O TEXTO NO CONTEXTO COMO PRETEXTO - Para debates em família e na escola - Roberto Gameiro

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quinta-feira, 7 de maio de 2026

O SEGREDO DA ASCENSÃO NA VIDA É A PERSEVERANÇA



Publicado originalmente em 05/12/18


Roberto Gameiro


Certa vez, um professor meu, de Língua Portuguesa, propôs à turma a confecção de uma redação com o tema “O segredo da ascensão na vida é a perseverança”. Esse tema me tocou muito, e, desde aquele tempo de adolescência, tenho, quase que involuntariamente, refeito mentalmente essa redação, enfatizando aleatoriamente cada um dos significantes do seu enunciado.


Os termos que compõem o enunciado, “segredo”, “ascensão”, “vida” e “perseverança”, contêm, cada um isoladamente, conotações que justificariam uma redação específica.


Mas, quando os quatro são juntados, provocam e possibilitam reflexões que extrapolam em muito o somatório de seus significados individuais.


E, não raro, me vêm à mente analogias semânticas com a introdução, na reflexão, de novos significantes pertinentes ao tema.


Um desses termos é a “resiliência”.


Resiliência tem a ver com perseverança, tem a ver com ascensão, e tem a ver com vida.


Focando nos aspectos referentes ao exercício profissional, observo que para atingir metas (cada vez mais exigentes) e alcançar objetivos, não bastam mais somente aquelas habilidades padrão que sustentavam as competências dos gestores e colaboradores, recursos como conhecimento do produto ou serviço e do mercado concorrencial, linguagem adequada ao tipo de cliente e à cultura local...


As metas são vistas por muitos executivos como verdadeiras bolas de neve, que vão aumentando progressivamente conforme periodicamente são alcançadas; e tem de ser assim mesmo; caso contrário, não se justificariam.


Há que se ter muita competência para enfrentar, e vencer, esses desafios.


Annelise Gripp, profissional da área de Tecnologia da Informação e Gestão de Equipes, escreveu no seu artigo "Resiliência: a competência que nos leva à excelência!" (1) que "Resiliência é a capacidade que temos de lidar com os problemas, superar obstáculos e resistir à pressão de situações adversas, durante um tempo, sem perder o foco em alcançar o seu objetivo. Ou seja, resiliência é movimento que se faz de sair da zona de conforto, trabalhar, desenvolver, para alcançar uma meta e depois retornar ao estado natural. Como se fosse um elástico, que esticamos para amarrar alguma coisa e depois que usamos, ele volta ao seu estado normal, para ser usado novamente.".


Os teóricos definem “competência” como a capacidade do indivíduo de movimentar recursos para resolver uma situação complexa. Entre esses recursos estão as emoções e, muito ligada a estas, está a resiliência.


A resiliência, por óbvio, não nos remete apenas a metas. Ela deve ser fator presente em todas as posturas e ações que contemplem tomadas de decisão, das mais simples às mais complexas.


Não confunda, porém, resiliente com teimoso. Ambos são obstinados; o primeiro é organizado, flexível, sensato e focado; o segundo é, geralmente, desorganizado e inflexível, faltando-lhe bom senso e foco. 


Ser resiliente é não desistir diante de possíveis fracassos; é suportar efeitos colaterais nocivos; é ser proativo; é ter forte personalidade; é ser resistente a adversidades.


É, enfim, ser perseverante.


Você é resiliente?


REFERÊNCIA


(1) GRIPP, Annelise. "Resiliência: a competência que nos leva à excelência". 2014, encontrado em  https://annelisegripp.com.br/resiliencia  (Acessado em 04/12/18). 


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Roberto Gameiro é Mestre em Administração com ênfase em gestão estratégica de organizações, marketing e competitividade; habilitado em Pedagogia (Administração e Supervisão); licenciado em Letras; pós-graduado (lato sensu) em Avaliação Educacional  e em Design Instrucional. 


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sexta-feira, 1 de maio de 2026

EDUCAÇÃO CONTRA O ÓDIO


 
EDUCAÇÃO CONTRA O ÓDIO


Roberto Gameiro


Nelson Mandela (1918-2013) escreveu na sua autobiografia “Longo Caminho para a Liberdade”:  "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor da sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.". 


