração, vão sendo construídas nossas identidades, cada uma das quais traz raízes culturais e sociais das que a antecederam. Eu tenho muito dos meus pais; os meus filhos têm muito de mim e da mãe deles. Os meus netos têm muito dos avós e dos pais. 

Hoje, eu não sou o mesmo que era ontem, assim como o rio que renova suas águas enquanto busca o oceano.

A conexão com as origens permite que cada um de nós se reconheça dentro de um contexto cronológico que compreende  a transmissão de valores histórico-culturais, tradições e elementos genéticos que constituem aquisições valiosas acumuladas de geração em geração.


No mundo de hoje, em que a globalização põe à prova constantemente as identidades individuais e coletivas, é mister o sentido de pertencimento a raízes ancestrais que propicia a compreensão de onde viemos e de quem somos e valoriza e resguarda o conjunto da produção cultural das gerações precedentes.

Princípios e valores saudáveis transmitidos ao longo das gerações fortificam a nossa cognição, o que resulta em tomadas de decisão e comportamentos alinhados com o legado familiar, possibilitando a construção de um sentido de vida que valoriza a amorosidade, o respeito e a solidariedade.

Há um provérbio Chinês que diz: “Esquecer os ancestrais é como ser um riacho sem nascente, uma árvore sem raízes.”

Portanto, reconheçamos e valorizemos nossas raízes ancestrais. Assim, manteremos intensa a chama das contribuições daqueles que nos precederam e fortaleceremos as identidades individuais e coletivas do nosso tempo.

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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

TUDO DEPENDE DO OLHAR


Roberto Gameiro


“Um pai resolveu mostrar para o filho como é bom ser rico.

Foi com o garoto passar um fim de semana num sítio de pessoas muito pobres. 

Quando voltaram, perguntou ao menino:

- Como foi a viagem?

- Muito boa, papai!

- Você entendeu a diferença entre a riqueza e a pobreza?

- Sim.

- E o que você aprendeu?

- Eu vi que nós temos só um cachorro em casa. Eles têm quatro. Nós temos uma piscina que alcança o meio do jardim; eles têm um riacho que não tem fim. Nós temos uma varanda coberta e iluminada; eles têm uma floresta inteira...

Ao final da resposta, o pai ficou boquiaberto, sem reação.

E o garotinho, abraçando fortemente o seu pai, completou:

- Obrigado, pai, por me mostrar o quanto nós somos pobres!”

(Autor desconhecido)


Pois é. Tudo depende do olhar que se tem em relação ao que se vê e ao que se sente. 


Este diálogo entre pai e filho nos convida a refletir sobre as diferentes percepções que podem ser exploradas a respeito de riqueza e pobreza.


Diferentemente do pai que valoriza os bens materiais, objetivos, a criança percebe maior valor nos bens imateriais, subjetivos; enquanto aquele observa a falta de recursos materiais, esta se encanta com a riqueza existente na simplicidade da vida e na profusão de elementos naturais, comparando-os com o status financeiro e econômico da sua família.


O pai pretendia levar o filho a reconhecer o quanto eles eram ricos em função dos bens materiais que possuíam. Deu com os “burros n’água”, pois a criança focou sua percepção em enxergar para além das aparências, identificando valores essenciais naturais como prova de riqueza, e colocando em plano secundário os bens materiais. 


São visões diferentes de um mesmo contexto. Sob o meu olhar, não se pode afirmar que uma ou outra esteja errada ou equivocada, mas nos leva a ponderar sobre a necessidade de a educação infantil propiciar condições para a criança explorar valores morais e éticos, para saber discernir sobre o certo e o errado, conforme vai consolidando suas estruturas mentais, promovendo a conscientização social e as vivências do dia a dia,  além de reconhecer e agradecer as graças que o Criador nos deu e dá, independentemente de bens materiais ou imateriais.


Para o pai, fica a lição bem expressada por Augusto Cury: “Você precisa conquistar aquilo que o dinheiro não compra. Caso contrário, será um miserável, ainda que seja um milionário."

 

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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional  e em Design Instrucional. Contato: textocontextopretexto@uol.com.br  

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