Tenho pena de crianças que nascem e vivem em lares cujos pais são preconceituosos em relação a raça, ou cor da pele, ou religião, ou política partidária; o mesmo em relação a alguns de seus professores; o mesmo, também, em relação a seus grupos de convivência. O preconceito e a intolerância dificultam o diálogo necessário, substituindo-o por discursos de ódio, violência e desdém.


Isso    vale    para    preconceituosos  e   para     pós-
-conceituosos (1). No fim, dá tudo na mesma.


O preconceito aparece sutilmente (ou arrogantemente) nos momentos de convivência familiar, especialmente no café da manhã, no almoço, no jantar, ao ver programas na TV, especialmente novelas, jogos e reality shows, através dos comentários “daqueles” pais; enfim, não tem como a criança fugir dessas influências nefastas; e isso vai moldando o seu caráter e a sua personalidade. Sem contar que algumas das opções citadas não são recomendadas para crianças. Mas, lei, ora a lei (2).


O cérebro da criança vai acumulando conhecimentos prévios nulos de verdades e são esses dados, essas informações que virão à mente quando requisitados para enfrentar uma situação problema qualquer. Aí, cabe a expressão popular: “tais pais, tais filhos”.


Isso não é herdado. É obtido pela convivência diária    com    sujeitos    preconceituosos    ou  pós-
-conceituosos.


René Descartes (1596-1650), filósofo francês, escreveu no seu “Meditações Metafísicas”, na “Meditação Primeira”: 


“Há já algum tempo me apercebi de que, desde meus primeiros anos, recebera grande quantidade de falsas opiniões como verdadeiras e que o que depois fundei sobre princípios tão mal assegurados só podia ser muito duvidoso e incerto, de forma que me era preciso empreender seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões que até então aceitara em minha crença e começar tudo de novo desde os fundamentos, se quisesse estabelecer algo firme e constante nas ciências.”.


Tudo a ver, não é mesmo?


Mas, não nos desesperemos.


O tipo de família destacada aqui não é maioria na população brasileira. 


Ainda bem.


Nas minhas vivências de mais de quarenta anos na gestão de escolas particulares, eu tive o privilégio de conviver com todos os tipos de famílias, e posso afirmar, com convicção, que a maioria delas é constituída de pessoas entusiastas de uma


EDUCAÇÃO PARA O AFETO 


A educação para o afeto é uma filosofia de vida em que os pais priorizam o vínculo afetivo em detrimento da autoridade arbitrária. Aqui não há preconceitos; há diálogos. Neste modelo, a criança cresce num ambiente em que a educação ocorre pelo exemplo e pela segurança. Ela respeita porque é respeitada, e ouve porque é ouvida. A família passa a ser, para a vida toda, um porto seguro saudável ao qual sempre se poderá voltar, mesmo que apenas para “recarregar as baterias”. 


Sem preconceitos, nem arbitrariedades, não há permissividade, mas sim um forte alicerce no qual as correções, necessárias, são eficazes e duradouras. São vividas a alteridade, a perseverança, a resiliência e a autonomia. Tudo conduzido pelos pais com foco e propósitos claros, conhecidos e assumidos por todos. 


Obviamente, os cérebros destas crianças estarão plenos de conhecimentos prévios salutares e com mentalidades limpas e bem formadas. 


Resumindo, aqui também vale o dito popular “tais pais, tais filhos”.


REFERÊNCIAS


(1) Pauletto, Jair Antônio. Site “O Singular do Plural: pós-conceito.” Acessado em 17/04/2026. https://www.jairpauletto.com.br/visualizar.php?idt=4195570

 

(2) "A lei, ora a lei" é atribuída a Getúlio Vargas em contexto de desdém pelas normas. 


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quinta-feira, 23 de abril de 2026

CUIDADO - CRIANÇA - CONTÉM SONHOS!


Publicado originalmente em 16/04/2022


Roberto Gameiro


Mirko Badiale, filósofo italiano, escreveu certa vez: “Deve ser colocada uma placa em cada criança que diga:


          "Trate com cuidado. Contém sonhos”. 



Nós, professores, somos seres privilegiados pois tratamos, diariamente, com os tesouros mais valiosos deste mundo: as crianças. 



Como é gratificante conviver com “serzinhos” tão especiais que chegaram num mundo que já existia e ao qual estão se abrindo, conhecendo, interagindo, sentindo-se parte e percebendo, ao longo dos anos, que podem (e devem) intervir nele para torná-lo melhor.  


O que dizer, então, dos pais que os geraram e têm a alegria, a emoção e a responsabilidade de os educar, formando-os para o bem e para valores morais e éticos saudáveis, dedicando-lhes um amor que é infinito, e por quem dariam a própria vida para garantir e preservar as deles.


Cada uma delas (as crianças) vai crescendo e, aos poucos e sempre, construindo um sentido para sua vida baseado nas suas vivências e nos ensinamentos vindos dos pais, da escola e da igreja. 


Sentido de vida se constrói com base em sonhos. E as crianças os têm e muitos. Qual a criança que não tem uma resposta pronta para a pergunta “o que você quer ser quando crescer?”. A resposta pode ser uma num dia e outra bem diferente no dia seguinte, tal a vitalidade do que passa na mente e no coração de uma criança. 


Cabe a nós, adultos, proporcionar às crianças condições favoráveis para que sejam crianças enquanto ainda são crianças, dando-lhes oportunidades para brincar, e brincar muito, pois as brincadeiras desenvolvem nelas a capacidade de se relacionar consigo mesmas e com os outros, contribuindo para que deem conformidade aos seus sonhos, aos seus projetos de vida. 


A propósito, entre os “Direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil” propostos na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), está:


“Brincar cotidianamente de diversas formas, em diferentes espaços e tempos, com diferentes parceiros (crianças e adultos), ampliando e diversificando seu acesso a produções culturais, seus conhecimentos, sua imaginação, sua criatividade, suas experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais.”


Mas não são apenas as crianças que têm sonhos. Nós, adultos, também os temos. E muitos! Ainda bem! E nesta seara, há que se ponderar que um sonho sem objetivo é apenas um sonho; nada mais. 


Augusto Cury escreveu:


“Sem sonhos, a vida não tem brilho. Sem metas, os sonhos não têm alicerces. Sem prioridades, os sonhos não se tornam reais. Sonhe, trace metas, estabeleça prioridades e corra riscos para executar seus sonhos. Melhor é errar por tentar do que errar por se omitir!” (Você é insubstituível. Rio de Janeiro: Sextante, 2002)


Portanto, caro leitor, vá atrás dos seus sonhos de criança e de adulto. Só você pode torná-los realidade. Seja protagonista dos seus sonhos. Não seja um simples coadjuvante dos sonhos dos outros.


Assuma a placa que diz:


                      "Contenho sonhos!" 




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sexta-feira, 3 de abril de 2026

OS JOVENS NUM MUNDO CIBERNÉTICO


Roberto Gameiro


Já há algum tempo, as crianças e os adolescentes estão ensinando tecnologia para os mais velhos; é fascinante a facilidade que eles têm no uso de smartphones, tablets, aplicativos e, agora, inteligência artificial. 


Como que para justificar essas competências e habilidades, eu costumava brincar dizendo que hoje as crianças já nascem com um chip instalado no cérebro. 


Mas, nunca me ocorreu refletir, de forma mais profunda, sobre as características intrínsecas desse “dispositivo”, além da rapidez de raciocínio e facilidade para a aprendizagem cibernética. 


Mas, brincadeira à parte, descobri que não sou só eu que tenho essa percepção.


Há uma busca constante de explicação do porquê os jovens operam telas e algoritmos com tanta fluidez; e há uma espécie de consenso de que não se trata de uma capacidade biológica inata, mas sim o fato de eles já terem encontrado um mundo cibernético, um mundo mediado por dispositivos. 


Desde a mais tenra idade, as crianças estão envolvidas com brinquedos tecnológicos; muitos desses dispositivos de diversão as tornam simples espectadoras das performances dos brinquedos que, praticamente “brincam sozinhos”. A criança não precisa “pensar”, “imaginar”, “manusear”, “construir” nada. O brinquedo é autossuficiente.


Essa postura passiva não traz desafios cognitivos e não estimula a criatividade e o espírito inventivo. O jovem vai crescendo e se tornando adulto acostumando-se de que sempre haverá um “aplicativo” que fará, com rapidez, eficiência e eficácia, tudo o que ele precisa; e a concentração e o aprendizado ficam para segundo plano, assim como a reflexão e a profundidade crítica.


Parte dos homens que estamos formando são vazios de intelecto e carentes de emoção; mas experts no uso da tecnologia, com uma destreza que fascina. 


Por outro lado, não se pode negar a importância que a agilidade digital trouxe para a humanidade. Os dados, as informações, os conhecimentos, estão aí à disposição de todos. Escancarados. Mas, ao mesmo tempo, transformaram-se em produtos de uso superficial, descartáveis após o uso. 


Em outras palavras, estamos supervalorizando a memória de curto prazo, em detrimento da de longo prazo. Percebe?


Nessa toada, de onde virão os futuros cientistas, pesquisadores, inventores, que tratam o conhecimento com a profundidade e a complexidade exigida em cada área?


Numa reflexão rasteira e intempestiva me ocorreu que o cérebro humano, que já é subutilizado, num futuro próximo não mais será depositário de dados, informações, conhecimentos e saberes latentes, mas um depósito catalogado de uma infinidade de “aplicativos” e dispositivos prontos para serem acessados de acordo com a necessidade em pauta. 


Viraremos perfeitos robôs. 


O que dá pra rir, dá pra chorar. 


Mas, há esperança. Depende, especialmente, da família, da escola e da igreja. A família na educação, a escola na formação, e a igreja na conscientização.


Essas três instituições, que, embora com falhas inerentes, ainda têm crédito público em meio a tanta safadeza e corrupção que grassa em parte dos segmentos político, jurídico e legislativo, têm a missão de atuar em conjunto para promover a literacia digital, ou seja, capacitar as pessoas para que definam, busquem e alcancem seus objetivos, desenvolvam suas potencialidades cognitivas e de emoções, e, especialmente, participem com intensidade dos destinos das suas comunidades e da sociedade em geral.


Não haverá necessidade de afastar os jovens dos aparelhos, dos softs e dos aplicativos, mas de ensinar a usá-los de forma produtiva, criativa e consciente.


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sexta-feira, 27 de março de 2026

MENSAGEM - MENTIRA OU VERDADE?



                         Mensagem publicada originalmente em 02/12/23

               MENSAGEM DE ROBERTO GAMEIRO
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         TEXTO PARA VERSÕES EM OUTRAS LÍNGUAS
         TEXT FOR VERSIONS IN OTHER LANGUAGES 

Como formar  os filhos   para  a  verdade se, por exemplo, seu filho atende ao  telefone  fixo  e  diz - Pai, é o “Fulano de Tal”! E você diz - Diga que não estou.  Alguém  vai   dizer: - Essa  é  uma  mentirinha  inocente.  “Mentira  inocente”    continua   sendo  uma  mentira;  adjetivada,  mas mentira.  E, então, o que fica, numa circunstância  como  essa, para a formação da criança?  Ela,  provavelmente,  vai  pensar  - então, existem  "mentiras inocentes”  que  eu  posso dizer e “mentiras   não  inocentes”  que   eu  não  posso  dizer. Entretanto,   como   o pai  vai  explicar para o filho qual o limite entre uma e outra? Não existem “meias mentiras”, nem “meias verdades”. Ou é mentira, ou é verdade!
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sexta-feira, 20 de março de 2026

SOBRE OS GOLPES E AS FRAUDES DO DIA A DIA



Roberto Gameiro

Há alguns anos, num dia útil de manhã, peguei um táxi para cumprir compromisso num outro bairro da cidade. Acomodei-me, indiquei o destino ao motorista, ao mesmo tempo em que colocava o cinto de segurança. Tudo nos conformes.
 

Ocorre que após algum tempo, o taxímetro já marcava R$13,00, quando percebi que havia, no aparelho, o que parecia ser um pequeno retalho de pano escuro cobrindo o espaço que indicava a “bandeira” (1 ou 2).


A propósito, por oportuno ...


“A principal diferença entre as bandeiras 1 e 2 no taxímetro é  o  custo por quilômetro rodado, sendo a bandeira 2 cerca de 20% a 30% mais cara que a bandeira 1. A Bandeira 1 aplica-se em dias úteis e horário comercial, enquanto a Bandeira 2 é     usada no período noturno, fins de semana e feriados. Bandeira 1 (Tarifa Normal): Usada geralmente de segunda a sexta-feira, das 06h às 20h ou 21h (varia conforme a cidade). Bandeira 2 (Tarifa Superior): Aplicada das 20h/21h às 06h, aos sábados a partir das 13h ou 14h, domingos e feriados o dia todo. O que muda no bolso: O valor da bandeirada (inicial) não muda, mas o valor de cada quilômetro percorrido aumenta, tornando a corrida mais cara no valor final, para compensar o horário especial de trabalho.” (informação obtida através do “Gemini”)


Pois bem, continuando o relato.


Por necessário, questionei o motorista a respeito do fato de eu não conseguir enxergar, no taxímetro, a informação da bandeira que estava sendo utilizada na corrida; este, desconcertado, apressou-se em retirar o paninho, e, acreditem, estava na bandeira 2, em pleno dia útil. Isso significa que eu iria pagar, pelo menos, 20% a mais pelo serviço.
 

Então, ele corrigiu a bandeira para a “1”, e, expressou suas justificativas:


Argumentou: “isso, deve ter sido o rapaz que usa este carro para corridas no período noturno; ele não vai mais usar este carro; pode ser que o paninho é o “cheirinho” aromatizante que voou e se fixou naquele espaço”; e outras alegações esquisitas das quais não mais me lembro pois faz muito tempo que esse fato aconteceu.


Outrossim, por mais estranhas que tenham sido as explicações do motorista, não tenho condições de afirmar que ele foi o autor da fraude (in dubio pro reo). Mas que foi proposital, não tenho dúvidas!


Mas, disse a ele que estranhava que o motorista da noite cobrisse aquela informação, pois, à noite, a bandeira é normalmente a “2”, não havendo motivo para tal ato. Aqui, não houve resposta. 


Contudo, pediu desculpas e informou, à minha provocação, que daria um desconto no valor final, o que realmente ocorreu. Paguei em dinheiro e a corrida se encerrou.


Como consequência, nestes dias, lembrei-me desse acontecido ao refletir sobre a quantidade de golpes que são perpetrados a cada dia contra os cidadãos de bem por pessoas de mau caráter; agora, especialmente por telefone e pelas redes sociais. A cada momento surgem novas fraudes e golpes, frutos da “criatividade” dos bandidos; e, em compensação, nós, as vítimas, “inventamos” novas formas de nos proteger.


É, quase, uma "guerra".
 

Eu, por exemplo, no celular, defini um toque musical específico para chamadas dos meus conhecidos mais chegados e familiares; a esses toques, eu atendo. Qualquer outro toque de chamada, eu ignoro ou recuso, com a “certeza” de que 90% deles são golpes.
 

A que ponto chegamos!


Concluindo, é mister considerar que é o somatório dessas “pequenas” fraudes que ocorrem com qualquer um de nós, no dia a dia, que nos coloca, como povo, em desvantagem em relação a outras culturas mais desenvolvidas. Nem preciso mostrar exemplos. Cuidado!


Lamentável.


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quinta-feira, 12 de março de 2026

A INSUBORDINAÇÃO DO CANTAR E DO BRINCAR


Roberto Gameiro

 

Eduardo Galeano (1940 - 2015), jornalista e escritor uruguaio, escreveu no seu livro “O livro dos abraços” (1): "Na parede de um botequim de Madrid, um cartaz avisa: Proibido cantar. Na parede do aeroporto do Rio de Janeiro, um aviso informa: É proibido brincar com os carrinhos porta-bagagem. Ou seja: ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca."

 

Aí está uma perspicaz observação sobre o comportamento humano e sua reação contra a rigidez institucional.

 

Ninguém colocaria uma placa num espaço público ou privado com os dizeres: “É proibido caminhar a 100 km por hora nestas dependências”. Isso porque essa ação não é realizável por um ser humano.

 

Mas “cantar” e “brincar” são atitudes e reações naturais dos indivíduos em relação ao meio social em que vivem.

 

No botequim, o cartaz pretende proibir o canto em favor do silêncio, porque o vinho e demais bebidas “convidam” os comensais a cantar, contagiando a todos os presentes (ou incomodando muitos).

 

No aeroporto, o aviso proíbe brincar com os carrinhos de bagagem, para garantir o trânsito livre e seguro dos viajantes, porque crianças, pela sua natureza lúdica, e adultos aborrecidos e agastados, talvez pelo tempo de espera, veem nos carrinhos uma oportunidade de divertimento e distração.

 

Nas duas situações, e em “n” outras equivalentes, trata-se de um embate entre o caráter “institucional” dos ambientes e a essência humana pulsante que busca o afeto, a celebração e a brincadeira.

 

Estão errados o botequim e o aeroporto ao proibir essas situações?

 

Sob o meu olhar, não.

 

Cada instituição tem o dever de preservar o bem-estar dos seus usuários em acordo com suas finalidades estatutárias. Aí, cada uma é uma, ou seja, cada caso tem suas particularidades e precisa ser avaliado separadamente.

 

Mas, o que de mais relevante a frase destacada traz, é a informação de que “ainda existe gente que canta, ainda existe gente que brinca.".

 

Cantar e brincar constituem chamadas à esperança. Na medida em que num mundo cheio de violência, corrupção, guerras e marcado pela falsidade, crises e cinismo, ainda houver pessoas brincando e cantando, esse mundo ainda tem salvação.

 

Gonzaguinha, na sua canção: "O Que É, O Que É?", nos traz essa esperança:

"Viver e não ter a vergonha de ser feliz / Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz."

 

Ainda.

 

REFERÊNCIA


(1)   GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. Tradução de Eric Nepomuceno. Porto Alegre: L&PM, 1991.


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sexta-feira, 6 de março de 2026

A COMPLEXIDADE DA MENTE - O DIRECIONAMENTO ÉTICO DO SABER




Roberto Gameiro

Maria Montessori (1870-1952) escreveu: “Não é suficiente termos um bom cérebro. O mais importante é usá-lo bem.”.

Centenas de anos antes de Cristo, Platão (348/347 a.C.) afirmou: “A coisa mais indispensável a um homem é reconhecer o uso que deve fazer do seu próprio conhecimento.”.


Duas abordagens, mesmo contexto: cérebro e conhecimento. 


O conhecimento que o cérebro constrói, através das informações que recebe, é completamente neutro; o que dá significado ao conhecimento são as intenções humanas, que dão valor e destinação ao consequente saber elaborado e comunicado.


O cérebro humano é a ferramenta mais perfeita, completa, eficiente e eficaz que se conhece; no entanto, ele é “humano”; e o ser humano é, por definição, incompleto e em busca constante de aperfeiçoamento; essa incompletude explica o porquê de usarmos apenas 10% da sua capacidade. Somos depositários de um instrumento maravilhoso, mas ainda estamos em processo contínuo de aprendê-lo adequadamente. 


Dessa forma, a mesma inteligência que trabalha para o bem, pode fazê-lo para o mal; nesse sentido, há dois quesitos que devem ser levados em conta para ajustar o equilíbrio da balança:  a consciência individual e o direcionamento ético do saber. 


O cérebro, como ferramenta, é um instrumento usado pelo ser humano; e, como instrumento, produz o que está na vontade de quem o manuseia. 


Portanto, não basta o acúmulo de dados; há que se focar no discernimento saudável e corretamente ético para poder aplicá-los de forma digna.


Isso se consegue, através das gerações, por um competente processo de educação e formação que começa na mais tenra idade e prossegue pela vida toda.
 

Em suma, o processo de educação, na família, e o de formação, na escola, deve valorizar a moral, a ética e a inteligência emocional na mesma medida das demais habilidades e competências cognitivas.

Deve-se incentivar, especialmente os jovens, a refletir e responder à pergunta:
 
“Para que serve o meu saber?”

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

FUJA DOS TEIMOSOS!

 


Roberto Gameiro
Valesca Botelho (1)


Charles Bukowski (1920-1994), poeta, contista e romancista teuto-americano, escreveu:

“O problema do mundo de hoje é que as pessoas inteligentes estão cheias de dúvidas, e as pessoas idiotas estão cheias de certezas ...”

Antes dele, Bertrand Russell (1872-1970), matemático, filósofo, ensaísta, historiador e lógico britânico, escreveu:

"O fundamental problema do mundo é que os idiotas são prepotentes e os inteligentes são cheios de dúvidas."


Duas frases com mesmo valor semântico. Dois pensadores relevantes. 


Essa mensagem cabe como uma luva atualmente, em que pessoas com pouco conhecimento a respeito de um tema específico acreditam piamente que sabem mais do que especialistas no assunto, enquanto estes estão cheios de dúvidas. 


Você conhece alguém assim? 


Não é difícil de achar. Eles estão por aí “aos montes”.


O fato é que indivíduos cheios de certezas param de aprender; bloqueiam-se para novos aprendizados. São afoitos, “falam grosso” e interrompem argumentações. Não ouvem o outro. Já sabem tudo!


Indivíduos inteligentes sabem que não são “donos da verdade” e aprendem com os resultados obtidos com suas dúvidas, sejam eles quais forem. Sabem ouvir. Quanto mais você aprofunda os conhecimentos, mais percebe a complexidade das variáveis. Isso não é fraqueza; é honestidade intelectual.


Chega-se, então, a um dilema. Deve-se discutir com burros?


A resposta, óbvia, é “não”.


Poupe a sua saúde mental, a sua sanidade. Quando você tenta convencer com argumentos um “burro” (no sentido da teimosia e da ausência de reflexão sobre si mesmo), você acaba descendo ao nível “intelectual” dele, e, nesse nível, ele é um expert, e você não. Ele dificilmente (e põe difícil nisso) mudará de opinião, porque, para ele isso seria uma derrota social, e não um saber agregador. 


Discutir, nesse caso, é uma armadilha em que você, invariavelmente, será o perdedor. 


É uma situação que enfrentamos, uma hora ou outra, queiramos ou não, que se torna até cansativa no dia a dia. 


Fuja deles!


REFERÊNCIA

(1) Valesca Botelho é Médica, pós-graduada em Pediatria e em Saúde Pública.


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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

A COMUNICAÇÃO VERBAL E A SUBJETIVIDADE HUMANA


Roberto Gameiro


“Existem momentos na vida, em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis e, por mais que a gente pense numa forma de empregá-las, elas parecem não servir. Então a gente não diz, apenas sente.” (autoria desconhecida)


Certa vez, ouvi de uma pessoa muito querida algo mais ou menos assim: “quando eu estiver triste, introspectiva ou chorando, não tente me consolar; apenas fique ao meu lado com sua presença.”


As palavras têm um limite após o qual são indizíveis. Isso acontece quando das experiências mais profundas do ser humano. Nesses momentos, a falta de palavras não é ausência de comunicação, mas uma forma muito superior a ela. Nessas situações, a gramática e o vocabulário falham e o sentimento impera.


Você já tentou descrever com palavras uma situação de luto?  Ou uma situação de extrema alegria? A experiência vivida é sempre mais precisa e imediata do que qualquer descrição que se tente fazer dela. 


Dessa forma, no luto, especialmente, mais vale um abraço carinhoso e fraterno do que qualquer frase tipo “meus pêsames”.


Também no amor, o olhar terno, sincero e de total confiança não precisa de palavras para externar pensamentos e sentimentos. 


Para que uma frase, ou palavra, seja significante, é preciso que ambos, emissor e receptor, estejam na mesma sintonia emocional. Em momentos de profunda emoção, qualquer fala bonita tem menos expressão do que um aperto de mão, um abraço, ou a presença ao lado do outro. O corpo e o olhar transmitem o que as palavras não conseguem, através de gestos, posturas e contato visual. 


Em uma sociedade repleta de mensagens de texto, de áudios e emojis, há que se lembrar que a presença física e a vulnerabilidade são insubstituíveis; as palavras transmitem a informação e explicam o mundo, mas o sentimento é transmitido e acolhido apenas pelo corpo.


Clarice Lispector afirma, na sua obra "A Paixão Segundo G.H”, que “o que realmente se vive é o que não se pode dizer”. (1)


REFERÊNCIA

(1) LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H. Rio de       Janeiro, Editora do Autor, 1964.


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